Após repercussão negativa, diretora pede afastamento do cargo
A repercussão de um vídeo publicado nas redes sociais por uma diretora da rede municipal de Gurupi provocou indignação entre pais, educadores e profissionais da área da saúde. Nas imagens, a gestora classificou o Transtorno do Espectro Autista (TEA) como “doença da moda” e defendeu que crianças típicas e atípicas devem receber o mesmo tratamento, sem considerar especificidades.
Durante a gravação, a diretora afirmou que “limite todo ser humano precisa ter” e que não sairia de casa “para apanhar”, ao comentar comportamentos de crianças com TEA. Em outro trecho, disse que “o ser humano nasceu para ser treinado”, declaração que ampliou a reação negativa nas redes.
Diante da repercussão, a Prefeitura informou que a prefeita Josi Nunes determinou a abertura imediata de sindicância para apurar os fatos. A diretora, servidora efetiva desde 2018, solicitou afastamento voluntário do cargo enquanto o procedimento administrativo estiver em andamento.
A polêmica também gerou manifestações públicas de profissionais da área. A neuropisicopedagoga Monique Wermute Figuera criticou duramente as declarações e classificou o episódio como um “desserviço” à educação inclusiva.
“Não poderia me calar ao saber das absurdas declarações públicas que uma pseudo professora/gestora de Gurupi fez. Envergonhou de forma horrível a classe de professores deste Estado. Sou mãe de dois autistas nível 2 com diagnóstico tardio e superdotação, casada há 50 anos, e nunca em tempo algum, mesmo sem o conhecimento necessário na época, sequer sonhei em agir como esta vergonhosa gestora citou”, afirmou.
Monique destacou ainda que o desenvolvimento de pessoas com TEA depende de estímulo, apoio familiar e inclusão efetiva. “Todos evoluem com estímulo. Meus filhos são profissionais altamente qualificados, independentes, ambos graduados. Estudei e estudo muito as áreas de superdotação, TEA e TDAH para desenvolver outras pessoas, onde me tornei profissional na área. Reafirmo com toda convicção: a maioria das pessoas com TEA desenvolve como qualquer outra pessoa, mas necessita de uma família que estude, acredite e invista, uma escola que trabalhe a verdadeira inclusão e uma comunidade esclarecida”, declarou.
Ela concluiu com crítica direta à postura da gestora: “O que esta mulher fez foi um absurdo. Na posição que ocupa como servidora pública de Gurupi, foi um desserviço enorme. Algo que ninguém tem qualquer argumento para sequer defender. Ser humano não se adestra, se entende, se afaga, se ajuda.”
O caso reacende o debate sobre preparo técnico e sensibilidade de gestores escolares diante da educação inclusiva e reforça a necessidade de formação continuada para profissionais que atuam na rede pública.

