*Por Joana Castro
As recentes alegações feitas pelo influenciador digital Cleitin Mil Graus, do perfil @goianiamilgraus, lançam uma sombra inquietante sobre o cenário político do Tocantins. Segundo ele, deputados estaduais estariam sendo aliciados com ofertas de até R$ 3 milhões para votar pela abertura de um processo de impeachment contra o governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos). As supostas ofertas teriam partido de pessoas ligadas à gestão do atual governador em exercício, Laurez Moreira (PSD).
A denúncia, feita nas redes sociais, inclui a promessa de apresentação de áudios e conversas de aplicativo como provas. No entanto, até o momento, nenhuma dessas evidências foi tornada pública, e o influenciador ainda não apresentou os materiais anunciados.
Diante da gravidade das acusações, é essencial que a sociedade tocantinense mantenha vigilância e exija transparência. A possibilidade de que parlamentares estejam sendo comprados para manipular um processo de impeachment não é apenas um atentado à ética pública — é uma ameaça direta à democracia. O impeachment é um instrumento legítimo, mas deve ser conduzido com base em fatos, provas e respeito ao devido processo legal, jamais por meio de barganhas obscuras.
O contexto não poderia ser mais delicado. Wanderlei Barbosa foi afastado por decisão do Superior Tribunal de Justiça, no âmbito da Operação Fames-19, que investiga supostos desvios em contratos durante a pandemia. Laurez Moreira, então vice-governador, assumiu o comando do estado em meio a esse turbilhão. A transição de poder já era tensa; agora, com os boatos de compra de votos, o clima político se aproxima de um colapso institucional.
É preciso cautela. Cleitin Mil Graus é um influenciador com grande alcance, mas suas alegações ainda carecem de comprovação pública. A responsabilidade de quem denuncia é tão grande quanto a de quem é acusado. Se as provas existem, que sejam apresentadas com urgência às autoridades competentes. Se não existem, trata-se de uma irresponsabilidade que pode inflamar ainda mais os ânimos e desestabilizar o estado e de um crime que deve ser punido com todos os rigores da Lei.
Em entrevista a um site de notícias local, Laurez Moreira negou categoricamente qualquer envolvimento com a suposta compra de deputados. O governador interino também destacou que tem feito viagens constantes a Brasília para buscar apoio do governo federal, especialmente para enfrentar a crise na saúde pública, que acumula uma dívida de cerca de R$ 500 milhões.
Os deputados estaduais, por sua vez, devem se posicionar com firmeza, repudiando qualquer tentativa de corrupção e reafirmando seu compromisso com a legalidade.
Este episódio é um teste para as instituições tocantinenses. A verdade precisa prevalecer, seja ela qual for. E que a democracia não seja rifada por R$ 3 milhões — nem por qualquer outro preço.
“É, pois é. É isso aí”. (SWR)

