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A Filiação de Laurez Moreira ao PSD e o Xadrez Político Tocantinense para 2026

*Por Joana Castro

A filiação do vice-governador Laurez Moreira ao PSD, comandado até então pelo senador Irajá Abreu, segundo o próprio Laurez, a convite do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, não foi apenas uma troca de legenda, foi um movimento estratégico que redesenha o tabuleiro político do Tocantins e impõe uma nova lógica à sucessão estadual de 2026.

Até pouco tempo, especulava-se que o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) poderia renunciar ao cargo em abril de 2026 para disputar uma vaga no Senado. A ideia era simples: com os atuais índices de popularidade e, segundo as pesquisas mais recentes, Wanderlei seria facilmente eleito senador, em uma “dobradinha” com o vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, que concorrerá à reeleição.

No entanto, com Laurez agora à frente do PSD e em declarada rota de colisão com o Palácio Araguaia, essa possibilidade se tornou politicamente arriscada para Wanderlei. Renunciar significaria entregar o governo a um adversário direto, que já articula sua candidatura ao Palácio e não inspira o menor resquício de segurança aos aliados da atual gestão em relação à permanência ou manutenção de cargos e postos-chave na engrenagem administrativa.

O certo é que nem tanto a aliança entre Laurez e Irajá, ambos críticos da gestão atual, mas o comando de um partido com representatividade nacional nas mãos do principal adversário do candidato governista, praticamente obriga Wanderlei a permanecer no cargo até o fim do mandato — não por convicção, mas por sobrevivência política dele próprio e para garantir competitividade e força política à candidatura de Amélio Cayres.

Ao assumir a presidência estadual do PSD, Laurez ganha estrutura, fundo partidário e tempo de Rádio e TV — elementos cruciais para uma campanha competitiva. Com Irajá Abreu, que vai buscar a reeleição ao Senado, em sua chapa, além dos reforços nacionais de peso, como Ratinho Júnior, governador do Paraná e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul que se filia ao PSD no próximo dia 30, e que são cotados para serem candidatos a presidente, no caso da legenda optar por não apoiar Tarcísio Freitas, do Republicanos e governador de São Paulo, o partido se posiciona como uma força central na disputa estadual.

Aliás, essa informação sobre o possível apoio do PSD a Tarcísio Freitas ou a candidatura própria, afasta definitivamente a possibilidade de uma composição com o PT, no Tocantins, como estava se comentando nos bastidores, com o nome do ex-deputado federal Paulo Mourão sendo ventilado como candidato a vice-governador na chapa de Laurez Moreira.

A política tocantinense entrou em modo xadrez. Cada movimento tem consequências profundas. A filiação de Laurez Moreira ao PSD não apenas fortalece sua candidatura — ela redefine o jogo, obriga Wanderlei a recalcular sua estratégia e inaugura uma disputa que promete ser das mais intensas da história recente do estado.

Se 2022 foi marcado por estabilidade, 2026 será o ano da reinvenção. E o Tocantins, mais do que nunca, será palco de um embate entre continuidade e ruptura.

Uma decisão. Vários reflexos.

“É, pois é. É isso aí” (SWR).

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