A cena política de Taguatinga e do sudeste do Tocantins foi sacudida por um episódio envolvendo o que está sendo considerada, por enquanto, a “chapa majoritária do grupo palaciano”, leia-se Dorinha Seabra, Eduardo Gomes e Carlos Gaguim, incluindo o governador Wanderlei Barbosa como coordenador, estrategista e mentor intelectual. O caso trouxe à tona tensões internas e abriu uma crise pública que pode deixar marcas profundas no grupo que esteve ao lado dela nas últimas eleições.
Ausência que virou símbolo
O ponto de partida foi a ausência da “chapa majoritária do grupo palaciano”, agora com ênfase na pessoa da senadora Dorinha Seabra, na comemoração dos 60 anos do ex-prefeito Miranda Taguatinga. O evento reuniu nomes de peso, como a deputada Cláudia Lelis, o secretário de Educação Fábio Vaz, além de prefeitos, ex-prefeitos e vereadores da região. Também eram esperados os senadores Eduardo Gomes e Dorinha, mas a não participação da parlamentar chamou atenção e gerou especulações.
Bastidores de pressão e articulação
Nos corredores da política local, relatos indicam que o prefeito Paulo Roberto teria se movimentado junto ao deputado federal Carlos Gaguim para esvaziar o encontro. Há denúncias de que servidores e aliados foram pressionados a não comparecer, sob risco de sofrerem retaliações políticas ou administrativas. Se confirmadas, essas práticas revelariam não apenas disputa de espaço, mas uma demonstração clara de poder e controle.
Aliança marcada por contradições
O atual alinhamento político surpreende, já que há um histórico de embates entre os grupos. A senadora já foi alvo de críticas do prefeito Paulo Roberto e da ex-prefeita Zeila Antunes. Entre os episódios lembrados estão:
- Acusações de influência na cassação de Zeila em 2012.
- Impedimento de Dorinha e Gaguim de participarem do palanque do governador Wanderlei Barbosa em 2022.
- O apoio político recebido de Miranda Taguatinga e do ex-prefeito Ailton Crente, que abriram espaço quando outros se afastaram.
O fantasma de 2016
Entre aliados antigos, a desconfiança é grande. Muitos enxergam no episódio atual uma repetição da ruptura de 2016, quando Dorinha retirou o DEM da base do então prefeito Ailton, enfraquecendo candidaturas proporcionais e deixando correligionários sem estrutura eleitoral. Para críticos, a senadora estaria repetindo o mesmo padrão de afastamento.
Apoio passado não garante futuro
Embora a vitória contra Kátia Abreu em Taguatinga tenha contado com apoio decisivo dessas lideranças — a diferença foi de cerca de 600 votos —, o clima agora é de incerteza. A política, lembram os aliados, não costuma perdoar gestos de ingratidão, e o preço pode ser cobrado nas urnas.
Cenário em transformação
Com o avanço de nomes como Amélio Caires e o fortalecimento da pré-candidatura de Vicentinho Júnior, o tabuleiro eleitoral segue aberto. Nos bastidores, a avaliação é dura: ao apostar em acordos frágeis, a senadora pode ter perdido aliados sólidos e, pior, unido a oposição contra si.
A pergunta que ecoa entre lideranças regionais é direta:
Com quem ficará o prefeito Paulo Roberto?
E, sobretudo, quem permanecerá ao lado da senadora Dorinha?


