*Por Roberto Jorge Sahium
A Festa do Peixe Aruanã é uma celebração tradicional, principalmente do povo Karajá (Iny). O Ritual exalta o encantamento do povo Karajá com o Rio Araguaia pela sua formosura e fartura de peixes. Integra os rituais, danças com máscaras (representando as entidades Aruanã) e culinária típica, que tem ocorrência geralmente de acordo com o calendário ecológico e cultural da comunidade, muitas vezes no segundo semestre, com registros de celebrações no final de agosto acolá pras nas bandas da Ilha do Bananal.
Diz a lenda que Aruanã é filho de Aruá e primo dos Lendários Arumanás. Vivia nas profundezas do rio Araguaia. De vez em quando Aruanã subia às margens do grande rio, e contemplava a vida humana. Sonhava um dia tornar-se homem e correr pela terra seca.
Aruanã no meio dos Carajás pode significar sentinela, ousadia, espírito competitivo, independência, força de vontade e originalidade, mas se torna teimosia. Quanto aos peixes Aruanãs são de nossas águas, na pia de batismo recebeu o nome de Osteoglossum bicirrhosum. Tem parentes na Asia, Austrália e Nova Guiné, pertence à família Osteoglossidae.
Aru´á, Aruã, Arua´nã, para os indigenas significa peixe silencioso, manso e hábil, que surgiu do fundo do rio, deu origem aos Carajás, descendente dos Arauques comedor de farinha de mani-oca.
Conhecidos entre os ribeirinhos da Amazonia por língua-de-osso e duas barbas.

O ou a Aruanã, como quiser, é um peixe teleósteo, pode alcançar o tamanho de 120 cm e pesar 4,5 Kg. Cabeça alta e comprida e ossuda, boca ampla e inclinada para cima, um par de barbilhões carnosos na extremidade do queijo equipada com dentes que mordem contra os outros no céu da boca. Corpo largo é coberto por escamas enormes, com coloração cinzento-prateada no dorso, amarelada no abdome. O nome língua-de-osso deriva de um osso dental na parede da boca.
As espinhas dorsal e anal possuem leves raios e são longos, enquanto as pectorais e ventrais são pequenas.
São moradores do Sistema Hidrográfico Amazônia e Araguaia-Tocantins, gostam de residir em gangas d´água com clima com temperaturas entre 24 a 30º C, pH azedos (4,0 – 6,5), em lagos e rios calmos, inclusive toleram ambientes de atmosfera quase hipóxica [(2-3 ppm (mg/L) de oxigênio dissolvido] por curtos períodos, podem respirar ar atmosférico através da bexiga natatória, o que lhes permite sobreviver em ambientes com baixos níveis de oxigênio.
Por serem onívoros, comem de tudo, se alimentam tanto de fontes vegetais quanto animais, garantindo alta adaptabilidade a diferentes ambientes, mas preferem se alimentar de peixes e artrópedes (insetos, besouros, lacraias, lagostas e outros animais que possuem uma carcaça externa rígida) que se locomovem dinamicamente na superfície da água. Costuma dar saltos fora da água para capturar presas, como grandes insetos, nos galhos mais baixos das árvores nas florestas alagadas.
A Aruanã é uma espécie de peixe com maturação sexual em torno de 60 cm, sedentário, de curtas migrações tróficas, se desloca para as áreas de várzea durante o período de cheia para desovar. Fecundidade baixa, cerca de 200 óvulos grandes e alaranjados. Os machos acolhem os ovos ou filhotes na cavidade bucal em perigo ou mudança de endereço.
Os peixes Aruanãs são considerados primitivos, vem de linhagem extremamente antiga, com registros fósseis que datam de aproximadamente 140 milhões de anos, que começou no período Cretáceo, atravessou transformações drásticas que moldaram o mundo de hoje, incluindo a separação final dos continentes, a extinção dos dinossauros, era do gelo e a ascensão dos mamíferos.
Mas é um peixe preparado para vencer as mudanças climáticas que se avizinham, onde vai exigir dos viventes uma abordagem dupla e urgente como: a mitigação, que terá como empreitada amansar as causas; e a poucas adaptações que terão que fazer como a fisiológica, não vão ter grandes dificuldades, de nascença toleram temperaturas de até 32º C, águas de pouco oxigênio dissolvido e ácidas. Quanto as características morfológicas, foram desenhadas pelo Grande Tupã, corpo alongado, formato de um míssil balístico hidrodinâmico, com barbilhões (ou "bigodes") que orienta sua localização de navegação, especialmente na superfície da água, uma armadura protetora flexível, construída com escamas duras e alongadas, tudo para peitar as intempéries, as curvas de rios e redemoinhos. Tai um pré-histórico preparado para o futuro.
No presente é um peixe que vem ganhando popularidade. Virou celebridade como peixe ornamental, principalmente na Europa e no Japão. Quando em aquário, se mostra um animal belíssimo e muito inteligente, se alimenta de rações extrusadas balanceadas, com 32 a 40% de proteínas e extruzadas. Observando que é um peixe que cresce rápido.
Na pesca é número 1, peixe esportivo, fácil captura na beira dos lagos e lagoas, nas proximidades de troncos e plantas aquáticas. O aruanã costuma dar saltos espetaculares quando capturado, e o pescador precisa ter muita atenção ao retirar o anzol do peixe para não se ferir e machucar o peixe.
O apetrecho para sua pesca deve ser do tipo simples, varas não precisa ser tipo Louis Vuitton, linhas 12, 14 e 17 libras; anzóis 1/0 a 3/0. Este peixe pode ser capturado tanto com iscas naturais (peixes, camarão, insetos, etc.) como com artificiais (plugs de superfície e meia água e colheres).
A carne do peixe Aruanã é muito boa, sendo um peixe valorizado por seu sabor suave, carne branca e textura firme. É uma opção excelente e saudável, pois é muito magra (baixa gordura), rica em proteínas e, principal diferencial, não tem espinhas, facilitando o consumo por crianças e idosos.
A Aruanã não está incluída na lista vermelha da União Internacional Para Conservação da Natureza e Recursos Naturais, embora, pescas predatórias tenham diminuído notadamente suas populações.
Inté pra noís.

*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo, extensionista raiz e Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira, e da Academia Tocantinense do Agronegócio, encontra-se projetista agroambiental autônomo.

