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InícioArtigo de OpiniãoComo tem gente que acha bonito ser feio!

Como tem gente que acha bonito ser feio!

*Por Roberto Jorge Sahium

A frase, sei que se trata de bordão de humor, mas pode ser usada pela situação de azedume quão grandemente passa o Brasil. Não generalizando a cadeia alimentar, nossos políticos bem como as políticas públicas enjambrada por eles só pensam em emendas e remendos, achando bonito esta feiura.

O balanço da alma e do corpo a gente vê a política brasileira ajoelhada por demasia sobre emendas parlamentares, em detrimento de políticas públicas estruturantes, ajuizando um cenário de mastodôntico, ora emendas individuais, outrora de bancada e até de comissão, causando um efeito forte que impacta a implementação de medidas que organizam o desenvolvimento a longo prazo, como políticas públicas ou planos de ação. 

As emendas, impositivas ou não, tornaram-se o combustível do motor de alocação de recursos, com orçamentos recordes destinados ao fisiologismo, que segundo analistas políticos dizem e redizem que essas emendas visam à satisfação de interesses ou vantagens pessoais ou partidários, a cada passo usadas como moeda de troca política, focando em obras pulverizadas e de caráter local (redutos eleitorais), em detrimento do bem comum.

Neste embrolho todo estão nossos parlamentares (federal, estadual ou municipal), que só pensam naquilo, ou seja, no alto volume financeiro e relevância que esses recursos ganharam na última década, ofuscando o debate de ações, projetos ou elementos capazes de organizar e transformar uma estrutura existente, tornando-a sólida, planejada e ordenada. 

Planejada, ordenada e estruturante de médio e longo prazo, integrada e abrangente, que visa promover reformas profundas institucionais, legais e de governança para garantir a continuidade de um cenário propício ao desenvolvimento sustentável na produção e industrialização com uso de modelos lineares para sistemas inteligentes e circulares, intrinsecamente ligada à preservação ambiental e à responsabilidade social, consolidando-se como um requisito de sobrevivência no mercado. 

Reformas institucionais, legais e de governança representam mudanças estruturais, normativas e procedimentais destinadas a aumentar a eficiência, transparência e capacidade de resposta do Estado e das organizações.

No contexto geral brasileiro, em especial no Tocantins, tem que buscar modernizar a administração pública (reforma administrativa), ambiente de negócios eficientes, transparentes e com princípios de integridade, onde a população avista sem óculos 3D e sente enriquecimento somente em certos nichos de privilegiados ou redutos eleitorais beneficiados pelas emendas e remendos, pois daqui da planície não se vê nos políticos tocantinenses a preocupação verdadeira de como melhorar nosso PIB, IDH e IA de nossa gente de forma geral e comum.

Mas o Tocantins pela sua localização oferece vantagens competitivas, logísticas ou operacionais, facilitando o acesso com infraestrutura de suporte que permite uma resposta mais rápida às demandas de qualquer parte do mercado brasileiro, recursos naturais como solo e água excepcionais, inclusive necessitando de um projeto de Estado para recuperação de mais de três milhões de hectares de pastagens degradas.

A sugestão é simples e calça bem no número do Tocantins; trata-se de juntar todas as forças políticas tocantinenses (numa ação dessa não pode haver adversários políticos), empresariais, pequenos agricultores, grandes produtores rurais e pecuaristas, para recuperar estas pastagens degradadas com macaúba, pequi e oiti, e transformar o Estado do Tocantins na OPEP do Cerrado para produzir biodiesel, combustível de aviação (SAF), cosméticos e alimentos e ainda com os subprodutos para produção de torta (ração animal), carvão de alto poder calorífico e polpa para consumo humano (rica em vitamina A).

Tudo isso sem perder área de pastagens onde macaúba, pequi e oiti serão plantados com tecnologias e práticas agrícolas no sistema ILPF, que combina a pecuária com o plantio de árvores na mesma área, maximizando a produtividade, recuperando solos degradados e oferecendo bem-estar animal através da sombra.

Esta estratégia diversifica a renda (carne/leite e óleo), sequestra carbono e melhora a eficiência do uso da terra, sendo o sistema preconizado pelo MAPA/EMBRAPA, amparado pela Lei nº 12.187/2009 (Política Nacional sobre Mudança do Clima – PNMC), a base legal do Plano ABC, que estabelecendo o compromisso do Brasil com a redução de gases de efeito estufa (GEE).

Quanto aos sistemas ILPF com uso da macaúba, pequi e oiti estarão sendo apresentados oportunamente aqui neste espaço de propostas para um Tocantins Produtivo e com responsabilidade ambiental. Sobre dinheiro e investidores para bons projetos o mundo está cheio.

*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo, extensionista raiz e Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira, e da Academia Tocantinense do Agronegócio, encontra-se projetista agroambiental autônomo.

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