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Justiça frágil, política resiliente

*Por Joana Castro

A cena política do Tocantins expõe uma contradição que merece reflexão: quando a justiça falha em sustentar acusações contra líderes, quem sai fortalecido não são as instituições, mas os próprios acusados. Wanderlei Barbosa e Eduardo Siqueira Campos são exemplos emblemáticos dessa lógica. Ambos foram alvo de medidas extremas — afastamento e prisão, respectivamente — e ambos retornaram sem que houvesse qualquer prova de ligação ou participação contra eles nos crimes investigados. O resultado é paradoxal: a justiça sai enfraquecida, e a política, revigorada.

No caso de Wanderlei Barbosa, o afastamento do Palácio Araguaia poderia ter sido o início de um declínio. Houve até quem colocou a própria carreira política em jogo, apostando que o governador eleito era carta fora do baralho. Mas a falta de consistência das acusações transformou o episódio em narrativa de resistência. Hoje, o governador não apenas reassumiu o comando, como articula uma frente política ainda mais robusta, capaz de sustentar a candidatura da senadora Dorinha Seabra e reforçar a reeleição de Eduardo Gomes. O que era para fragilizá-lo, acabou por consolidar sua imagem de líder resiliente, capaz de transformar crise em oportunidade.

Eduardo Siqueira Campos viveu situação ainda mais dura: a prisão e o mesmo tipo de atitude que se viu no governo do Estado, com pessoas que, antes, lhe faziam afagos, a torcer e agir para que o pior acontecesse entre Eduardo e a Justiça. Mas, ao ser libertado, também sem vírgula a sustentar as acusações contra si, já sabendo quem era quem à sua volta, adotou uma postura política e administrativa firme, marcada por cortes de gastos, obras estruturantes e disciplina que conquistaram a população. O episódio judicial, que poderia ter destruído sua credibilidade, acabou por reforçar sua imagem de gestor austero e determinado. A justiça, ao não sustentar suas acusações, abriu espaço para que Eduardo se reposicionasse como líder de confiança.

O paralelo entre os dois é contundente: a fragilidade da justiça em sustentar acusações contra figuras públicas acaba por fortalecer justamente aqueles que deveria enfraquecer. Wanderlei e Eduardo são hoje símbolos de uma política que sobrevive às intempéries jurídicas e se reinventa com ainda mais força. É um retrato crítico da ineficiência institucional, mas também um reconhecimento da capacidade de ambos em transformar adversidade em poder.

Que 2026 venha sem sustos e que o povo do Tocantins possa, enfim, fazer valer sua fama de desconfiado, e conceder cargos políticos a quem realmente está ao seu lado.

Boas festas!

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