*Por Roberto Jorge Sahium
Se você, trabalhador, está arara da silva, pois descobre-se com as economias esfarrapadas, algibeira oca, pertencente ao seleto grupo dos 39% dos brasileiros que 30% da sua musculosidade financial fisgada e jequizada pela conjuntura econômica do Brasil, que tarrafeia seus neurônios no 380 Volts, donde acende a imaginar: quanta corrupção, trairagem e conspiração, que deixa claro um acenado nervoso.
Diante disso peço licença pra entrar e já entrando nas suas matutagens e conspirando para colocar tua cabeça no lugar e levar a prosa pro remanso sem tranqueira e flopação esgarranchando na verdade e temperar a efervescência na sua cabeça, usando pra isso um envelhecido costume do homem do campo, que muitos urbanóides também aprenderam.
Trata-se da arte da pescaria, que seguidamente o Filósofo Salomão Wenceslau, profetizava: “Dinheiro pouco, mentiras de mais, e contas para pagar. Vá pescar!”
E falando em pescaria, muitos podem achar que esta prática é coisa de gente que não tem o que fazer ou traquinagem de preguiçoso. Acham ainda que para pegar uma fieira de peixes, basta uma latinha de minhocas do lado, colocá-las no anzol e jogá-las na água e lá vem o peixe dependurado. Engano dos grandes, a prática exige ciência e paciência. Além do mais, arremessar a esmo pode trazer desconforto, insegurança e baixo ou nenhum proveito.
Outra sabedoria que o pescador nato tem, e importante, é reconhecer os sinais da natureza, com ressalva ao céu e à água. Os sinais apontados na natureza podem aventar aviso de antemão das variáveis do tempo e clima, determinante para o sucesso de uma pescaria, os quais, hoje são facilitados com acesso à internet, que ajustam as previsões com até seis dias de antecedência da pescaria planejada.
Assim, a pressão atmosférica, ventos, ondas, temperatura, precipitação e nebulosidade, são sem dúvida artigos de luxo e essenciais para que o programa de uma pescaria tenha grande possibilidade de sucesso e surpresa agradável.
O pescador, além de ter que saber utilizar bem os apetrechos de pescarias com ciência e paciência, também deve manusear dados climatológicos, deve saber matutar os acontecimentos na natureza local, compreendendo como eles ocorrem e o que pode acontecer a partir da matutagem.
Para melhorar a compreensão destes fenômenos climatológicos aí vão algumas dicas:
- Pressão Alta (acima de 1015 mb/hPa): o céu geralmente limpo, com poucas ou nenhuma nuvem, ensolarado e o tempo tende a ser estável e seco. Os peixes ficam mais ativos e tendem a se alimentar, podendo ser encontrados em diferentes profundidades. Tempo bom para pescar.
- Alguns sinais de tempo bom pra pescarias:
– Nuvens altas e céu claro;
– Vento ronda de S-SE para N-NE;
– O céu dourado, e o sol, uma bola de fogo no entardecer;
– Formação de orvalho a noite.
- Pressão Baixa e Instável: o céu geralmente fica nublado, com muitas nuvens carregadas e escuras, e há uma grande possibilidade de chuva, tempestades e ventos fortes. Os peixes ficam inativos e podem parar de comer. A instabilidade faz com que eles mudem de profundidade constantemente, dificultando a localização. Geralmente resulta em pesca fraca.
Alguns sinais de tempo ruim pra pescarias:
– Nuvens descem e deslocam rapidamente;
– Nuvens engrossam e baixam, criando aparências de céu pedrento;
– O vento sopra forte logo cedo na manhã;
– O céu fica vermelho ao amanhecer;
– O vento ronda de N-NE para S-SE.
- Pressão em queda: indica a aproximação de frentes de mau tempo (como chuvas ou tempestades). Os peixes sentem essa mudança e tendem a se alimentar ativamente logo antes da queda acentuada. No entanto, durante a queda ou quando a pressão já está muito baixa, eles podem ficar menos ativos e procurar águas mais profundas.
Quanto a pesca no Estado do Tocantins, o governo lançou oficialmente por meio do NATURATINS a Operação Piracema 2025/2026, para o período compreendido entre 1º de novembro de 2025 a 28 de fevereiro de 2026. Durante esse período, a pesca está proibida em rios, lagos e outros cursos d’água do estado para proteger a reprodução das espécies de peixes. A operação envolve fiscalização intensificada, blitz educativas e repressivas, e permite a pesca de subsistência (com limitações) e a pesca esportiva “pesque e solte”.
As exceções permitidas vêm a pesca de subsistência, aceitada para consumo doméstico, subtraída d´água com equipamentos simples, como linha de mão, caniço e anzol (sem comercialização) e pesca esportiva, permitida na modalidade “pesque e solte” com anzóis sem fisga.
A pesca comercial, transporte e comercialização de pescado é expressamente proibido, bem como o uso de redes e outros equipamentos que possam capturar várias espécies, exceto de origem controlada, como pescados das pisciculturas licenciadas e outorgadas pelo NATURATINS.
Peixes de frigoríficos, peixarias e outros pontos de venda devem ter seu estoque declarado ao Naturatins até 31 de outubro.
Então, tá nervoso? Vá pescar!

*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo, Extensionista Raiz, Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira e da Academia Tocantinense do Agronegócio, e encontra-se Subsecretário da Pesca e Aquicultura do Estado do Tocantins.

