Opinião

E agora, Brasil?

13/05/2016 08h54 | Atualizado em: 13/05/2016 08h56

Foto: Reprodução
E AGORA, BRASIL?

No ano de 2008, o mundo foi surpreendido pela crise imobiliária nos Estados Unidos, a famosa bolha imobiliária, que tornou os preços dos imóveis e outros ativos do povo americano bem mais baratos. Bancos importantes fecharam as portas, o crescimento mundial iniciou seu declínio, a China passou a consumir menos produtos de outros países, principalmente do Brasil. Na Europa, a Espanha e Grécia passam por sérias dificuldades econômicas, com índices de desemprego altíssimos. Logo a seguir, os preços do aço e do petróleo no mercado mundial caem vertiginosamente, afetando a economia de vários países. A Rússia passa por embargos dos países desenvolvidos, diminuindo também o seu consumo mundial. E no Brasil o que acontecia?
Enquanto o mundo pisava no freio, o Brasil continuava a acelerar, fazendo vultosos investimentos por meio do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, do Programa Minha Casa Minha Vida, dos benefícios sociais como o bolsa família, FIES, cotas para minorias, incentivos e subsídios para as indústrias e o comércio, juros baixos para financiamentos de imóveis, automóveis, geladeiras e fogões, empréstimo consignado para aposentados, pensionistas e servidores com prazo de quase 100 meses para pagamento, ampliação das vagas nas universidades públicas, implantação de muitos Institutos Tecnológicos e, principalmente, o aumento do salário mínimo acima da inflação. Desta forma, ao contrário dos outros países a política econômica do governo brasileiro estimulava o consumo desenfreado e diminuía a sua poupança interna o que, consequentemente, levou o Governo Federal, com o apoio da Câmara Federal e do Senado Federal, a gastar muito mais do que arrecadava, mesmo com os impostos mais caros do mundo. As áreas da saúde e da segurança entraram em colapso, a previdência bateu recordes de prejuízos constantes, os servidores públicos passaram a receber muito mais do que os funcionários da iniciativa privada, com muitos deles com direito à auxílio moradia, auxílio alimentação, auxílio saúde e muitos outros auxílios e as reformas fiscais, políticas, previdenciárias e outras não saíram das gavetas. Deu no que deu. A recessão, o desemprego e a desesperança levaram à abertura do processo de impeachment que afastou a Presidenta Dilma da Presidência da República por um período de até 180 dias.
Assumiu o Vice-Presidente Michel Temer. E agora? O que se espera do Presidente “interino”? Eu acredito que o primeiro passo será equilibrar os gastos do governo, porque não é mais possível continuar a gastar mais do que se arrecada. Os impostos que nós pagamos não dão para pagar as despesas do governo e aí, espera-se que o orçamento do Brasil seja o mais real possível e que ele não crie falsas expectativas e mais endividamento. Ele terá que diminuir os gastos com os benefícios sociais e com as subvenções desenfreadas e irresponsáveis. Deve também, junto com os deputados federais e senadores, tirar das gavetas as reformas necessárias para fazer o Brasil voltar a crescer. Serão tempos difíceis, mas possíveis de se tornarem melhores caso haja disposição política e qualidade de gestão da coisa pública. Em seu primeiro dia como Presidente, Michel Temer já criou o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), por meio de Medida Provisória com o objetivo de ampliar e fortalecer a interação entre o Estado e a iniciativa privada por meio de celebração de contratos de parceria para a execução de empreendimentos públicos de infraestrutura e de outras medidas de desestatização que pode ser uma boa estratégia para fazer frente a falta de dinheiro público para investimentos.
Com certeza, novos programas, projetos e ajustes serão anunciados para reequilibras as finanças públicas, mas não podemos esquecer que uma boa parcela de brasileiros e brasileiras estão insatisfeitos com as decisões do Congresso Nacional. Não se sabe ainda como será a reação dos movimentos sociais pelo Brasil afora e como o Congresso e a Presidência da República vão lidar com as insatisfações dos aliados da Presidenta Dilma.
De uma coisa tenho certeza. O povo brasileiro já cansou da falta de compromisso de seus políticos e da forma como eles tratam quem lhes sustenta. É o povo que paga todas as despesas deles, inclusive os cafezinhos que lhe são servidos para atrasarem as reformas necessárias para engrandecimento do nosso país. Junte-se a todo este período de turbulência a campanha política para prefeitos e vereadores que já está chegando por aí que faz com que nenhum político queira ter a responsabilidade de ministrar remédio amargo para a população que irá às urnas no mês de outubro.
O Brasil sempre foi de altos e baixos. Somos um país pobre com milhões de pessoas passando por dificuldades e que continuará assim por muito tempo, caso não seja aproveitada a oportunidade que se apresenta, para se fazer um governo de coalização e sanar, definitivamente, os gargalos políticos e econômicos que trazem retrocesso e atraso para o desenvolvimento brasileiro e o bem estar das suas famílias. O processo democrático deve ser respeitado para que novas gerações possam corrigir, com mais facilidade, os rumos de uma nação promissora e emergente.
Esperança, fé e persistência são as palavras que os brasileiros e brasileiras devem carregar sempre em seus pensamentos e em suas atitudes. Um dia, quem sabe, seremos efetivamente, felizes.