Durante a cerimônia, tomou posse como presidente da ABMCJ-TO para o triênio 2026–2029 a delegada da Polícia Civil do Tocantins Suzana Fleury Orsine
Na véspera do Dia Internacional da Mulher, o combate à violência de gênero e ao feminicídio foi o tema central da sessão solene de posse da nova diretoria da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica – Comissão do Tocantins (ABMCJ-TO), realizada na noite desta sexta-feira, 6, no auditório do Ministério Público do Tocantins (MPTO).
Representando o procurador-geral de Justiça, a procuradora de Justiça Maria Cotinha Bezerra Pereira destacou a convergência de propósitos entre o Ministério Público e a associação, especialmente na defesa dos direitos humanos e na proteção das mulheres em situação de vulnerabilidade. Também participou da solenidade a promotora de Justiça Flávia Rodrigues, coordenadora do Núcleo de Gênero do MPTO.
Segundo a procuradora, o Ministério Público compartilha com a entidade o compromisso de enfrentar a violência e fortalecer a rede de proteção às mulheres. “A pauta da associação é voltada para as mulheres em dificuldade, para as minorias e para a mulher sofrida. O Ministério Público está intimamente ligado a essa pauta”, afirmou.
Durante a cerimônia, tomou posse como presidente da ABMCJ-TO para o triênio 2026–2029 a delegada da Polícia Civil do Tocantins Suzana Fleury Orsine.

Ocupação de espaços e sensibilidade feminina
Ao abordar o papel de mulheres em cargos de decisão, Maria Cotinha lembrou que, ao longo das décadas, a participação do público feminino em postos de comando foi limitada, mas vem avançando de forma gradual desde a conquista do direito ao voto.
Ela destaca que a presença feminina é essencial para o sistema de Justiça e que o olhar sensível da mulher é imprescindível em todo e qualquer contexto. “A participação feminina em postos de decisão não é uma tentativa de ocupar o espaço de outros, mas de participar ativamente da construção da sociedade”, defende.
Alerta contra a violência de gênero
Um dos pontos de maior impacto na fala da representante do MPTO foi o alerta sobre os casos de violência contra a mulher. Maria Cotinha classificou como “alarmante” o índice de feminicídios na sociedade e afirmou que o sistema de proteção ainda está atrasado diante da gravidade da situação.
“Verificamos o índice alarmante dos feminicídios que assolam a sociedade. Quantas mulheres são retiradas do convívio, retiradas da vida, em razão dessa violência? É um olhar que precisamos ter, pois estamos atrasados”, declarou.
Segundo ela, a mobilização de associações como a ABMCJ-TO é fundamental para as gerações futuras, servindo de base para o caminho que está sendo trilhado.
Histórico da ABMCJ
Fundada em 1985 em Belo Horizonte (MG), a ABMCJ é uma organização não governamental de âmbito nacional que reúne advogadas, defensoras, delegadas, promotoras de Justiça, magistradas, procuradoras e professoras. No Tocantins, a comissão estadual tem atuado há anos no empoderamento de mulheres de carreira jurídica e na defesa da equidade.
Internacionalmente, a entidade é ligada à Federação Internacional de Mulheres de Carreira Jurídica (FIFCJ), que possui status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) desde 1961. Essa rede colabora diretamente com organismos como a Unesco, Unicef e a ONU Mulheres.
Diretoria e conselhos empossados
Confira abaixo, a relação das mulheres que assumiram os cargos para o triênio 2026-2029:
Presidente: Suzana Fleury Orsine
Secretária-Geral: Suzi Francisca da Silva
Secretária Adjunta: Umbelina Lopes Pereira Rodrigues
Tesoureira: Delícia Feitosa Ferreira Sudbrack
Tesoureira Adjunta: Dorema Silva Costa
Conselho Fiscal (Titulares):
Odete Batista Dias Almeida
Kellen Soares Pedreira do Vale
Mary Sônia Matos Valadares
Conselho Fiscal (Suplentes):
Ceila Maria Melo Mendonça
Meriswane Teixeira Oliveira
Quinara Resende Pereira da Silva Viana
Conselho Deliberativo:
Titular: Angela Maria Prudente
Suplente: Maria da Natividade Pimentel

