Campanha alerta para o impacto da Doença Renal Crônica, que atinge uma em cada dez pessoas no mundo e já mantém mais de 170 mil brasileiros em hemodiálise, reforçando a urgência da prevenção
Com o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, a Fundação Pró-Rim realiza neste mês março uma série de ações de sensibilização em Gurupi e Palmas para chamar atenção para a Doença Renal Crônica (DRC) e reforçar a importância do diagnóstico precoce e da mudança de hábitos de vida. As atividades se somam à mobilização do Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março, e colocam o Tocantins no mapa da prevenção em saúde renal, aproximando informações, serviços e especialistas da população e dos tomadores de decisão. Nacionalmente, a campanha é coordenada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e reforça a necessidade de exame de urina e creatinina para todos.
Ações em Gurupi e Palmas
Em Palmas, as ações de saúde e prevenção se concentram em locais estratégicos de grande circulação e de influência política. Na Assembleia Legislativa do Tocantins (ALETO), no hall de entrada, as atividades acontecem nos dias 10 e 11, das 8h às 12h, com foco em sensibilizar tanto o público geral quanto parlamentares e servidores. Já no dia 12, a Fundação Pró-Rim estará na Havan das 9h às 16h, ampliando o alcance da campanha junto às famílias que circulam pelo local.
Nesses pontos, a comunidade terá acesso gratuito a aferição de pressão arterial, testes de glicemia, cálculo de Índice de Massa Corporal (IMC) e orientações nutricionais voltadas à prevenção da DRC. Mais do que prestar serviços pontuais, a Fundação se posiciona como embaixadora da saúde renal no Tocantins, fortalecendo uma cultura de prevenção contínua e não apenas de cuidado diante da doença instalada.
Em Gurupi, a programação inclui a caminhada “Passos do Filtro”, no dia 11, às 17h, no Parque Mutuca, com volta completa pelo trajeto. A proposta é aliar movimento, ocupação dos espaços verdes e conversa sobre prevenção, mostrando que atividade física regular é uma aliada importante na proteção dos rins e no controle de doenças como hipertensão, obesidade e diabetes.
A dimensão da Doença Renal Crônica
Estimativas internacionais apontam que cerca de 10% da população mundial vive com algum grau de Doença Renal Crônica (DRC), o que significa que aproximadamente uma em cada dez pessoas pode desenvolver o problema ao longo da vida. No Brasil, estimativas recentes indicam que a DRC já é considerada uma condição de grande relevância em saúde pública, associada ao envelhecimento da população, à alta prevalência de hipertensão e diabetes e a estilos de vida pouco saudáveis.
Segundo o Censo Brasileiro de Diálise de 2024, elaborado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, o país alcançou cerca de 172,5 mil pessoas em terapia renal substitutiva, número que cresceu quase 10% em relação a 2023 e cerca de 50% na última década. Na prática, isso significa mais pessoas dependentes de hemodiálise várias vezes por semana para sobreviver, o que reforça a urgência de investir em prevenção e diagnóstico precoce para evitar que tantos pacientes cheguem aos estágios avançados da doença e culmine com a falência total do rim.
Doença silenciosa que exige vigilância
Atuando há quase três décadas na área de Nefrologia, o médico Dr. Amadeu Giannasi, CRM-TO 1314 e RQE 568, faz um alerta direto: a Doença Renal Crônica não faz marketing. “A Doença Renal Crônica não dá sintoma. Quando os sintomas aparecem, o paciente já precisa da hemodiálise”, explica o especialista, lembrando que, na maioria das vezes, o rim adoece “em silêncio”.
Segundo o nefrologista, a DRC é uma doença irreversível e progressiva, que exige tratamento para a vida toda. “Estamos falando de uma doença que não tem cura e precisa de cuidados constantes”, reforça. Por isso, o foco da campanha da Fundação Pró-Rim está em prevenir antes que os rins entrem em falência, evitando que o paciente chegue aos estágios finais, quando passa a depender de diálise ou transplante.
Prevenção na prática: exames simples e mudança de hábitos
Dr. Amadeu destaca que a prevenção começa com um gesto simples: consultar o médico pelo menos uma vez ao ano e realizar exames básicos. “Uma dosagem de creatinina no sangue e um exame de urina são suficientes para levantar a suspeita de doença renal ainda nos estágios iniciais”, orienta. Nessa fase precoce, é possível reduzir significativamente a velocidade da progressão da DRC e afastar o risco de diálise com intervenções adequadas.
“Quando descobrimos cedo, conseguimos agir no que está machucando os rins: controlar rigorosamente a pressão alta, o diabetes, o peso, revisar medicamentos e orientar mudanças no estilo de vida”, explica o nefrologista. Entre as medidas recomendadas estão uma alimentação com menos sal e ultraprocessados, incentivo ao consumo de alimentos in natura, prática regular de atividade física, ingestão adequada de água, não fumar e evitar automedicação, especialmente analgésicos e anti-inflamatórios usados sem orientação.
Fatores de risco e público mais vulnerável
As ações de sensibilização da Fundação Pró-Rim também buscam explicar quem deve redobrar a atenção. Pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, histórico familiar de doença renal, idosos e quem faz uso prolongado de certos medicamentos compõem o grupo de maior risco. Nesses casos, a avaliação anual deve ser vista não como opção, mas como parte da rotina de cuidado, assim como o acompanhamento regular da pressão e do açúcar no sangue.
Durante as atividades em Gurupi e Palmas, as equipes de saúde explicam, em linguagem simples, o que é a DRC, como ela afeta o organismo, quais sinais merecem atenção e por que a ausência de sintomas não significa que está tudo bem. A proposta é transformar cada aferição de pressão, cada teste de glicemia e cada conversa com o profissional de saúde em uma oportunidade de educação em saúde.
Cuidar das pessoas e proteger o planeta
Ao adotar o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, a Fundação Pró-Rim amplia o olhar sobre a prevenção para além do consultório. A caminhada em área verde, o incentivo ao uso consciente de recursos de saúde, a valorização de alimentos frescos e de produção local e o combate ao desperdício de água e alimentos são exemplos de como escolhas sustentáveis dialogam com a proteção dos rins e de todo o organismo.
Mais do que um calendário de ações, a campanha busca deixar um legado: estimular que cada pessoa se torne protagonista da própria saúde, adotando hábitos mais saudáveis e procurando o serviço de saúde antes que o problema se agrave. “A ausência de sintomas não significa ausência de doença. A visita anual ao médico e os exames simples são os passos mais importantes para proteger os rins e evitar que o paciente descubra o problema apenas quando já precisa de hemodiálise”, conclui Dr. Amadeu.
Sobre a Fundação Pró-Rim
Referência nacional em Nefrologia, a Fundação Pró-Rim é uma instituição da administração privada, filantrópica e sem fins lucrativos, fundada em 1987, em Joinville (SC) e, desde 2005, também está presente no Tocantins. Pioneira em transplantes renais e tratamentos de diálise, a instituição dedica 99% dos seus atendimentos aos pacientes do SUS, acumulando mais de 2.100 transplantes realizados e milhares de sessões de hemodiálise anuais com certificação de excelência ‘Qmentum International Diamond’. Site oficial: www.prorim.org.br

