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O Roceiro Brasileiro: uma síntese da agricultura brasileira de 1.500 aos dias de hoje, e começa assim:

O PIB BRASILEIRO É QUASE TODO ROCEIRO.

VEM DA ROÇA TODO FACEIRO

PARA ENCHER O PANDU DO BRASILEIRO, E

DE MUITOS ESTRANGEIROS.

*Por Roberto Jorge Sahium

Olhaí! Mesmo assim, os roceiros brasileiros, invariavelmente ganham desde sempre tratamento desdenhoso. Ora lavradores, matutos, negros-do-eito, capiaus, boias frias, papa-goiaba, pião, caipiras e outros mais. A palavra “caipira” tem origem na língua tupi-guarani e deriva do termo ka’apira, que significa “habitante do mato” ou “homem que corta o mato”. 

Este tutu rançoso outrora eurocentrista e por ora pão bolorento, além dos ambientalistas e interesses internacionais que se opõem ou criticam o agronegócio brasileiro, incluem concorrentes econômicos, governos e blocos comerciais (como a União Europeia) e certas organizações da sociedade civil acarrapatados.

Mas a estrovenga da verdade não falha, veracidade verdadeira germinou e viera à tona. Quero dizer que no cenário econômico do Brasil “a agricultura e a pecuária brasileira” ainda que com tratamento indiferente desde sempre segurou e segura a economia deste país.

Como a estrovenga corta de ida e de volta, muitos acolá vão falar que o agronegócio é, sim, um pilar vital e indispensável da economia brasileira, especialmente no que tange às divisas internacionais, mas que não pode esquecer quanto “as contas do Brasil” é um esforço conjunto de todos os setores produtivos e da sociedade como um todo.

Os roceiros não olvidam da precisão do setor industrial, em especial as indústrias pesadas, minerações e combustíveis que são indispensáveis. Entretanto, todos sabemos que a maioria estão nas mãos de estrangeiros, cujas receitas liquidas desde os tempos coloniais caminham para suas matrizes, ficando pouca coisa destes frutos aqui no Brasil.

Sem falar nas contas dos governos que nunca fecham, de contínuo, gastam até o barbante que amarram os maços de notas. A gastança é tanta que esfarrapam fartamente a riqueza gerada pelo homem do campo, e ainda utilizam do nó cego descaradamente para esconder o esbanjamento e o que vai esbanjar. 

Além disso, Brasil é entupido de invencionice parcimoniosa, planos econômicos mirabolantes, políticas agrícolas governamentais concebidas nas baias das cavalariças do eixo monumental da esplanada, onde predominam genéticas e fenótipos para salvarem suas almas politiqueiras, confusas de ter fé, e de quando em vez cultivam alguns de tão transgênicos que parece a mula-sem-cabeça.

Para clarificar isso dito, as invencionices algumas são bem conhecidas e lembradas até hoje. Acolá no Brasil Colônia, período foi marcado por uma dualidade: a manutenção de um sistema de produção arcaico e dependente da escravatura; inserido em um contexto mais político do que comercial, daí a quebradeira ou crise da indústria canavieira. Nesta ocasião ainda houve até mesmo tempo para cunharem o quinto dos infernos, ou seja, de tudo produzido no campo como madeira, mandioca, abóbora, milho, galinhas, etc., 20% era tributo, descontado na pedra ou feira (bons tempos), e ainda no andamento desta era ocorre o episódio (caricato) que Dom João VI determina a caça das galinhas, que viram vilãs da inflação. As pobres e inocente sumiram dos quintais, procuradas à luz de lamparinas até nos poleiros.

Pós-colonial, o Brasil assistiu a quebradeira da indústria canavieira e a migração para o café, adonde na Era Vargas, por falta de planejamento e de políticas agrícolas, a maioria dos cafeicultores também entraram em falência por não encontrarem compradores, acarretando a queima de montanhas de cafés. 

Piora ainda mais a situação dos roceiros durante grande parte do século XX (especialmente nas eras Vargas e JK), quando o foco do Estado era a industrialização urbana. A prioridade eram as políticas públicas para setor secundário. Nisso a agricultura era vista apenas como subsidiária da cidade para fornecer alimentos baratos para conter a inflação e os salários urbanos, que conforme o próprio governo, o campo era reduto de arcaísmo ou de gente resistente ao avanço do novo.

Lá da época do Governo Militar, no final da década 70. houve um aumento expressivo do preço dos produtos hortifrutigranjeiros, alta de cerca de 80%, daí o aquoso Chuchu, o sem-graça de uma pedalada só vira boi de piranha, se transforma no mais feroz vilão da inflação. Mais adiante, na década de 1980, o governo promoveu o confisco cambial, mecanismos usados para penalizar os produtores rurais, sendo que o governo estabelecia taxas de câmbio desfavoráveis para os exportadores agrícolas, desviando parte da renda do campo para o Tesouro Nacional ou para subsidiar a indústria.

Mais interessante além do dito e bem dito acima é o caso “Plante que o João Garante”, episódio que desbeiçou de riba pra baixo uma erosão nas algibeiras dos agricultores brasileiros, colocando-os todos numa voçoroca só, ferrados e devedores do Banco do Brasil, isso mesmo, o mesmo banco que patrocina até jogo de porrinha na praia, erodiu muita gente.

Para piorar a situação que já estava ruim para os roceiros, vem o governo Sarney que aparece na mídia mundo adentro e mundo afora, apresentando o espetáculo dos bois voadores, sequestrados nas pastagens com uso de helicópteros, tal foi o tamanho da das injúrias aos roceiros sem precedentes e com precedentes, fora o susto que os indigentes bovinos voantes tiveram, não tinham coragem de olhar pro chão, sentiam náuseas.

E os roceiros achando que não tinham mais ruindades disponíveis no arsenal de políticas públicas do governo do Sarney, aparecem os planos econômicos (Cruzado I, Cruzado II, Bresser e Verão) na tentativa de controlar a inflação por meio de medidas artificiais e o desrespeito aos mecanismos de mercado e às políticas agrícolas existentes (como os preços mínimos) e as dificuldades econômicas e a instabilidade no setor. Mal-arranjado, levaram muitos roceiros a abandonar o campo, contribuindo para o êxodo rural.

Mas para piorar o que já estava arruinado, chega o governo colorido (no minúsculo), que de uma foiçada só, roçou diretamente na raiz uma das mais importantes corporações públicas do segmento rural, a EMBRATER – Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão, e indiretamente todas as EMATERES Estaduais. Este lance esparramou tanto azedume que sobrou azedia suficiente para o governo de FHC, ajudado pelo ministro da Agricultura e o chefe geral da Embrapa da época neutralizar a política agrícola brasileira e de tabela jogar uma pá-de-cal sobre os produtores rurais brasileiros. E não ficou somente nisso, perante o governo FHC a lei de responsabilidade fiscal (LRF) impôs maior controle e transparência às contas públicas, mas não alterou a obrigatoriedade de projetos para fins de financiamento produtivo, portanto os projetos agropecuários não tinham obrigatoriedade de um RT e que deixou os roceiros no mato sem cachorro totalmente sem assistência técnica.

Nos dias de ontem e de hoje vira e mexe e mexe e vira aparece alguns mostrengos com germinação dentro de governos como insegurança jurídica sobre a posse de terra e pressões ambientais. Com relação ao câmbio adotado no modo flutuante, e muitas vezes trava na primeira ou mudança rápida conforme pressão de governo (não deveria existir), imprevisível dificulta o planejamento de longo prazo, colocando o produtor em posição de especulador cambial, o que não é sua função principal.

O soterramento desta voçoroca viera no princípio de 2.000, adonde a roça brasileira por conta e risco dos roceiros, mesmo com a insegurança jurídica no campo, travamento de crédito para alguns produtores, se reinventaram, buscaram os mecanismos de sobrevivência, buscaram recursos por meio das “tradings”, aplicaram em tecnologias de ponta e cooptaram mercados internacionais, contudo vira e mexe e mexe e vira os governos. 

E muitos desinformados têm na ideia que agricultura brasileira é totalmente financiada pelos bancos, principalmente os oficiais. Isso trata-se de uma narrativa mentirosa, a verdade é que a roça brasileira, a partir de 2.002 internacionalizou, virou AGROBrasil S/A, bancada pelos seus milhares de sócios, os roceiros brasileiros, que obtém os recursos necessários para seu plano safra, com a venda antecipada de seus produtos agrícolas.

Trata-se de uma negociação da safra antes da colheita, uma estratégia financeira crucial para produtores rurais que garante fluxo de caixa, viabiliza o investimento em insumos e reduz riscos de mercado, funcionando via contratos como o Barter (troca por insumos) ou antecipação de recebíveis (Cédula de Produto Rural – CPR, Notas Fiscais), proporcionando liquidez imediata e melhor poder de barganha, apesar de envolver custos e riscos de travar preços ou desvio de produção.

Então, mais de 72% das verbas para o produtor plantar são de recursos próprios, essa birra contra os roceiros produtores de comidas, bebidas, fibras e agora a biomassa vem de longe, metamorfoseou em icterícia aquosa, os quais em modo avião cobram dos roceiros o que eles não fazem.

Mas nem tudo é ruim, presentemente o roceiro está na moda, não por causa das músicas sertanejas e vestimentas que acudiram muito a melhorar a figura do roceiro, mas sim porque foram transformados em produtores rurais mecatrônicos que pratica a agricultura 4.0, integrando tecnologias digitais como IA, IoT, Big Data e drones, para uma roça mais inteligente, eficiente e sustentável, desde o plantio até a colheita,fazendo uso de dados em tempo real para decisões assertivas, além do compromisso de reduzir e neutralizar as emissões de carbonos (CO2), com utilização de sementes prêmios, biocombustíveis, biofertilizantes e biodefensivos.

Mas a prova está aí, o AGROBrasil S/A, a maior empresa de sociedade anônima do mundo, com esquadrão de gestores do campo e produtores mecatrônicos, que atualmente planta e colhe a maior roça do planeta produzindo tanto alimentos, que além de harmonizar a segurança alimentar e a garantia nutritiva para mais de 210 milhões de brasileiros e mais 1,5 bilhões de pessoas mundo afora, torna positivo nossa balança comercial, permitindo da porteira pra fora a tratar a pão-de-ló tanto os marajás do governo, quanto os barnabés, os ditos líderes do agronegócio, e ainda serve de matéria de inveja para os linguarudos que, mesmo morando no asfalto, comendo caviar, bebendo vinhos de altíssima qualidade, raridade e prestígio e cheirando querosene de aviões, vão continuar a falar mal dos roceiros brasileiros.

Preconizamos a estes descrentes se informar melhor acerca do PIB brasileiro, do número de renda e empregos promovidos pelo AGROBrasil S/A, e ainda procurar saber quais são as cidades brasileiras com os maiores PIB e IDH, e por quê?

Vejam também o gráfico 1, mostrando o que aconteceu depois da reinvenção da agricultura brasileira ou marco temporal da transformação do AGROBrasil S/A, como já dito: “A Maior Empresa de Sociedade Anônima do Mundo”.

E por aí afora…, e quanto aos governos: Ajudam muito não atrapalhando.

Gráfico 1.

 

*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo, extensionista raiz e Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira, e da Academia Tocantinense do Agronegócio, encontra-se projetista agroambiental autônomo.

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