Decisão unânime reforça indícios de corrupção, fraude em licitação e lavagem de dinheiro envolvendo governador e primeira-dama
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, manter o afastamento do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), do cargo por 180 dias. A sessão foi conduzida pelo presidente, o ministro Herman Benjamin, que destacou a gravidade das acusações e a unidade da Corte diante do pedido apresentado.
A medida também atinge a primeira-dama e secretária extraordinária de Participações Sociais, Karynne Sotero Campos, que fica impedida de exercer funções públicas pelo mesmo período.
“A Corte Especial, por unanimidade, acolheu as questões de ordem do eminente relator para referendar a decisão. Nós temos aqui o voto do ministro Mauro Campbell, que detalha os elementos de convicção reunidos na investigação”, afirmou Benjamin.
Para o relator do caso, o ministro Mauro Campbell, há a existência de fortes indícios de corrupção passiva, fraude em licitação, lavagem de capitais e participação em organização criminosa, supostamente liderada por Wanderlei Barbosa, com apoio da esposa, assessores e empresários próximos ao governo. Campbell também ressaltou que, mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Fames-19, em 2024, pessoas ligadas ao governador seguiram atuando no esquema. Como exemplo, citou a nomeação de Márcio Camilo para a chefia de gabinete, apesar de já ser investigado.
Entre os elementos apresentados, o ministro destacou indícios de uso de recursos desviados na construção da Pousada Pedra Canga, em Taquaruçu, com balanços contábeis supostamente maquiados em março de 2025. “O afastamento de um governador eleito é medida de extrema gravidade, mas necessária diante do risco de continuidade delitiva. O vasto material probatório não deixou alternativa senão adotar essa cautelar”, concluiu Campbell.
Manifestação do MPF
Durante a sessão, a subprocuradora-geral da República, Luísa Cristina Frischeisen, também defendeu a manutenção do afastamento. Ela destacou que os indícios não se limitam ao desvio de recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia, mas também incluem emendas parlamentares estaduais.
“Há elementos de contemporaneidade do desvio, especialmente ligados à construção da pousada em Taquaruçu, que indicam a prática de lavagem de capitais posterior aos crimes antecedentes. Os indícios envolvem a esposa do governador, assessores e até familiares, o que reforça a gravidade do caso”, afirmou.

