Opinião

Briga de gente grande

02/06/2016 14h35 | Atualizado em: 02/06/2016 14h43

Foto: Reprodução/ Internet
Ruy Bucar

A dois meses das convenções - que pela nova lei eleitoral estabelece o prazo de 20 de julho a cinco de agosto - a lista dos pré-candidatos a Prefeitura de Palmas continua crescendo. Já são 12 nomes que anunciaram a pretensão de disputar as eleições – Carlos Amastha (PSB), Cláudia Lelis (PV), Raul Filho (PR), Sargento Aragão (PEN), Carlos Henrique Gaguim (PTN) Luana Ribeiro (PDT), Eduardo Siqueira Campos (DEM), Wanderlei Barbosa (SD), Valdemar Júnior, José Roberto (PT) Tom Lyra (PPS) e Fabiano do Vale (PRB) – até lá outros podem surgir, a exemplo do ex-governador Siqueira Campos que trocou de partido no último momento do prazo da janela partidária para quem pretende ser candidato, dando a entender que não está morto.

O ex-prefeito Raul Filho (PR) é até o momento o único nome capaz de ameaçar a reeleição do prefeito Amastha. Raul tem apelo, tem carisma e disposição para fazer campanha, mas vive o drama de ter sido declarado inelegível. Fora do páreo Raul terá que pensar numa alternativa para descarregar o seu prestígio. A ex-deputada e ex-primeira dama de Palmas Solange Duailibe é o nome mais indicado para esta missão. É oportuno lembrar que Solange encerrou o mandato de deputada se lançando candidata a prefeita de Palmas.

Depois da decisão do TRE, a candidatura de Raul Filho sofreu um esvaziamento natural. Ainda que consiga registrar candidatura não será mais o mesmo projeto de antes, o candidato ideal para desbancar Amastha. A insegurança do processo já o atingiu de cheio. Talvez isso explique a aproximação do ex-prefeito ao siqueirismo. Os dois grupos juntos podem ter mais força para lutar contra o esquecimento. A dinâmica da política transforma velhos adversários em aliados de última hora.

A vice-governadora Cláudia Lelis (PV), que vem trabalhando muito para viabilizar a sua candidatura é a maior beneficiária de uma eventual saída de Raul. Com o apoio do Palácio Araguaia, que ainda não tem garantia, pode se tornar uma concorrente de peso.

O deputado Carlos Henrique Gaguim (PTN), decola no pelotão de frente nesta disputa. A mudança de partido o deixou menor, mas também com mais liberdade para trabalhar um projeto próprio. Gaguim tem ambição, prestígio e capacidade para ser um candidato competitivo. A precipitação é seu maior adversário. A deputada Luana Ribeiro (PDT) volta à disputa, talvez mais amadurecida do que em 2012, certamente não para vencer, mas para marcar posição. É também o caso do deputado José Roberto (PT), que entra na disputa por honra à firma.

Os deputados Eduardo Siqueira Campos (DEM), Valdemar Júnior (PMDB) e Wanderlei Barbosa (SD), trabalham com a mesma estratégia, se lançar candidato para tentar uma composição com alguma candidatura competitiva. Eduardo sonha voltar à prefeitura de Palmas, mas sabe que o momento não é favorável. Valdemar Júnior (PMDB) enfrenta resistência no Diretório Metropolitano e sua candidatura não é bem vista pelos vereadores do Partido na Capital. O PMDB mantém a velha tradição da divisão interna, na última reunião não deu aval à pretensão de Valdemar Junior e segue sem candidato, o que é inexplicável para o maior partido do Estado.
O ex-deputado Sargento Aragão (PEN) está em campanha desde o ano passado. É o maior crítico do prefeito Amastha de quem foi vice na eleição passada. Tem poucas chances de decolar, mas é um concorrente certo na disputa. O empresário Tom Lyra tem o perfil que o eleitor quer para o momento, que é gestor por excelência, teve bom desempenho no comando do governo do Estado no curto período que assumiu o Palácio Araguaia, é um nome que se bem trabalhado pode confrontar com o prefeito Carlos Amastha, empresário bem sucedido com relacionamento internacional e tocantinense. A grande novidade destas eleições é a candidatura do empresário Fabiano do Vale (PRB), que percorre os bairros de Palmas levando a sua mensagem. O empresário parece entusiasmado com receptividade dos eleitores, mas terá que gastar muita sola de sapato para se tornar conhecido. Um nome que tem tudo para crescer na disputa.

Um nome que não se apresentou mas que vem sendo lembrado é o do ex-governador Siqueira Campos (DEM), que trocou de partido na janela partidária, sugerindo que tinha pretensões políticas. Adversários do siqueirismo dizem que ele está muito velho e sem vontade de disputar eleições. Mas seu nome ainda impõe respeito. O fraco desempenho do governo Marcelo Miranda (PMDB) contribui para reabilitar o velho líder. Especulações dão conta de uma aproximação do ex-prefeito Raul Filho com o ex-governador e sugerem uma chapa com a ex-deputada Solange Duailibe (SD) com o ex-governador na vice. Em caso de impedimento de Raul pode ser uma solução para formar uma chapa competitiva. Mas especulação é especulação, não tem nenhum compromisso com a realidade.
Muitos são os pretendentes. Bom para o eleitor que tem muitas opções. Mas é preciso lembrar que poucos vão conseguir viabilizar suas candidaturas e vão terminar se juntando a outros nomes que conseguirem se firmar. Analistas dizem que não mais do que cinco candidatos vão chegar ao final. Eles representam as grandes forças que dominam a política no Estado. Desses, um ou dois terão chance real de confrontar com o prefeito Carlos Amastha (PSB), candidato a reeleição com enorme chance de permanecer no comando do Paço Municipal e o maior beneficiário da pulverização de candidatos.

A verdade é que a sucessão em Palmas aponta para uma disputa acirrada e de alto nível. Quem não foi governador ou prefeito tem ao menos que ter sido deputado ou ocupado algum cargo de relevância. Essa parece ser a qualificação obrigatória para se disputar a Prefeitura da Capital. Pelo menos é o que se observa do alto nível dos concorrentes que inclui os ex-governadores, ex-prefeitos, deputados, dentre outros. O enorme interesse por esta eleição tem uma explicação: Palmas tem peso fundamental nas eleições para o governo do Estado. Vitória em Palmas significa meio caminho rumo ao Palácio Araguaia. Marcelo quer ficar, o siqueirismo quer voltar, Amastha e Kátia querem se capacitar para chegar lá. Este é o cenário da sucessão em Palmas, na sua eleição mais disputada da história e que revela um pouco do que vai ser a briga pelo governo do Estado em 2018.