A turnê começou no dia 6 de março e segue até 5 de abril, com 20 apresentações que celebram a trajetória do grupo
A companhia tocantinense Lamira Artes Cênicas está em circulação nacional com o projeto “15 anos Lamira!”, uma temporada especial que reúne espetáculos, oficinas gratuitas e ações formativas no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte. A turnê começou no dia 6 de março e segue até 5 de abril, com 20 apresentações que celebram a trajetória do grupo e ampliam a presença da produção artística do Norte nos principais circuitos culturais do país.
A programação reúne dois trabalhos marcantes do repertório da companhia: “A Jornada de Kokoro”, espetáculo infanto-juvenil que mistura dança, teatro e formas animadas, apresentado de 6 a 16 de março, e “GIBI”, espetáculo de dança para crianças inspirado no universo das histórias em quadrinhos, em cartaz de 20 de março a 5 de abril. As apresentações ocorrem de sexta a domingo, sempre às 15 horas. Aos domingos, há sessão às 11 e às 15 horas.
Sediada em Palmas (TO), a Lamira desenvolveu ao longo de 15 anos uma linguagem própria que articula dança, teatro físico, palhaçaria e dramaturgia visual. Esse percurso levou a companhia a circular por diversas regiões do país, participar de importantes festivais e consolidar um diálogo constante entre criação artística e formação de público.
Ao longo dessa trajetória, o grupo já percorreu 128 cidades brasileiras, realizou mais de 390 apresentações e alcançou mais de 70 mil espectadores, números que consolidam a Lamira como uma das referências da dança produzida fora do eixo Sudeste no Brasil.
Para a diretora-geral da companhia, Caroline Galgane, a temporada tem um significado especial dentro da história do grupo. “Celebrar 15 anos com uma temporada no CCBB é um momento muito simbólico para nós. É o reconhecimento de uma trajetória construída com muito trabalho, pesquisa e persistência em fazer arte a partir do Tocantins e da região Norte. Estar em circulação nacional com nossos espetáculos, oficinas e atividades formativas é também uma forma de mostrar que há uma produção potente acontecendo fora dos grandes centros culturais do país”, afirma.
Além das apresentações, o projeto também investe em ações formativas voltadas à comunidade artística e ao público interessado nas artes da cena. Durante a temporada, serão realizadas duas oficinas gratuitas, ministradas pelo diretor artístico da companhia, João Vicente, com 25 vagas por turma e duração de 2h30 cada.
A primeira atividade, “A Fisicalidade como Interseção entre Dança e Teatro”, acontece no dia 14 de março, propondo experimentações corporais a partir de jogos teatrais, improvisação e estados de presença. Já no dia 28 de março, será realizada a oficina “Dança e Palhaçaria”, dedicada à investigação do clown e da comicidade física como ferramentas de criação em dança.
Segundo João Vicente, compartilhar esses processos é parte essencial da missão artística da companhia. “Nosso trabalho nasce do encontro entre linguagens. A dança, o teatro e a palhaçaria se cruzam no corpo do intérprete e geram novas possibilidades de expressão cênica. Nas oficinas buscamos dividir um pouco dessa pesquisa, criando um espaço de troca com artistas e estudantes interessados em investigar o movimento, o jogo e a presença em cena”, explica.
A temporada também conta com ações especiais de vivência e mediação crítica, conduzidas pelo professor e pesquisador Henrique Rochelle, referência nacional em história e crítica da dança. As atividades acontecem nos dias 21 de março e 4 de abril e são estruturadas em três momentos: uma vivência temática com o público participante, a fruição do espetáculo e uma conversa mediada após a apresentação.
Mais do que uma comemoração, o projeto “15 anos Lamira!” representa um marco na trajetória da companhia e reforça o protagonismo da produção artística do Norte no cenário nacional das artes cênicas. Ao reunir espetáculos, formação e reflexão crítica, a temporada amplia o diálogo entre artistas e público e reafirma a importância da circulação cultural como ferramenta de intercâmbio e democratização da arte. (Por Cinthia Abreu)


