Saúde

Musafir presta esclarecimentos na Assembleia sobre a Operação Marcapasso

06/12/2017 17h01 | Atualizado em: 06/12/2017 17h05

Clayton Cristus
Secretário de Saúde, Musafir (E), presta esclarecimentos a deputados
Secretário de Saúde, Musafir (E), presta esclarecimentos a deputados
Em atendimento ao requerimento do deputado José Augusto Pugliese, o secretário de Estado da Saúde, Marcos Musafir, compareceu nesta quarta-feira, 6, à audiência pública realizada pela Assembleia para esclarecimentos sobre a Operação Marcapasso, da Polícia Federal. A operação investiga um esquema de corrupção que consiste na fraude em licitações, compra de órtese, prótese e materiais especiais de alto custo para o sistema de saúde.

Os deputados questionaram o secretário sobre os prejuízos causados pelos desvios de recursos na compra dos materiais, as falhas do sistema de saúde que permitiu tal conduta dos gestores, e ainda cobraram uma atitude da Sesau para sanar os problemas deixados, além de buscar saídas para recuperar a credibilidade da saúde pública no Estado.

Outros assuntos também foram abordados no decorrer da audiência, como a demora na construção do novo hospital de Gurupi, a falta de medicamentos, demora na espera por cirurgias e outros procedimentos. Excesso de contratações e deficiência do número de médicos também foram mencionados pelos deputados, que alegaram que o sistema não funciona e que faltam técnicos e profissionais capacitados.

Em resposta aos questionamentos dos parlamentares, Musafir esclareceu que a atual gestão não tem envolvimento com os desvios e práticas apurados pela PF. “A secretaria não tem acesso ao inquérito, mas está colaborando com toda a sua equipe para as investigações, com a entrega de contratos e documentos solicitados pela PF e o Ministério Público Federal”, afirmou Musafir.

Sobre a atual gestão, o secretário reconheceu as dificuldades operacionais, mas ressaltou que administra a pasta com transparência nos processos de licitação e que todos os recursos investidos e gastos na compra de materiais e remédios passam pela decisão de um Colegiado Financeiro da Saúde. Musafir garantiu que a secretaria tem conseguido
sanar a falta de medicamentos e trabalhar com o abastecimento de 89% dos remédios necessários para a continuidade dos tratamentos e emergências nas unidades hospitalares.

Sobre o novo hospital de Gurupi, o secretário afirmou que a construção da unidade é responsabilidade da Secretaria Estadual da Infraestrutura. Já sobre as nomeações o secretário justificou que as contratações são feitas de acordo com a demanda, que tem crescido, passando de 3 milhões de atendimentos em 2015 para 6 milhões em 2017. E que apesar das contratações, o Estado ainda conta com um déficit de 300 médicos para
atender a população com mais agilidade.

O secretário destacou que está colocando em prática um projeto de reorganização da rede hospitalar e que a secretaria continua com o seu propósito de garantir atendimento adequado para toda a população. Para isso, disse que vai retomar os mutirões cirúrgicos e de procedimentos para reduzir as filas de espera.

Críticas

As explicações do gestor da saúde, no entanto, não convenceram os parlamentares. Ao responder uma declaração de Musafir, segundo a qual o Legislativo poderia ajudar o Governo a resolver o problema dos “supersalários” na saúde, o deputado Paulo Mourão (PT) disse que esse papel cabe ao Executivo. “Só quem pode fazer isso é o Governo; é uma questão de vontade política para o enfrentamento desse problema. O Governo precisa resolver o problema, o que eu duvido que o atual Governo tenha coragem de fazer, como outros não tiveram”, criticou. (Maisa Medeiros)