Opinião

Uma reflexão sobre a verdade das citações

31/07/2017 10h11 | Atualizado em: 31/07/2017 10h14

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Há certas citações que ficam eternizadas e são aplicáveis em qualquer época. Estive estes dias repassando umas leituras que sempre faço. E verifico que certos homens são chamados sábios exatamente porque sabiam o que estavam dizendo.

Em 2010, fui surpreendido por uma verdadeira armadilha colocada no meu caminho por uma corja de políticos do Tocantins (nenhum nascido lá, mas que ali “fizeram a mala”), que se sentiram ofendidos pela minha independência. Acordei no dia 16 de dezembro de 2010, com a Polícia Federal na minha porta e, sem saber o porquê e sem ser ouvido, soube que tinha sido afastado, junto com outros colegas. Até então, eu estivera na posição que muito poucos alcançaram, pois todos os cargos existentes no Judiciário (inclusive na Justiça Eleitoral) em um Estado eu já ocupara, e, de quebra, governei o Tocantins, na condição de presidente do Tribunal.

De uma hora para outra, por razões que até o momento desconheço (mas seguramente com a conivência do STJ), fui afastado do cargo e decidi mudar-me por uns tempos aqui para Goiânia, até aposentar-me normalmente por implemento de idade, embora os políticos e um ministro “comprado” não tivessem garimpado no meu passado qualquer fato que me levasse a engolir uma aposentadoria compulsória pelo Conselho Nacional de Justiça, com amargo sabor de punição a travar-me o encastoo da língua. Tentaram até o último momento, mas não tiveram o gostinho esperado.

Quando viram que foi debalde qualquer trama para destruir meu nome no meu Estado, ficaram igual cachorro de beira de estrada, que corre latindo pro carro que passa, mas se este freia de repente, o cachorro também encerra a perseguição e fica sem saber o que fazer, voltando ensoado com o rabo entre as pernas. Até o “Hino do Tocantins”, que compus, foi escolhido por concurso nacional e aprovado por lei, substituíram ao bel-prazer de quem mandava no Estado.
E nesse ostracismo forçado, lembrei-me do filósofo chinês Confúcio, que parece ter-se levantado do túmulo, lá dos finais dos anos 470 a.C., para concordar comigo, ao dizer, já naquela época, que “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade”.
De fato, eu, que, neste meu jeito informal de conversar com todo mundo, andar de bermudas e chinela de dedo nas feiras livres, vivia com meu gabinete cheio de amigos de conveniência, de repente parece que fui acometido de uma lepra tão nojenta, que talvez os dedos de uma só mão sejam suficientes para contar os amigos que sobraram ao meu lado. A propósito, o escritor e conterrâneo Sisenando Francisco de Azevedo até escreveu o artigo “A mentira e suas comparsas” no “Diário da Manhã” de 13/07/2014, sobre meu calvário, em que não apareceu um só cireneu para me ajudar a ombrear a cruz.

E no Século XVIII, John Churton Collins, filósofo britânico continuava a filosofia do notável chinês, dizendo que “Na prosperidade os amigos nos conhecem, mas é na adversidade que conhecemos os amigos”. Nada mais correto.

Vivendo num país como o nosso, também vem a talho de foice o que Rui Barbosa já dissera na década 1890, com uma precisão insuperável: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

O nosso sertanejo, por seu turno, traz a filosofia no sangue e diz, com propriedade: “Alguns amigos são como aves de arribação. Quando faz bom tempo eles vêm, quando faz mau tempo eles vão”.

Confúcio já nos legara reflexões e pensamentos tão profundos, que foi até considerado o iniciador de uma religião, o Confucionismo, e o nosso genial “Águia de Haia”, que já naquela época, no engatinhar da República, fora “garfado” na eleição presidencial e perdeu inexplicavelmente, para o candidato militar Hermes da Fonseca, desabafou: “A força do direito deve superar o direito da força”.

Mas diante da atual situação em que vive o nosso pobre Brasil, com os políticos sendo o que são, a corrupção institucionalizada, a Justiça inerme e muitas vezes decidindo como espécie de retribuição por favores e indicações, li algumas reflexões da genial Ayn Rand, escritora, dramaturga, roteirista e filósofa norte-americana de origem judaico-russa, mais conhecida por desenvolver um sistema filosófico chamado de Objetivismo.

Sem precisar de mais delongas, só trago ao leitor o que Ayn Rand disse, em 1920, sessenta anos antes de existir um partido chamado PT:

"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".

Os grandes pensadores jamais se desatualizam, e para arrematar minha afirmação, basta citar Sólon, um dos sete sábios da Grécia (638 a.C.- 558 a.C.), que afirmou, há mais de 2.500 anos, que “as leis são como as teias de aranha, que apanham os pequenos insetos, mas são rasgadas pelos grandes”.

É apenas para refletir, nestes tempos atuais em que a degeneração dos costumes e a multiplicação da corrupção estão acabando com o pouco de moral que ainda existe. (Publicado originalmente no “Diário,da Manhã” de 31/07/2017)