- Publicidade -
InícioArtigo de OpiniãoPirarara, o Tubarão da Água-Doce

Pirarara, o Tubarão da Água-Doce

*Por Roberto Jorge Sahium

ncia física de um jumento, cesto violento de incansável agressividade, habilidade para lutar com panca de lutador de MMA. Sobressai-se pela coragem, vigor, robustez, municiado e graúda agilidade de propulsão. Traiçoeiro igual traíra, emboscar suas presas e continuar a tocar o terror na região da Amazônia Legal é a sua política de biografia e seu bem querer.

O Velho Tapuia desde quando o conheci e até onde vai a notícia de seu paradeiro, morava nas cercanias do Furo d´Pau, localidade existente abaixo da barra do Rio Loroti com Rio Javaé, incluso à Ilha do Bananal.

Mestre Tapuia era renomando neste territorio, apresentava aparência indígena, mas jurava até para o Tupã que não era indio. Contar causos e a carapinagem de canoas e gamelas de Pau-Landi era seu passatemp oficial. Mariscador de subsistência seu oficio.

Da narrativa de Tapuia Pirarara era um guerreiro opiniosoque não gostava de ser contrariado e assim sentia-se majestoso e pressionar o Supremo Tribunal dos Pagés – STP de sua tribo a investir contra os índios opositores ou considerados não amigos era sua devoção.

Diante disso, praticar as perversidades à qualquer indigena oponentes era seu culto. “Seja qual for a parecença aqui presentemente a gangada é legitima a semelhança”

Continuando a prosa. – numa das viagens do pai de Pirarara o ”Cacique Pindarô a uma tribo vizinha, o jovem guerreiro no aproveitamento do andamento, tomoucomo prisioneiros índios da própria aldeia para um corretivo usando formigas-lava-pés em correição, marimbondo-cavalo e urtiga . 

Outra esparrela prosaica de Pirarara era criticar os Deusese traficar influência. Nhanderuvuçu o Deus dos Deuses, que, por um longo tempo o observava tarrafeando sua paciência e estafada daqueles procedimentos, onde que – titulou Tupã resolver o litígio, usando o seu poder de governo, que de imediato   determinou Iururaruaçú, a Deusa das torrentes despejar os mais violentos aguaceirosque se tinha se estoque no céu sobre a região onde estava o Pirarara, que na ocasião estava legislando, ajuizando e judiando dos seus não amigos. , escondido numa macega na proximidade da aldeia, beirando o Rio Javaés.

Diante da ordem de Tupã a tempestade encomenda passou a cair com trovões e ventanias como se fosse o fim do mundo ou a recriação do dilúvio, com enxurradas arrastando tudo e inundando as grotas, ipucas e varjões. 

O Mestre Tapuia ressalta na conversa, que Pirarara ao perceber as ondas furiosas do rio e ouvir a voz coercitiva de Iururaruaçú, ignorou-a, soltando debochadas risadas e palavras de desprezo. Neste arranca-rabo obriga Tupãintervir inteiramente e determinar a deusa das torrentes aintensificar as ultras-robustas descargas elétricas e trovões furiosos.

Nesta Pirarara, pulava, corria figurado e fingindo-se de arara, por entre os galhos das árvores de cachimbeiros, cega-machado, jatobás gigantes. Nisso a mata cheia de luz, um relâmpago fulmina Pirarara.

Todos aqueles que se encontravam debaixo da coça,terrivelmente assustados correram para se abrigarem, enquanto Pirarara mais morto do que vivo, se arrastava pelas aguaças, recusando a pedir perdão. Fora levado pelos enxurros para as profundezas do Rio Javaés, de onde por destino vem transformado por Xandoré, o demônio opositor de Tupã, que odeia os homens, em um enorme e briguento bagre. 

Depois de muito tempo Pirarara é levado ao batismo, donde ganha o nome Phractocephalus hemioliopterufamília dos Pimelodidae. Em Tupi-Guarani: pira, pi´rápeixe e arara, ara´ra, ave da família dos Psitacídeos do Brasil, alcunhado de Tubarão da Água-Doce ou Pit Bull das águas amazônicas. Capaz de vencer oponentes duas ou até três vezes maiores. 

Tem como caracteristicas corpo de couro, roliço, largo na frente, afilado na traseira, com superfície dorsal ossificada e granulada, que alcança 1.100 mm de comprimento e até 40 kg de peso. Possui cabeça achatada longa e larga, olho arredondado pequeno, possuindo três pares de barbilhões, um na maxila e dois na mandíbula. Nadadeira peitoral curta, adiposa com base larga. Cauda truncada e amarelada. É um dos peixes de couro mais coloridos das bacias Araguaia-Tocantins e Amazônia. Sua coloração é muito bonita, sendo o dorso castanho esverdeado, os flancos amarelados e o ventre esbranquiçado.

Têm como endereço acertado: remansos, poços nos canaisdos rios, baixios de praias, lagos e matas inundadas com águas em pH de 5,5 a 6,8 e temperaturas entre 20 a 27º C, condição encontrada acolá no Vale do Javaes, hábito se aquecer ao sol durante o dia, próximo à superfície. Em alguns locais, como nos rios Formoso, Loroti e Javaé, chegam a colocar a nadadeira dorsal para fora da águaconfigurando um tubarão. 

O Pirarara come de tudo e muito, seu apetite prefere peixes, tartarugas, crustáceos, mas não perdoa frutos (ajuda a dispersão de sementes) e até animais mortos em decomposição. Nos períodos de reprodução, realiza migração reprodutiva, nada rio acima, a partir do início da enchente e faz desova total na enchente, fecundidade até 300 mil ovócitos por fêmea.

Várias são as importâncias apregoadas ao Pirarara, reputo com o maior cabimento a pesca esportiva, usualmente feita com iscas naturais (peixes inteiros ou em filés, por exemplo, de traíra ou piranha-caju). Em situações especiais podem ser pegos com iscas artificiais, pois, quando estão em áreas rasas, atacam colheres e plugs de meia água.

O Pirarara (Phractocephalus hemioliopterus) aceita o cruzamento entre a Cachara (Pseudoplatystoma fasciatum), resultando híbrido com características vantajosas de ambos os pais, como a resistência da Pirarara e a agilidade e voracidade da Cachara, sendo muito procurado em pesqueiros e na piscicultura.  

A melhor hora para capturá-los é no início da noite e a melhor época começa em maio, se estendendo até outubro, período em que os rios estão em seu leito normal. Com relação ao uso de sua carne comercialmente, entre as mais variadas formas de negociação, pode ser encontrado sem cabeça e eviscerado, filé e em postas. Apresenta carne de coloração avermelhada, de textura firme e com sabor pouco acentuado, baixo teor de gordura e ausência de espinhos intramusculares, o que a torna adequada aos mais variados usos e preparos, agradando ao mais exigente e requintado paladar. 

Tem crescido muito a comercialização do Pirarara como peixe ornamental, pela sua vistosa cor avermelhada-alaranjada, esverdeada e branca.

A pesca predatória e destruição dos habitats e poluição são as ameaças contra o Pirarara. 

Inté pra nóis. 

Roberto Jorge Sahium  é Engenheiro Agrônomo, Extensionista Raiz, Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira e da Academia Tocantinense do Agronegócio, e encontra-se Subsecretario da Pesca e Aquicultura do Estado do Tocantins.

- Publicidade -spot_img
Não perca
Notícias relacionadas