*Por Joana Castro
A decisão do governador em exercício, Laurez Moreira, de exonerar 1.141 servidores temporários e comissionados da Secretaria de Educação (SEDUC) do Tocantins é, no mínimo, cruel e inoportuna. Em pleno encerramento do ano letivo e às vésperas dos festejos de fim de ano, essa medida não apenas desmonta estruturas administrativas, mas também destrói o sustento de centenas de famílias que dependem desses salários para sobreviver.
A canetada do Palácio Araguaia atinge em cheio os mais vulneráveis: merendeiras, auxiliares de serviços gerais, vigias e outros profissionais de baixa remuneração. Pessoas que, muitas vezes, não têm sequer a escolaridade mínima para disputar uma vaga no mercado formal. São mães e pais de família que agora enfrentam o fim de ano com a geladeira vazia e a esperança esvaziada.
A insensibilidade da medida é gritante. Ao que parece, não houve planejamento e sobrou dureza no coração. O que se vê é um ato que ignora o fator humano, tratando trabalhadores como números descartáveis em uma planilha de gabinete.
É impossível ignorar o fato de que a educação, há décadas, se tornou um dos maiores cabides de emprego para cabos eleitorais. Deputados estaduais mantêm, cada um, centenas de contratados em seus redutos eleitorais e onde lhes interessam os votos— há casos de parlamentares com mais de 700 nomeações em apenas duas cidades. Muitos desses servidores sequer comparecem ao local de trabalho. São fantasmas sustentados pelo dinheiro público.
A medida de Laurez Moreira, embora necessária para moralizar a máquina, peca pela forma e pelo timing. Ao invés de uma auditoria criteriosa, que separasse os que realmente trabalham dos apadrinhados políticos, optou-se por uma demissão em massa que atinge justamente quem está na ponta — os que limpam, cozinham, cuidam, e fazem a escola funcionar.
O fim do ano letivo é um período de transição delicado. As escolas precisam de apoio para fechar atividades, organizar documentos, preparar relatórios. E os servidores precisam de estabilidade para planejar o futuro. A exoneração em bloco, sem aviso prévio ou plano de absorção, revela um total desconhecimento da realidade das salas de aula e dos corredores escolares.
É urgente que o governo reveja essa postura. Que separe o joio do trigo. Que puna os fantasmas, mas preserve os trabalhadores reais. Que entenda que a educação não é apenas um setor administrativo — é um organismo vivo, sustentado por gente simples, que merece respeito.
A política precisa deixar de enxergar a SEDUC como moeda de troca eleitoral. E começar a tratá-la como o que ela é: o alicerce do futuro do Tocantins.
“É, pois é. É isso aí”. (SWR)

