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Cará-pirosca: O Nemo do Tocantins

*Por Roberto Jorge Sahium 

Peixe simpático, sociável e famoso, classificado como um dos peixes mais inteligente das águas Americanas e muito popular como peixe de aquário. Conhecido por desenraizar plantas, por mover outros objetos em aquários, capaz de reconhecer o seu tratador e pegar a comida na mão ou até mesmo pular para fora da água para apanhá-la. Costuma deixar que se façam carícias em seu dorso.

Na região do Vale do Javaes é conhecido por Cará-pirosca, registrado no cartório científico por Astronotus acellatus -Agassiz, 1831. Conhecido sob uma grande variedade de nomes, como: Acará-grande, Acará-açu, Acaraçu, Acarauaçu, Acará-guaçu, Acarauçu, Aiaraçu, Apiari, Carauaçu, Apaiari e Oscar.

“Acará” vem do tupiaka’ra. “Acará-açu”, “acaraçu”, “acará-guaçu”, “acarauaçu”, “acarauçu” e “carauaçu” vêm do termo tupi para “acará grande”[. “Aiaraçu” possui origem tupi.

O Cará-Pirosca é um peixe de escamas, corpo de forma eliptica, de até comprimento de 45 cm, atingindo um peso de 1,6 kg, coloração escura com manchas alaranjadas ou ocelos, no pendúnculo caudal e na nadadeira dorsal. Segundo alguns estudos, função desses ocelos é limitar o ebarrar de nadadeiras pelas piranhas, o que também ocorre com no seu ambiente natural, outros têm sugerido que os ocelos podem também ser importantes para comunicação intraespécie.

Os Cará-Piroscas também conseguem alterar sua coloração, uma característica que facilita o comportamento ritual, territorial e de combate entre indivíduos da mesma espécie.

Os adultos são muito apreciados como alimento e como peixe ornamental. Porém, seu crescimento lento limita seu potencial para aquicultura.

Dizem os sabichões e invejosos que Cará-pirosca é natural da Bacia Amazônica, naturalizado aqui na Bacia do Araguaia-Tocantins, onde se tornou famoso.

Foi introduzido no Nordeste na década de 1930 pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) com o objetivo de povoar os açudes públicos para servir como fonte de proteína animal.

Em seu ambiente natural, a espécie geralmente ocorre em habitat de rios com correntes lentas, lagos com águas claras e matas inundadas.

A distribuição da espécie está limitada pela sua intolerância a águas frias, o limite letal para essa espécie é de 12.9 °C. São peixes de águas ácidas e neutras, com boa tolerância a alcalinas. Mas pH ideal fica em torno de 6.8 a 7.0.

Abriga-se sob troncos submersos e vegetação aquáticas, para facilitar pegar suas refeiçoes freferidas, que consiste de insetos aquáticos (que compreendem 60% de sua dieta), embora consome pequenos peixes e crustáceos. A espécie usa um mecanismo de sucção, gerado por extensões mandibulares, para capturar a presa. A espécie também tem uma absoluta necessidade de Vitamina C e desenvolve problemas de saúde em sua falta.

Aceita bem ração 36% proteína crescimento.

Atingem a maturidade sexual com aproximadamente um ano de idade e continuam a se reproduzir de 9 a 10 anos. Formam casais na época da reprodução, não fazem migrações tróficas e as desovas são parceladas entre raizes e plantas aquáticas onde depositam de 1.000 a 3.000 ovos.

Como na maioria dos ciclídios, protege sua cria, entretanto, a duração dessa proteção na natureza permanece desconhecido.

Um sem número de variedades ornamentais do A. ocellatus têm sido desenvolvidas pela indústria aquarista. Isso inclui formas com grande intensidade e quantidade de vermelho marmóreo por seus corpos, albinas, leucísticas e xantocrômicas. A. ocellatus com manchas marmóreas de pigmentação vermelha são vendidos como oscars-red-tiger, enquanto linhagens com coloração vermelha principalmente nos flancos são frequentemente vendidos sob o nome comercial de oscars-vermelhos. O padrão de pigmento vermelho difere entre indivíduos.

Peixe importante acolá nas beiradas do Rio Javaés. A carne do peixe Cará-pirosca é valorizada por ser clara, firme, muito saborosa e com boa quantidade de filé, sendo comparada à Caranha do Tocantins. Típico de água doce na Amazônia, é um peixe versátil, indicado para preparos como sashimi, ceviche e assados, com preço acessível e alta qualidade.

Peixe de fácil captura utilizando apetrechos comuns, como varas de ação leve, linhas de 8 a 12 lb e anzóis de n° 12 a 20.

Iscas, principalmente pedaços de peixe, minhoca, minhocuçu, miúdos de frango, insetos a meia água, como pequenos plugs e spinners.

Taí um peixe além da culinária, está pronto e importante para o aquarismo.

Inté depois pra nóis!

*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo, extensionista raiz e Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira, e da Academia Tocantinense do Agronegócio, encontra-se projetista agroambiental autônomo.

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