*Por Joana Castro
A recente transição de comando na Prefeitura de Palmas, com o pastor Carlos Velozo assumindo interinamente após o afastamento de Eduardo Siqueira Campos, trouxe uma série de decisões administrativas que merecem análise crítica.
E, curiosamente, o método de agir (preste atenção quando este verbo virar nome próprio!) adotado pelo prefeito interino trouxe à tona a expressão “síndrome do Ursulão”, que se refere a um urso pardo, personagem do desenho animado norte-americano da Turma do Pica-pau que tenta resolver tudo por conta própria, sem recorrer a especialistas nem ouvir os conselhos dos mais experientes, o que geralmente termina em improvisos caros e ineficazes.
Carlos Eduardo Velozo, tomou posse como prefeito em exercício na noite do dia 27 de junho, após publicação do ato no Diário Oficial do Município de Palmas (DOMP n° 3741). Em entrevista na manhã do sábado, 28, garantiu aos cidadãos palmenses a estabilidade na gestão, continuidade na qualidade dos serviços públicos e o compromisso com o projeto de desenvolvimento do prefeito Eduardo Siqueira Campos, enfatizando que não haveria mudanças no secretariado nem demissões de servidores, reforçando que a equipe atual seguiria trabalhando de forma integrada para garantir a execução do plano de governo e a entrega dos serviços à população.
Mas, no último dia três, apareceu em todos os lares palmenses afirmando em entrevista que, Velozo promoveu uma série de exonerações e nomeações em cargos estratégicos, como o procurador-geral, o secretário de Zeladoria Urbana e o chefe de gabinete. Embora ele afirme que as mudanças são “necessárias” e visem alinhar a gestão com sua visão, ficou claro que a intenção é reforçar o nome do seu partido, o Agir (agora, não é mais verbo, é substantivo próprio), mas a maneira como foram feitas – e comunicadas as exonerações – podem indicar uma tentativa de “dar conta sozinho” — um traço clássico da síndrome do Ursulão.
A pressa em mostrar serviço sempre escancara a ausência de planejamento de longo prazo. Assim como o Ursulão que tenta consertar o encanamento sem chamar um profissional, há o risco de que decisões tomadas sem diálogo técnico e político aprofundados acabem gerando tensões e situações desnecessárias.
Como já aconteceu, aliás, com o grupo do deputado federal Vicentinho Jr. entregando os cargos, e as manifestações de lideranças políticas, como a ex-senadora Kátia Abreu e senador Eduardo Gomes.
A linha entre liderança proativa e voluntarismo improvisado é tênue. A síndrome do Ursulão não é sobre má intenção — é sobre subestimar a complexidade das tarefas e acreditar que boa vontade e um pitaco partidário bastam.
Palmas merece mais que gambiarra institucional. “É, pois é. É isso aí”. (SWR)

