Opinião

Mudar o Hino do Tocantins não é nada. Temos que mudar é o próprio Tocantins.

23/10/2017 10h50 | Atualizado em: 23/10/2017 10h55

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Quando postei no Facebook o artigo “A retirada do hino, uma das formas de tentar apagar meu nome da História do Tocantins”, recebi muitas manifestações sobre o caso, de pessoas que se solidarizaram comigo e outras que se abismaram com as revelações que venho fazendo, na tentativa de resgatar a verdade sobre a recente história deste nosso Estado caçula.
Dentre esses amigos, o Valmir Jardim veio indagar-me: “E há essa possibilidade de trocar letra de um Hino que foi aprovado e registrado oficialmente?”.


Aqui é que o povo deve saber que, a pretexto de implantar o Estado, que, logicamente, não possuía leis próprias, o primeiro Governador adotou a legislação de Goiás, que, sendo Estado centenariamente consolidado, não tinha, evidentemente, similitude com o nosso. E, com isso, havia um vácuo legal, quando se praticavam atos não previstos na legislação goiana e fazia com que os Poderes Legislativo e Judiciário fizessem vistas grossas, em nome da implantação, pois, se se fosse cumprir a lei, o Estado se inviabilizaria, segundo Siqueira Campos.


Se de uma parte o Governador tinha razão em contar com o apoio do Judiciário, (por exemplo, na implantação de Comarcas e nomeação de juízes, à margem da lei), de outra parte passou a tornar regra o que deveria ser exceção.


E vou responder à indagação do Valmir, dizendo que, sem leis próprias, não havia nenhuma pressa do Executivo em criar leis para gerir os destinos do Tocantins, e a evidência disso é que o Tribunal de Justiça só foi aprovar o seu Regimento Interno no dia 7 de junho de 2001, pela Resolução N° 4, ou seja quase doze anos depois de criado o Tribunal, quando deveria ter sido uma providência imediata. Viveu mais de uma década com a desculpa de não haver lei para regular os atos.


Até o desembargador João Alves, amigo pessoal do Governador e tido como forte aliado siqueirista, diante da situação, um dia se rebelou com a demora em se concluir o Regimento Interno, quando disse:
- Esse nosso Regimento devia chamar-se era “Deus”, pois todo mundo sabe que existe, mas ninguém vê!


Nesse período, o Executivo viciou-se em praticar atos arbitrários, pois ninguém se aventurava a peitar o mandatário, que fazia chover e trovejar, e até pensava poder fazer o rio Tocantins correr da foz para a nascente.


Não havia quem contestasse qualquer ato: no Tribunal de Justiça, levantaram-se as figuras de Antônio Félix, cuja morte foi encomendada num frustrado atentado em 1990, e Amado Cilton Rosa, que, dois anos antes, foi sumariamente demitido de um cargo vitalício que ocupava há dez anos, sendo reintegrado por ordem do Supremo Tribunal Federal.


Depois, da primeira composição do Tribunal foram-se libertando do jugo outros desembargadores, restando apenas José Maria das Neves, que era quem fazia as articulações nas escolhas de membros do Tribunal, do TRE, das Diretorias da OAB (que escolheria membros do quinto constitucional e dos dois juízes da Corte Eleitoral) e da ASMETO, muito influente nas promoções de juízes para comarcas politicamente estratégicas.


Depois de Amado e Antônio Félix, a mão pesada do Governador feriu a dignidade de Willamara Leila, Carlos Sousa e a minha, pois de certo ponto em diante passamos a ser considerados rebeldes, e resultou no nosso afastamento e na instauração de inúmeros procedimentos no STJ e CNJ, num espalhafatoso espetáculo pela imprensa no intuito de denegrir nossa imagem e passar um apagador na nossa história.


Na OAB, surgiram como que pregando no deserto as vozes solitárias de Coriolano Santos Marinho, Augusto de Souza Pinheiro e Antônio Luiz Coelho, que acabaram sendo vencedores, no momento em que se viu a influência dos chamados “criadores do Estado” esboroar-se diante da evidência dos fatos.


Assim, a simples mudança do Hino do Tocantins é o que se chama de “café pequeno”, quando se viu investir-se contra membros do próprio Tribunal de Justiça, maquinando-se a morte de um desembargador e efetivando a demissão de outro; “desnomeando-se” um conselheiro vitalício e, na calada da noite, substituindo-o por outro sem aprovação da Assembleia; fazendo o Tribunal de Justiça “presentear” o Ministério Público com uma vaga que era da OAB, para nomear Jacqueline, e criando uma lei apenas para promover Gadotti, um juiz de comarca interiorana, a desembargador, porque o desejo do mandatário sempre foi manter a Corte encabrestada à rédea curta.


Mudar a letra do hino nada significa, Valmir, diante dos conchavos nos julgamentos para favorecer os interesses do Palácio Araguaia, como já comentei e ainda vou comentar, pois sou testemunha ocular da história desse nosso pobre e judiado Tocantins, que vem sendo vítima de uma verdadeira rapina por políticos que para cá vieram apenas para se locupletar e tentar formar oligarquias.,e graças a Deus ainda tenho a memória boa para relembrar cada minuto de sua vida, e vou mostrar que estávamos vivendo uma história fabricada para endeusar figuras que são apenas caroneiros da História e mitos fabricados, verdadeiras estátuas de cabeça de ouro, peito e braços de prata e pés de barro, que Nabucodonosor viu ser totalmente destruída no seu tido como indestrutível Império Babilônico.


O que precisamos é criar a consciência de que o Tocantins possui tocantinenses de valor que amam sua terra e têm plenas condições de gerir seu próprio destino.


Sem querer implantar a xenofobia, escorraçando os bons nomes só pelo fato de serem de outras paragens, fazendo os justos pagarem pelos pecadores, precisamos é livrar-nos dos aproveitadores que vieram para nosso Estado apenas e tão-somente para encher as burras de dinheiro, figurando repentina e inexplicavelmente como detentores de grandes fortunas surgidas do nada, como que num passe de mágica.


Nas eleições de 2018 vamos passar um pente fino nessas quadrilhas de demagogos, que, infelizmente, sobrevivem à custa de regar setores da imprensa com generosos patrocínios, bancados com dinheiro exatamente do povo pobre que eles dizem representar.


É possível mudar o Tocantins, bastando que mudemos o comando da nossa política.
E 2018 será uma oportunidade única.



(Liberato Póvoa - Publicado no “Diário da Manhã” de 22/10/2017)