Opinião

Um olho aqui e outro em Brasília; TSE decide rumos da sucessão estadual

22/02/2017 10h46 | Atualizado em: 22/02/2017 10h51

Divulgação
Quando chegar a primavera lá pelos meados de setembro de 2017, o Tocantins pode ter um novo governador. Nesta quinta-feira, 23 de fevereiro, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) julga o recurso de uma ação que pede a cassação do mandato de Marcelo Miranda e da vice Cláudia Lelis, por conta daquele avião apreendido em Piracanjuba (GO) com R$ 400 mil, que seria, segundo a denúncia, para a campanha eleitoral. No primeiro round da disputa, Marcelo Miranda venceu apertado no TRE, por 3 a 2. Agora, o TSE bate o martelo e decide o jogo.

Há quem acredite que Marcelo Miranda também sairá vitorioso no TSE, em razão da falta de provas (materialidade do crime), embora a mais inocente pessoa do mundo acredite que o dinheiro seria mesmo para reforçar o caixa da campanha de 2014, em função das pessoas envolvidas na cena do suposto crime.

Prefiro esperar pelo resultado, mesmo porque sempre duvidei da imparcialidade dos tribunais. Ninguém sabe ainda como será o parecer da ministra-relatora, Luciana Lóssio, se pela absolvição ou pela condenação. O que se sabe é que os demais ministros geralmente acompanham o voto do relator.
E aí vem o primeiro questionamento: Quem é Luciana Lóssio? Quais são as suas ligações políticas? Nomeada por Dilma Rousseff, a ministra chegou ao TSE indicada pelo ex-presidente do STF, Ricardo Lewandowisk. Foi advogada do PT e tem fortes ligações com a ex-presidente. Aí vem a segunda indagação: afinal, quem no Tocantins tem interesse na cassação de Marcelo Miranda? Quem?

De qualquer forma esse processo é muito traumático para o Estado. Toda essa carga negativa acaba desabando nos ombros da população. As consequências de uma cassação são danosas. Já experimentamos uma vez e o resultado todos já sabem: 24 deputados votaram em nome de um colegiado inteiro do Estado, numa eleição indireta em que teria rolado de tudo. Conchavos e suposta compra de votos.

Independentemente do resultado do TSE, a sucessão estadual já começou. A senadora Kátia Abreu já disse a que veio: chegou disposta a destruir quem se atrever a melar seu projeto político. Ela nega que esteja em campanha, mas suas ações de críticas duras ao governo Marcelo Miranda não deixam dúvidas. Aliás, a sua obsessão pelo cargo só não é maior que a de Eduardo Siqueira.

Nesta briga interminável com o PMDB, Kátia Abreu age como mulher infiel que trai o marido e se recusa a deixar a casa. Por isso mesmo ela continua no PMDB, até que a executiva nacional do partido se manifeste a respeito de sua expulsão.

E olha que lá pelas bandas de Brasília os caciques do PMDB, mesmo diante da traição explícita da senadora durante o impeachment de Dilma Rousseff, não estão dispostos a levar o processo adiante
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Kátia, que de boba não tem nada, aproveitou o cochilo de seus desafetos políticos por aqui e foi fazer “sala” para seus aliados em Brasília. Promoveu um jantar para os senadores do PMDB, em apoio à eleição de Eunício de Oliveira para presidente da Casa. Somou pontos, é claro.

Por aqui os aliados de Kátia Abreu não estão entusiasmados com a possibilidade de cassação do mandato de Marcelo Miranda. Preferem que ele continue sendo assado a fogo brando, pois não veem nenhuma chance de Marcelo Miranda reconquistar sua popularidade a ponto de ameaçar o projeto de Kátia Abreu nas eleições de 2018.

Em agosto do ano passado, Kátia Abreu deixou claro que não queria mais nenhuma aproximação com o grupo do governador, quando o presidente regional do PMDB, Derval de Paiva, foi pedir seu apoio nas eleições municipais.

Romântico e cheio de esperança, Derval chegou à casa da senadora com flores nas mãos e saiu de lá com a viola no saco. Foi cantar em outro terreiro. O violão não deu mais afinação. É, pois é! (Artigo publicado originalmente no site Emtempocn.com.br)