*Por Joana Castro
O Retorno ao Palácio Araguaia
O retorno do governador Wanderlei Barbosa ao comando do Estado marcou um ponto de inflexão na política tocantinense. A retirada do gabinete do vice-governador da sede do governo não foi apenas um gesto administrativo, mas um símbolo claro de ruptura e isolamento. O vice, que havia exercido o cargo interinamente, buscava se afirmar como liderança, mas acabou fragilizado pela perda de espaço e pela falta de apoio consistente. O grupo palaciano, ao reafirmar sua autoridade, transmite a mensagem de que pretende conduzir o processo político com firmeza e unidade.
Tabuleiro das pré-candidaturas
O cenário eleitoral de 2026 já se desenha com múltiplos nomes. O presidente da Assembleia Legislativa tenta ampliar sua influência, mas enfrenta resistência fora da esfera parlamentar. O deputado federal Vicentinho Júnior, com articulação em Brasília e trânsito entre partidos conservadores e regionais, busca consolidar espaço, embora ainda dependa de alianças mais robustas. Carlos Amastha, ex-prefeito de Palmas e atual vereador, aposta em sua experiência administrativa, mas enfrenta rejeição em setores do interior. O vice-governador, por sua vez, aparece enfraquecido, marcado pelo rompimento com o governador e pelo isolamento político.
Soma-se, ainda, a esse quadro a possível candidatura do ex-senador Ataídes Oliveira. Empresário e político com trajetória nacional, Ataídes já demonstrou disposição em voltar ao cenário estadual e pode atrair setores empresariais e conservadores. Sua entrada amplia a fragmentação do campo oposicionista e adiciona mais uma voz ao debate sobre o futuro do Tocantins. Contudo, sua força dependerá da capacidade de construir alianças locais e de se reconectar com a base eleitoral, após anos fora do mandato.
Dorinha Seabra
Entre os nomes colocados, a senadora Dorinha Seabra desponta como a candidatura mais competitiva. Sua trajetória é sólida: foi secretária estadual de Educação por quase uma década, deputada federal por três mandatos e, desde 2022, senadora da República. Dorinha construiu credibilidade nacional, especialmente na pauta da educação, e se apresenta como liderança capaz de dialogar em Brasília e trazer recursos para o Tocantins. Mais recentemente, consolidou apoios estratégicos ao receber o respaldo dos prefeitos das cinco maiores cidades do Estado — Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Paraíso —, o que lhe garante capilaridade municipal e reforça sua posição como favorita.
O grupo palaciano e a estratégia de estabilidade
O grupo palaciano, fortalecido com o retorno de Wanderlei Barbosa, sinaliza que pretende apostar em nomes capazes de unir forças e garantir governabilidade. Nesse sentido, a aproximação com Dorinha Seabra é vista como natural e estratégica: ela reúne credibilidade, apoio municipal, respeito institucional e boa interlocução nacional. A retirada do gabinete do vice-governador do Palácio pode ser interpretada como um movimento para reduzir ruídos internos e preparar terreno para alianças mais sólidas em torno de candidaturas com maior potencial de vitória.
Resumindo…
O Tocantins entra em 2026 com um cenário que antevê improváveis múltiplas candidaturas ao governo, mas também com sinais claros de reorganização do poder. Dorinha Seabra surge como a pré-candidata mais competitiva, apoiada por prefeitos influentes e com trajetória consolidada. O grupo palaciano, ao se distanciar de figuras fragilizadas, sinaliza que pretende apostar em nomes capazes de unir forças e garantir estabilidade política. Nesse tabuleiro, Dorinha representa não apenas uma candidatura, mas a possibilidade de continuidade com renovação — uma síntese que pode se mostrar decisiva nas urnas.
“É, pois é. É isso aí” (SWR)

