Tocantins 2018: 4 eleições e um cenário cada dia mais turbulento.

  • 04/Abr/2018 15h30
    Atualizado em: 04/Abr/2018 às 15h52).
Tocantins 2018: 4 eleições e um cenário cada dia mais turbulento. Foto:

Ricardo Abalém Jr.



Após a decisão do TSE, no último dia 22 de março, que cassou o diploma do governador eleito em 2014 Marcelo Miranda (MDB) e de sua vice Claudia Lélis (PV), o cenário político do estado – mais uma vez – sofreu uma reviravolta. O Acordão do Tribunal Superior Eleitoral definiu ainda que a eleição para escolha do governador para o mandato tampão (seis meses) será direta, ou seja, pelo voto popular. 
Com isso o eleitor tocantinense poderá ser levado às urnas 4 vezes em menos de 5 meses. No 1º turno das eleições suplementares (3 de junho), no 2º turno da suplementar (24 de junho), no 1º turno da eleição ordinária (7 de outubro) e no 2º turno (28 de outubro). Uma situação jamais vivenciada no estado. Um verdadeiro festival de pleitos eleitorais.
O custo previsto para a realização dos dois turnos das eleições suplementares e mais dois turnos nas eleições ordinárias, pode chegar a cifra de 50 milhões de reais. Isso considerando a previsão anunciada essa semana pelo Tribunal Regional Eleitoral de 15 milhões só para o 1º turno da eleição suplementar.
Os cofres públicos (nossos impostos) serão obrigados a bancar esse gasto (extra) para que os processos eleitorais transcorram dentro das regras. E tem ainda o custo adicional para os candidatos. No mínimo os postulantes ao Palácio Araguaia vão dobrar o orçamento de suas campanhas para 2018.
Até o eleitor vai desembolsar mais. Terá que se deslocar até o local de votação provavelmente quatro vezes. Haja combustível e vale transporte... já deve ter gente programando rodízio de carros com os vizinhos.
A verdade é que essa cassação e o pleito suplementar direto pegaram todos de surpresa. O cenário político que vinha se alinhando, desmoronou. Os candidatos ainda estão tentando entender e se estabelecer nesse fogo cruzado (fogo amigo e fogo inimigo).

O cenário antes da cassação.
A aposta dos analistas políticos para as eleições ordinárias de outubro era que no Tocantins um 2º turno seria inevitável, considerando o equilíbrio de forças que se desenhou com a perspectiva de 9 candidaturas preanunciadas.
Até o dia 22 de março, o então governador Marcelo Miranda (MDB), o prefeito de Palmas Carlos Amastha (PSB), o prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas (PR), a senadora Katia Abreu (hoje PDT), o presidente da Assembleia Legislativa Mauro Carlesse (PHS), o senador Ataídes Oliveira (PSDB), o jurista Marlon Reis (REDE), o empresário Marcos Souza (PRTB) e o deputado estadual Paulo Mourão (PT) percorriam o estado se apresentando como pré-candidatos ao governo.
A maioria realmente disposta a concorrer, mesmo alguns querendo só fortalecer o nome para uma composição majoritária. A avaliação era que, se 4 ou 5 deles mantivessem a candidatura, certamente as eleições não seriam definidas no dia 7 de outubro, levando a disputa ao segundo turno - 21 dias depois. Mas, tudo mudou...

O cenário depois da cassação.
Um novo quadro está se moldando em torno da disputa pelo governo do Tocantins e os interesses pessoais já falam mais alto que a ideologia e as juras de amor. Ronaldo Dimas foi a primeira vítima da conveniência política na nova conjuntura. O senador Vicentinho, que até dias atrás defendia a candidatura de Ronaldo com unhas e dentes, aproveitou a insegurança jurídica (se é que existe) e a perspectiva de apoio do MDB, para largar o Dimas na chapada. Vicentinho trabalha a possibilidade de unir em torno do seu nome - no mesmo palanque - Siqueira, Marcelo e Avelino (os únicos eleitos pelo voto direto até hoje). E se isso acontecer abre espaço no grupo para o Eduardo Gomes se candidatar ao senado junto com Siqueira.
O governador interino Mauro Carlesse, que já comemorava o apoio de cerca de 50% dos deputados estaduais, agora, no controle do executivo, pode ampliar essa base no parlamento e conquistar várias prefeituras, especialmente as viúvas do governo Marcelo Miranda. É candidato certo no dia 3 de junho.
Carlos Amastha também vai para a disputa das eleições suplementares, inclusive pode se dizer que num momento delicado. A popularidade do ex-prefeito vem caindo na capital com a exposição de problemas na sua gestão relacionados ao PreviPalmas e a operação Jogo Limpo. Os embates com o TCE e a OAB também não o ajudaram muito. Palmas está bem cuidada, sim. Porém vale lembrar que na capital todos tem voto.
A senadora Katia Abreu se movimentou bastante na pré-campanha. Discretamente, imprimiu um ritmo forte e visitou quase todos os municípios. Mas pode ficar fora do pleito suplementar, caso a justiça eleitoral entenda que ela teria que estar filiada 6 meses antes da eleição de 3 de junho. Se isso acontecer a senadora poderia apoiar a candidatura de Paulo Mourão do PT, afinal se ela for candidata certamente não abrirá mão do apoio do partido ao qual ela serviu como Ministra de Estado.
O senador Ataídes Oliveira recebeu o aval do Conselho Estadual do PSDB para disputar as eleições suplementares. Oliveira afirma que não pretende concorrer à reeleição e que não avalia a possibilidade de composição para ser candidato a vice de ninguém. Assim como Katia e Amastha, Ataídes também dependerá da interpretação da justiça eleitoral para validar seu registro de candidatura.
Para os demais postulantes ao governo a antecipação do pleito irá acelerar os preparativos para a campanha, além de aumentar (e muito) os gastos. Marlon Reis, Marcos Souza e Janad Valcari já informaram que pretendem disputar as eleições suplementares. O PMN também lançou, na semana passada, o nome do servidor público Nuir Junior, que já concorreu ao governo do estado nas eleições indiretas de 2014.

Daqui para o dia 12 de abril, último prazo para realização das convenções partidárias, muita agua vai passar por baixo dessa ponte. Aguardem os próximos capítulos desta 'minissérie', que certamente não serão filmados no Projac... e sim no TSE...