Opinião

“Polícia Federal: a lei é para todos”, um filme a que todos devem assistir

22/09/2017 11h04 | Atualizado em: 22/09/2017 11h08

web
Estes dias, por recomendação do amigo Antônio Carlos José Romão, brilhante advogado de Guarulhos-SP, que conheci por acaso em Abadiânia, fui assistir ao filme “Polícia Federal: a lei é para todos”, tão logo foi lançado em Goiânia.


 Levado às telas exatamente no dia 7 de setembro nas muitas casas de exibição do Brasil. “Polícia Federal: A lei é para todos” é um filme policial rodado em 2017, que retrata a “Operação Lava Jato”, sob o ponto de vista dos investigadores que a protagonizam.


O delegado Ivan (interpretrado pelo ator Antônio Calloni) e sua equipe da Polícia Federal, em conjunto com a força-tarefa do Ministério Público Federal, participam de um cuidadoso enredo, que mostra os esforços para desvendar os esquemas de crimes de lavagem de dinheiro e propinas para executivos da Petrobras, empreiteiras, partidos políticos e parlamentares do Brasil.


Logo na pré-estreia, como não poderia deixar de ser, o filme recebeu críticas: foi criticado pelo jornalista Bernardo Franco como maniqueísta, por caricaturizar os personagens investigados, apresentando-os com seus nomes reais e, ao mesmo tempo, tratar os investigadores como heróis, mas ocultando-os com pseudônimos. Um outro crítico, Bob Franco, criticou duramente a presença de Sérgio Moro na sessão de pré-estreia, e ressaltou que apesar das negativas do diretor e dos autores, o filme é "ideológico até a medula". O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais afirmou que o filme é propagandista e uma caricatura mal feita da Polícia Federal, no que foi refutado pelo presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal, que declarou ser o filme um retrato do dia-a-dia da Polícia Federal.


Inspirado em fatos reais sobre a Operação Lava Jato, “Polícia Federal: a lei é para todos” mostra como se desenrolam as investigações sobre a corrupção no Brasil, revelando os esforços para desvendar o esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a executivos da Petrobras, empreiteiras, partidos políticos e parlamentares e mostra ainda o papel decisivo da Justiça para que a investigação não fosse destruída pelas forças políticas envolvidas.


O filme foi cuidadosamente planejado, pois a própria Polícia Federal prestou consultoria para a produção do filme, que teve cenas filmadas nas suas sedes de Curitiba e do Rio de Janeiro. O diretor revelou que teve acesso a gravações feitas pela Polícia Federal.


A atriz Flávia Alessandra interpreta a delegada federal "Beatriz", inspirada na delegada Erika Marena, responsável pelo nome dado à operação. Rainer Cadete, ator em nove novelas e três filmes, faz o papel do procurador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. O veterano Ary Fontoura faz o ex-presidente Lula, e Marcelo Serrado, o juiz federal Sérgio Moro. Na pré-estreia, o jornalista Bernardo Mello Franco classificou o filme como ruim, e, fazendo coro com outros críticos, considerou-o maniqueísta e uma peça de propaganda que caricaturiza os personagens investigados, além de usar nomes reais, como nos casos do ex-presidente Lula e do empresário Marcelo Odebrecht, ocultando os nomes dos investigadores, tratados como heróis.


O fato também mereceu idêntica alfinetada do crítico do “Zero Hora” Humberto Trezzi. que destacou ser o filme carregado de críticas contra o PT, mas que as continuações devem atacar também o PSDB e o PMDB, já que o diretor, Marcelo Antunez, insinuou que este é apenas o primeiro de uma trilogia.


O jornal El País, por sua crítica de cinema Flavia Marreiro, acompanhou os colegas brasileiros criticando o maniqueísmo do filme e as falhas do roteiro. Ela considera que o uso de manchetes de jornais e de uma animação não funcionaram ao tentar não transformar o ex-presidente Lula em único vilão. A explicitação de que o filme terá sequências também faz parte dessa tentativa fracassada. Para ela, a falta de credibilidade do personagem de Ary Fontoura é a pior parte do filme.


Entendo que a crítica ao fato de o diretor ter usado pseudônimos não desvaloriza o filme, baseado em fatos verdadeiros, vez que inspirado no livro homônimo de Carlos Graieb e Ana Maria Santos.


Quando dirigiu em 1967 o seu renomado filme “A sangue frio”, Richard Brooks baseou-se no livro homônimo de Truman Capote, e não obstante retratar fatos verdadeiros, usou de pseudônimos, seu filme foi um sucesso, continuando como uma referência no gênero.


No Brasil, João Batista de Andrade, baseando-se no romance-verdade homônimo do escritor goiano Bernardo Élis, dirigiu o filme ”O Tronco”, utilizando-se de nomes fictícios para retratar o sangrento e doloroso episódio ocorrido na antiga São José do Duro (hoje, Dianópolis-TO); Carmo Bernardes, quando publicou seu livro “Xambioá - Paz e Guerra”, que retratou a guerrilha do Araguaia, e fatalmente deverá virar filme, também se valeu de nomes fictícios, salvo três personagens, que foram retratados com seus nomes verdadeiros, como foi o caso dos guerrilheiros José Genoíno e “Osvaldão” e do então capitão do Exército Robson de Sá Bizarria, que, ao prefaciar, a seu pedido, o livro em 1966, consegui identificar. O demais personagens foram batizados com nomes fictícios, por impossibilidade de identificação, não obstante não tivessem desvalorizado a obra.


Para quem quer saber como se começa a desmantelar um pesado esquema de corrupção, não pode deixar de assistir a “Polícia Federal - a lei é para todos”, que deu um enfoque maior a integrantes do PT, mas, como prometeu o seu diretor, haverá mais dois filmes para completar a trilogia, e por certo igualmente interessantes, pois irão identificar e desmascarar as outras quadrilhas que estão agindo impunemente neste nosso sofrido Brasil.


Filmes como este trarão uma colaboração enorme, apesar da crítica de três gatos pingados, que, talvez mais parciais do que acusam o diretor do filme, em comentário algum tiveram a coragem de dizer que tudo é mentira.


(Liberato Póvoa)