Saúde

Neonatologista faz alerta sobre o problema, na Semana Mundial da Prematuridade

13/11/2017 18h11 | Atualizado em: 13/11/2017 18h16

Divulgação
No dia 17 de novembro é comemorado o Dia Mundial da Prematuridade, data criada para chamar a atenção a um problema que atinge 15 milhões de crianças todos os anos ao redor do mundo. No Brasil, mais de 12% dos nascimentos acontecem antes da gestação completar 37 semanas. Isso significa que 340 mil bebês nascem prematuros todo ano. Em Palmas, o médico neonatologista e coordenador da UTI Neonatal da Intensicare – Unidade IOP, Ricardo Cardoso Guimarães, que atua há 10 anos na área, faz um alerta sobre a prematuridade precoce.

“Nesse ano o tema principal da campanha é a prematuridade com estímulo da doação de leite materno. No Brasil, segundo Inquérito Nacional sobre Partos e Nascimento, feito pela Fundação Oswaldo Cruz, há uma taxa acima de 11% de prematuros no país, quase duas vezes o registro nos países europeus. Desse percentual, 74% são prematuros tardios, nascidos entre 34 a 36 semanas de gestação. A prematuridade precoce leva a sequelas, quanto mais novinho o bebê, mais sequelas ele pode vir a desenvolver, então nosso trabalho é minimizar esses riscos”, explica o neonatologista.

A data, criada em 2009, é celebrada em mais de 50 países, com o intuito de se pensar em estratégias para diminuir a taxa de prematuridade. “Hábitos saudáveis são essenciais. Uma mãe que tem um histórico de tabagismo, uso de drogas, ou não tem uma alimentação adequada, ou determinados problemas de saúde, pode vir a levar sua criança a ter sequelas neurológicas, até má-formação gastrointestinal. E aqui no Tocantins há uma gama de patologias decorrentes dessa escassez de cuidados na saúde básica mesmo”, pontua Ricardo.

O parto prematuro pode, em grande parte, ser prevenido com um pré-natal adequado e iniciado precocemente. “O pré-natal é importantíssimo. No nosso Estado é a falta desse suporte durante a gestação que causa a prematuridade. Na região Norte é comum muitas mulheres não fazerem o pré-natal. Mas ter um filho prematuro não é fácil. A gente só sabe o que essas mães sentem quando passamos pela mesma situação. Eu digo sempre que ninguém entende como é, só quando passa por isso, de ter que vencer cada dia de uma vez. Então nós fornecemos todo o suporte de psicólogos, assistentes sociais, nesse trabalho de humanização, tentamos confortar e fortalecer essas famílias”, conta o neonatologista.

Um atendimento adequado no pré-natal diminui o número de bebês que nascem antes de 37 semanas de idade gestacional. Em alguns casos, mesmo realizando um pré-natal adequado, o bebê pode nascer prematuro, seja por doenças maternas graves ou por problemas do próprio bebê. Nesses casos eles deverão nascer em hospitais que tenham Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, possibilitando o cuidado adequado para esses pequenos pacientes. “Nós otimizamos esse trabalho, trazendo profissionais, abrindo residência médica, para dissiparmos esses conhecimentos. A neonatologia é uma especialidade da pediatria, então temos essa missão de formar médicos para esses cuidados especiais e atender não só em Palmas, mas no interior, para poder diminuir essa gama de prematuros no Tocantins”, afirma Ricardo.

Os problemas da prematuridade vão além do baixo peso. O prematuro precisa de cuidados especiais na UTI e com os avanços tecnológicos dos últimos anos está aumentando, cada vez mais, a sobrevida de recém-nascidos cada vez mais prematuros. “É mais ou menos isso: o nascimento seguro e um início de vida saudável são o coração do capital humano e do progresso econômico de um país”, finaliza o neonatologista.

*Carlla Morena