*Por Joana Castro
A Câmara dos Deputados acaba de prestar um desserviço histórico ao país. A aprovação da chamada dosimetria, que reduz penas de Jair Bolsonaro e dos condenados por tentativa de golpe de Estado, é mais do que uma afronta ao Judiciário: é uma tentativa explícita de reescrever a história e premiar quem atentou contra a democracia.
No Tocantins, a postura da bancada federal foi vergonhosa. Alexandre Guimarães, Antônio Andrade, Carlos Gaguim, Eli Borges, Filipe Martins, Tiago Dimas e Vicentinho Júnior escolheram se alinhar ao projeto que enfraquece a Justiça e desmoraliza o sistema penal. A unanimidade entre eles não é sinal de unidade política, mas de submissão cega a interesses partidários e pessoais. Apenas Ricardo Ayres se destacou ao votar contra, demonstrando que ainda há espaço para responsabilidade institucional.
O resultado é claro: o Judiciário foi desautorizado, a sociedade foi desrespeitada e a democracia foi ferida. A Câmara transformou-se em palco de manobras que buscam livrar aliados de consequências legais, em vez de defender o Estado de Direito.
Mais uma vez, resta ao Senado Federal a ingrata missão de corrigir o rumo. É lá que se espera encontrar o mínimo de bom senso e compromisso com a Constituição. Mas não deveria ser assim. O país não pode viver eternamente à mercê da esperança de que uma Casa Legislativa compense os erros da outra.
O Tocantins, ao ver seus representantes votarem em bloco por esse retrocesso, precisa refletir: quem eles representam? O povo ou os interesses de quem tentou rasgar a democracia?
Este editorial não é apenas um alerta, mas uma denúncia: a Câmara falhou, e os deputados tocantinenses — com exceção de Ricardo Ayres — foram cúmplices dessa falha. O Senado agora carrega o peso de impedir que o Brasil mergulhe ainda mais fundo na desmoralização institucional.
“É, pois é. É isso aí”. (SWR)

