*Por Joana Castro
Hoje, 8 de novembro de 2025, celebramos os 90 anos de nascimento de José Gomes Sobrinho — o inesquecível Zé Gomes. Poeta maior do Tocantins, mestre das palavras, músico, teatrólogo, escritor, servidor público, pai de sete filhos e avô amoroso, Zé foi — e continua sendo — uma referência luminosa na cultura brasileira.
Nascido em Garanhuns, Pernambuco, em 1935, filho de Luís Melchíades, a quem homenageou adotando o nome artístico de Melchíades, Zé construiu uma trajetória marcada por talento, dignidade e fibra. Formado em Geofísica, trabalhou na Petrobras e percorreu o país, mas foi no Tocantins — ainda norte de Goiás — que fincou raízes e fez história.
Na década de 1980, mudou-se para Araguaína e participou ativamente do movimento pela criação do Estado do Tocantins. Em 1990, foi para Palmas como um dos primeiros servidores da Assembleia Legislativa, onde também presidiu a Associação dos Servidores do Legislativo do Tocantins (ASLETO). Sua atuação pública foi marcada por compromisso e paixão pela cultura.
Zé publicou 13 livros, presidiu o Conselho Estadual de Cultura e comandou o Fórum Nacional de Conselheiros Estaduais de Cultura até sua partida inesperada em 2004, aos 68 anos, vítima de diverticulite aguda. Sua ausência deixou uma lacuna imensa entre artistas, intelectuais e amigos — mas sua presença permanece viva em cada verso, em cada gesto, em cada memória.
Seu maior sonho era que a arte do Tocantins fosse reconhecida e mostrada em outros estados, bem como seus interlocutores, produtores e artistas alcançassem o devido valor e prestígio. E esse sonho se tornou lei: seu nome está eternizado na Lei Federal nº 12.287, que estabelece o ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, como componente obrigatório na educação básica brasileira — projeto de autoria de seu filho, então deputado federal, hoje o senador Eduardo Gomes.
Zé era mais que artista: era amigo fiel, marido dedicado à companheira de vida Gilda Torres Gomes, pai exemplar e avô presente. Um homem zeloso com os valores e princípios da família — itens básicos para formação do caráter do indivíduo. O sucesso profissional obtido deve-se ao seu talento, claro, mas também à sua dignidade, honradez e fibra, conquistas adquiridas no berço familiar.
E o seu legado é sempre celebrado, ano após ano, por seus 7 filhos, 16 netos e 5 bisnetos, além de uma multidão de amigos, companheiros de trabalho, artistas e admiradores que conquistou pelos quatro cantos do Brasil. Tanto tempo após sua partida, Zé Gomes permanece vivo no imaginário popular e no coração de seus milhares de amigos, inspirando iniciativas e projetos culturais.
E eu e Salomão somos parte apaixonadas e honradas pelo privilégio do convívio com Zé Gomes. Com ele compartilhamos amizade, afeto e histórias inesquecíveis, mas destaco o dia em que ele virou avô do nosso filho, Aurélio: num final de tarde, o Zé estava em nossa casa, quando cheguei com o Aurélio da escola, ele muito contrariado. O Zé perguntou o motivo e ele prontamente respondeu que só ele não tinha um avô que o buscasse na escola. No dia seguinte, quando fui busca-lo, lá estava o Zé, na porta da escola, à espera de Aurélio e me mandando, veementemente, de volta pra casa.
Esse era o Zé: um homem que transformava palavras em afeto, ideias em ação, e sonhos em realidade.
Seu nome ficou eternizado em diversos espaços públicos e culturais: o Espaço Cultural de Palmas, palco de tantas manifestações artísticas, recebeu o nome de José Gomes Sobrinho, a biblioteca do SESC de Palmas e o auditório do Centro de Convenções também levam seu nome. Em abril de 2007, a Galeria de Artes da Assembleia Legislativa foi batizada como Galeria de Artes Poeta José Gomes Sobrinho. Em 2008, a dançarina e coreógrafa Meire Maria criou o espetáculo “Sós e Nós”, inspirado em suas poesias, que segue encantando plateias por todo o Tocantins. Duas escolas municipais — em Babaçulândia e Araguaína — também perpetuam sua memória. Em 2019, familiares e amigos prestaram mais uma homenagem com uma obra de grafite estilizada com seu rosto: o “Beco do Zé Gomes”, na Kitanda da Vovó, na pista do antigo aeroporto.
Zé Gomes continua inspirando não só a classe artística, mas principalmente as pessoas que o conheceram e conviveram com ele. Sua produtividade e versatilidade eram impressionantes: poeta, músico, escritor, filósofo, militante, defensor, amante das artes e da cultura. São muitas as facetas que consagraram sua fabulosa trajetória.
Sua biografia é um belo referencial para os moradores de Palmas, para os cidadãos do Tocantins, das regiões Norte e Nordeste, e de todo o Brasil. José Gomes Sobrinho é um exemplo de sucesso que representa bem a essência de milhões de nordestinos — cheios de sonhos, alegria, talento e muita disposição para o trabalho.
Como ele mesmo dizia: “poeta não morre, vira estrela.” E “não morro nem que me matem.” Hoje, aos 90 anos de seu nascimento, celebramos a assertividade dessa sua frase. José Gomes Sobrinho é estrela — e estrelas não se apagam.
Estrelas guiam.
“É, pois é. É isso aí”. (SWR)

