*Por Joana Castro
Em tempos de desconfiança institucional e ameaças à transparência democrática, o Senado Federal deu um passo à altura de sua responsabilidade histórica ao barrar a PEC da Blindagem. A proposta, que buscava restringir investigações contra parlamentares, representava um retrocesso perigoso no combate à corrupção e na preservação da igualdade perante a lei.
A decisão da Casa Alta não foi apenas um voto legislativo — foi um gesto de coragem política. E, talvez, mais do que isso: foi uma resposta direta ao clamor das ruas.
No domingo, dia 21 de setembro, milhares de brasileiros tomaram praças e avenidas em diversas cidades do país, em manifestações pacíficas e contundentes contra a PEC. Cartazes, vozes e passos ecoaram uma mensagem clara: não aceitaremos privilégios que blindem políticos da justiça. Foi um movimento espontâneo, apartidário, que resgatou o espírito cívico e lembrou aos representantes eleitos quem, de fato, detém o poder em uma democracia.
É legítimo afirmar que, sem essa pressão popular, o Senado talvez não tivesse reunido a força necessária para resistir às pressões internas. A PEC da Blindagem já havia avançado perigosamente na Câmara, e muitos viam o Senado como a última trincheira — a última esperança de barrar um projeto que feria o princípio da responsabilidade pública.
Ao rejeitar a proposta, os senadores não apenas protegeram a Constituição. Eles reafirmaram o papel do Senado como guardião da República e mostraram que, sim, ainda é possível fazer política com dignidade.
Que este episódio sirva de exemplo. Que os parlamentares entendam que a sociedade está atenta, mobilizada e disposta a defender seus direitos. E que o Senado continue sendo, quando necessário, o freio institucional contra abusos — mas, acima de tudo, que continue ouvindo as vozes que vêm das ruas.
“É, pois é. É isso aí”. (SWR)

