*Por Joana Castro
A recente foto divulgada nas redes sociais, que mostra parlamentares brasileiros — entre eles o deputado federal tocantinense Eli Borges — ao lado de uma bandeira exaltando o “make America great again” de Donald Trump e, supostamente endossando o tarifaço contra o Brasil, é um retrato preocupante da dissonância entre a representação política e os reais interesses nacionais.
O tarifaço de Trump, que impôs taxas abusivas sobre produtos brasileiros foi amplamente criticado por economistas, empresários e diplomatas por prejudicar setores produtivos e comprometer a competitividade nacional. Celebrar esse tipo de sanção é, no mínimo, contraditório — e, em última análise, irresponsável. Parlamentares que deveriam defender a soberania econômica do país, mas escolhem a autopromoção e a adesão a uma agenda estrangeira que atinge em cheio o trabalhador brasileiro, devem ser, no mínimo, questionados.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Tirar foto de apoio a uma demanda estrangeira não é, por si só, condenável. Mas o contexto e o conteúdo simbólico da imagem são decisivos. Ao posar em apoio explícito a quem adota medidas que ferem nossa economia, esses parlamentares não apenas desrespeitam o Brasil — desinformam, geram ruído diplomático e alimentam uma narrativa que pinta o país como subordinado.
O Tocantins de Eli Borges, tem setores que dependem de exportações e que sofrem diretamente com barreiras comerciais. O gesto do deputado não apenas se afasta das necessidades locais como contraria interesses da própria base que o elegeu.
Ser de direita, ok. Ser fiel à ideologia, ok. Mas, precisa chegar a esse ponto? O que o deputado federal Eli Borges ganhou ao posar para essa foto?
Quando um representante do povo opta por acenar politicamente a uma medida que penaliza seus próprios representados, é necessário questionar: a quem ele serve?
É fundamental que o eleitorado esteja atento e cobre coerência de seus parlamentares. Representar o Brasil ou seus estados implica defender seus interesses, sobretudo em arenas internacionais. Aplaudir políticas que nos prejudicam sob a desculpa de alinhamento ideológico é, antes de tudo desonesto para com quem o elegeu — e precisa ser enfrentado com firmeza.
E aí, seu Eli??!!
É, pois é. É isso aí. (SWR)

