O senador Irajá Silvestre Filho retirou, nesta segunda-feira (8), o recurso que tramitava no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que questionava a absolvição do governador Wanderlei Barbosa e do então candidato a vice-governador Laurez Moreira em ação que apurava suposto abuso de poder político nas eleições de 2022.
O processo, registrado como Recurso Ordinário Eleitoral nº 0601568-74.2022.6.27.0000, tinha julgamento previsto para iniciar no dia 12 de dezembro, em sessão virtual da Corte. A retirada do recurso foi formalizada às 18h49, com base no artigo 998 do Código de Processo Civil, reduzindo significativamente o alcance e o impacto do julgamento.
Nos bastidores políticos, a movimentação foi interpretada como um gesto para evitar o agravamento do desgaste institucional dentro do próprio grupo político. Isso porque uma eventual reabertura do debate no TSE poderia, em tese, atingir diretamente a elegibilidade de Laurez Moreira, hoje vice-governador e dirigente estadual do PSD — partido ao qual o próprio Irajá é filiado.
Fontes do meio político avaliam que a desistência teve como objetivo preservar a estabilidade interna da sigla e evitar a exposição de Laurez a um risco jurídico e político às vésperas do julgamento.
O recurso havia sido apresentado pela Coligação “O Futuro é Pra Já” e por Irajá, que disputou o Palácio Araguaia em 2022. A ação sustentava que a chapa de Wanderlei teria sido beneficiada por suposto uso da máquina pública, com produção de conteúdo institucional pela Secretaria de Comunicação, participação de servidores em atos de campanha durante o expediente e uso de eventos oficiais com potencial vantagem eleitoral.
Esses argumentos foram analisados pelo TRE-TO, que rejeitou integralmente as acusações.
Outro ponto que esvaziou a ação foi o posicionamento do Ministério Público Federal, que não pediu cassação dos mandatos, manifestando-se apenas pela aplicação de multa. Com a retirada do recurso, esse passa a ser o único entendimento externo mantido no processo.
A desistência ainda depende de homologação do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, mas, na prática, esvazia o julgamento agendado para começar nesta sexta-feira (12), que seguirá em pauta apenas para formalidades residuais.
A movimentação política ocorre em um cenário de recomposição de forças no Tocantins, sobretudo após o período em que Laurez comandou o Estado interinamente e ampliou seu espaço dentro do governo e do partido.
Para aliados de Wanderlei, a retirada do recurso representa o encerramento de um dos capítulos mais sensíveis do pós-eleição de 2022. Para o campo político, o gesto de Irajá é lido como uma escolha estratégica para evitar um conflito que poderia tornar o cenário institucional ainda mais instável.
Wanderlei Barbosa, por sua vez, já havia afirmado recentemente que Irajá “não aceita o diálogo no campo das ideias”, declaração que volta ao centro do debate com a mudança de postura do senador às vésperas do julgamento.

