Opinião

Existe, por acaso, meia imprensa? No Tocantins existe.

19/07/2017 12h01 | Atualizado em: 19/07/2017 12h04

Divulgação
No último dia 11 deste mês de julho, recebi um e-mail de um site de Palmas, indagando-me sobre minha vida atual, manifestando o desejo de saber como estava minha vida literária, meus projetos, minha situação diante daquela famigerada Operação Maet” e outras coisas. Seria uma entrevista.


Para encurtar a história, sugeri que me enviasse as perguntas, quaisquer que fossem, que eu prontamente responderia, sem omitir uma só vírgula.


Tudo acertado, inclusive pelo WhatsApp, vieram as seguintes perguntas:
1 - Qual o último livro que o senhor lançou e por que não foi lançado no Tocantins?
2 - Como esta a vida de aposentado?
3 - A quais projetos o senhor tem se dedicado?
4 - Quais os próximos passos na literatura?
5 - Qual a atual situação de sua pessoa em relação a operação que o afastou do Tribunal?
6 - Ainda culpa a senadora por esse afastamento?
De posse das perguntas, dei todas as respostas, assim resumidas:


Disse que, na verdade, em 2017 lancei dois livros de uma só vez: “Que saudades de São José do Duro” e “A medicina popular no Tocantins”. Lancei primeiramente em Goiânia, com boa participação dos amigos e parentes; depois, durante os festejos de São José, em Brasília, dia 26 de março, com um público muito bom. Não lancei no Tocantins, porque, para ser sincero, não encontrei ambiente para isto: apesar de membro fundador da Academia de Letras do Estado do Tocantins (ALET), que presidi por duas vezes, nunca recebi dos confrades um só gesto de apoio e solidariedade. Por outro lado, fui colaborador voluntário e gratuito por quase vinte anos do “Jornal do Tocantins” e inclusive mantive por treze anos, ininterruptamente, a coluna “Judiciário”, que era a mais lida aos domingos. E logo que fui atirado na cova dos leões, todos me viraram o rosto e até para publicar um mero artigo sou barrado por uma censura, que impõe número de linhas, o tema abordado, e sinto que a liberdade de imprensa no Tocantins infelizmente não existe. Quem ainda me faculta publicar algum artigo de opinião é “O Jornal” e o “Agora-TO”, que, sempre que podem, publicam matéria minha, e agora o site “AF Notícias”, do intimorato advogado e jornalista Arnaldo Filho, que me facultou uma página permanente em breve, onde poderei mostrar ao povo de meu Estado a verdade que se esconde por detrás da história que foi montada para o tocantinense acreditar em heróis convenientemente fabricados; e esporadicamente o “Jornal do Tocantins” (quando a matéria é de sua exclusiva conveniência e obedece ao padrão de tantas linhas, que não dão para expor um ponto de vista com princípio, meio e fim).


Quanto à minha vida de aposentado, disse que não pretendo lutar com a advocacia como único meio de vida, devido à elitização da magistratura, onde muitos magistrados pensam que são deuses, dificultando a vida do advogado. Vivo uma vida tranquila, voltada às letras, escrevendo, e se no meu Estado as portas se fecharam para minha literatura, aqui em Goiânia tenho espaço e escrevo o que quero e sobre o assunto que me apraz, sem mendigar uma oportunidade. Escrevo diariamente, produzindo sete artigos e crônicas por semana, e em vez de pedir para publicar, o jornal é que me pede para mandar matéria. Em dois anos que escrevo no “Diário da Manhã” tenho cerca de 400 artigos publicados. Para viabilizar de uma vez por todas minha literatura, criei meu próprio blog (www.liberatopovoa.com.br), totalmente independente, e facultando espaço a quem quiser manifestar sua opinião, com a diferença de que não aceitarei de forma alguma patrocínio de políticos, que pagam certos blogs e veículos para burilarem sua imagem. Qualquer entidade pode escrever, que mando postar: OAB, MP, Judiciário, PGE, TCE, Assembleia Legislativa, Academias etc, desde que seja matéria assinada. Como eu próprio custeio o blog, não tenho compromisso senão com a verdade e a independência.


Disse que basicamente tenho me dedicado à literatura, pois desliguei-me da Academia de meu Estado, mas sou membro da Associação Goiana de Imprensa (AGI) e da Associação Brasileira de Advogados Criminalistas (ABRACRIM), a convite das próprias entidades. E os próximos passos na literatura são continuar escrevendo, e devo ter pelo menos uns três ou quatro livros já prontos, mas não tenho pressa de publicar, mesmo porque não vivo de literatura.


Quanto à minha situação frente à ação do STJ, disse que fui afastado, sem mesmo saber a razão, senti-me literalmente descartável, pois os que se diziam amigos, centenas que viviam no meu gabinete, sumiram, com raríssimas exceções, levando-me a acreditar naquele velho ditado sertanejo: “Amigos são como aves de arribação: quando o tempo está bom, eles vêm, mas quando o tempo está ruim, eles se vão”. E segundo um outro ditado sertanejo que diz: “Depois da onça morta, todo mundo puxa o rabo dela”, pois quando eu estava na ativa, com toda a minha capacidade de decidir e de até influir na vida do Estado, ninguém me incomodou. Mas só foi eu virar as costas, despido do poder de meu cargo, os que me invejavam trataram de vingar-se: no Superior Tribunal de Justiça me jogaram nas costas 17 (dezessete) processos, e no Conselho Nacional de Justiça, 25 (vinte e cinco). Desses quarenta e dois processos, meu advogado, Dr. Nathanael Lacerda, com rara competência e habilidade, conseguiu provar minha inocência em 41 (quarenta e um), que foram arquivados, e só restou esse da “Operação Maet”, que é birra pessoal do ministro relator João Otávio de Noronha, mancomunado com políticos do Tocantins. Há anos venho pedindo ao relator para mandar o processo para o primeiro grau, pois o STJ é incompetente, mas, devido a ter certamente compromisso político, o relator não quer tirar do STJ aquele processo, que já está no quarto, relator. Recentemente, o Ministério Público Federal, entendeu que o processo contra mim não é da competência do STJ e requereu sua remessa para Palmas, para onde outros já haviam sido remetidos.


Quanto à pergunta se ainda culpo a senadora Kátia Abreu pelo meu afastamento, fiz um relato de mais de duas páginas, provando por A + B, que aquela operação da Polícia Federal em 16/12/2010 foi parida por ela, citando fatos, datas, horários e outras pessoas envolvidas no episódio, inclusive a vida pouco ortodoxa daquela parlamentar, que, com certeza, ainda vai aparecer, pois tenho todas as informações dos últimos quase trinta anos de todos os políticos, magistrados, enfim, de todo mundo de lá.


Na edição de 14/07/2017, em que deveria sair a entrevista, vi, com surpresa, que aquele site simplesmente cortou mais da metade da minha fala, deixando de mencionar o episódio da senadora Kátia Abreu e o que falei sobre a falta de oportunidade que a imprensa palmense me propiciou, levou-me a ter que criar meu próprio blog (www.liberatopovoa.com.br) , onde poderei mostrar ao povo de meu Estado a verdade que se esconde por detrás da história que foi montada para o tocantinense acreditar em heróis convenientemente fabricados.


Como na edição de 03/07/2017 havia no mesmo site uma notícia de que o deputado Toinho Andrade apresentava a senadora Kátia Abreu como a melhor opção para o Governo em 2018, concluí, por lógica, que o referido site deve estar comprometido com a senadora, diante da pálida resposta que me deu para castrar pela metade minha entrevista, quando disse: “Sobre sua entrevista: a questão sobre a senadora Kátia Abreu, o senhor citou vários veículos e fez acusações a eles, e para soltarmos teríamos que ouvi-los também; por isso preferi não soltar a resposta...”.


Com o devido respeito que tenho pela imprensa, com a qual convivo há muitas décadas, desde os anos setenta em Belo Horizonte, quem concede uma entrevista arca com as consequências, inclusive judiciais, do que diz. Não me convenci da desculpa pela não publicação da minha opinião na íntegra, pois o que dá a entender, com sinceridade, é que é mais um site patrocinado por político, que busca burilar sua imagem nos sites e na imprensa escrita, mormente quando no ano que vem haverá eleições e todos querem limpar o nome através de notícias em sites patrocinados. Nesta hora é que a imprensa deve colocar-se no seu lugar e evitar ficar preso a políticos, e assim contribuir com sua isenção para consertar este Brasil.


Mantenho tudo o que disse quanto àquela parlamentar e aos veículos de imprensa ali citados, pois não compete ao veículo de informação que se pretende sério censurar opinião de ninguém, mormente uma entrevista.


Acostumei-me a escrever no “Diário da Manhã”, que sempre respeitou a opinião de qualquer um, o que, infelizmente, não ocorre no Tocantins, onde só publicam o que convém ao “establishment”. A não ser que agora exista a figura da meia imprensa, que só publica o que lhe convém, por receio de ferir com a verdade os interesses dos poderosos.
Tenho dito.


(Liberato Póvoa - Publicado originalmente no “Diário da Manhã” de 19/07/2017)