Vereador afirma que empresário perdeu legitimidade para representar o comércio e promete mobilizar apoio para substituição na entidade
Durante sessão na Câmara de Palmas, nesta terça-feira (30), o vereador Carlos Amastha (PSB) criticou a permanência do empresário Joseph Madeira na presidência da Associação Comercial e Industrial de Palmas (ACIPA). O parlamentar destacou que o dirigente é investigado na Operação Fames, que apura um suposto esquema de corrupção na compra de cestas básicas e levou ao afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos).
“Um tema que realmente me incomoda demais e que atinge muito a nossa cidade. A nossa associação comercial, a nossa ACIPA, hoje é presidida pelo empresário Joseph Madeira e acho que é sabido por todos o tamanho das confusões que esse homem tem feito nessa cidade, aqueles contratos totalmente irregulares, ilegais e criminosos com a Assembleia Legislativa do Tocantins e o pior de tudo: o pivô do escândalo das cestas básicas. Ele e a mulher criaram toda uma série de empresas pra abraçar o dinheiro que foi roubado do povo de Palmas e do Tocantins”, declarou Amastha.
O vereador afirmou que pretende articular um movimento para pedir o afastamento de Madeira, lembrando que vários vice-presidentes da ACIPA já renunciaram em protesto. Para ele, a permanência do empresário compromete a credibilidade da entidade.
“Quando a gente fala na coisa pública, evidente, são os órgãos de controle que têm que tomar as medidas: defensoria, Ministério Público e Justiça. Agora, quando estamos falando de uma instituição privada que reúne os comerciantes dessa cidade, eu não posso ficar calado e eu faço questão e vou fazer um movimento pedindo o afastamento dele da presidência da ACIPA”, reforçou.
Relembre o caso
Joseph Madeira foi preso em agosto de 2024 durante a Operação Fames, que investiga fraudes em contratos da Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju) para fornecimento de cestas básicas. A investigação centra-se em contratos para a compra de aproximadamente 1,6 milhão de cestas básicas, que somam quase R$ 5 milhões. Há suspeitas de que esses contratos foram integralmente pagos, mas que nem todas as cestas básicas foram efetivamente entregues à população.

Segundo o Ministério Público, empresas ligadas ao empresário e à esposa dele teriam sido usadas para desviar recursos públicos. Ele foi solto após pagar fiança, mas continua respondendo às investigações.
Amastha também criticou o impacto da crise na representatividade da entidade. Ele lembrou que, recentemente, a ACIPA não participou nem mesmo do lançamento da campanha de Natal do comércio. “Nós vimos o lançamento da campanha de Natal agora, duas semanas atrás, e a ACIPA não estava presente porque não foi convidada a participar, porque não tem voz nesse momento. Isso não é justo com a nossa cidade. Essa cidade vive basicamente do seu comércio e dos seus serviços, e a ACIPA é a instituição que reúne todos eles. E nós precisamos de uma ACIPA forte e trabalhadora”, disse.
O parlamentar finalizou afirmando que não busca interferência política na escolha do novo presidente da entidade. “Fui perguntado vereadora Iolanda nesses dias se eu estava querendo tirar ele pra colocar quem? Aí imagine qual foi a minha resposta, né? O sarcasmo, a risada. Eu quero que ele saia para que os empresários decidam alguém pra dar continuidade a esse trabalho. Eu não quero e faço questão de que não tenha nenhuma interferência política.”


