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Brasil novamente na rabeira

22/05/2015 16h57 | Atualizado em: 22/05/2015 17h03

Foto: Ademar Filho
Desempenho do País está entre os mais baixos, em ranking internacional que avaliou 76 países, ficando na 60ª posição no ranking mundial de educação, divulgado na quarta-feira, 13, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Foram avaliados 76 países por meio do desempenho de alunos de 15 anos em testes de Ciências e Matemática. Apesar de estar entre os países com pior desempenho, a organização avaliou no relatório que o Brasil tem grande potencial de crescimento econômico se conseguir proporcionar educação básica universal para todos os adolescentes de 15 anos.
O relatório aponta ainda que o Brasil registrou melhoras “notáveis” na performance dos adultos na última década. No entanto, o relatório ressalta o grande número de estudantes que abandonam a escola e chama a atenção para a qualidade do ensino ofertado. “Apesar de praticamente todas as crianças entre 7 e 14 anos de idade ingressarem nas escolas no começo do ano, nem todos continuam até o final. Eles abandonam porque o currículo escolar não é atrativo, porque precisam trabalhar ou por ter dificuldade em acompanhar as aulas”.
No ranking, o Brasil aparece com desempenho pior do que o de países como o Irã (51º), que enfrentou uma guerra de grandes proporções nas últimas décadas, e os vizinhos Chile (48º) e Uruguai (55º), que têm economias mais fracas do que a brasileira. Outros três sulamericanos ficaram entre os 15 piores colocados na avaliação: Argentina (62º), Colômbia (67º) e Peru (71º). No ranking de 2012, que avaliou 65 países, o Brasil havia ficado em 58º lugar.
A assessoria de imprensa do Ministério da Educação (MEC) informou que só vai comentar os dados após a apresentação oficial do relatório, que ocorrerá na próxima semana durante o Fórum Mundial de Educação, na Coreia do Sul.
No evento, líderes mundiais vão traçar metas de educação para os próximos 15 anos. Os últimos objetivos foram traçados em 2000, mas alguns deles, como fornecer ensino primário a todas as crianças, não foram completamente alcançados.
“A tarefa para os governos é ajudar os cidadãos a se desenvolver e garantir que em 2030 todos eles tenham os conhecimentos e habilidades necessários para ter uma educação, trabalho e vidas adequados”, avalia a OCDE, no relatório.
As cinco melhores colocações ficaram para países asiáticos, Cingapura, Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Taiwan, na
sequência. Não por acaso, são também os países que mais se desenvolveram economicamente, o que confirma a estreita relação entre educação de qualidade e crescimento econômico. Os asiáticos, que começaram a investir pesado em Educação na década de 90, deixaram países industrializados ocidentais para trás, como o Reino Unido, que ficou na 20ª posição, a França (23º), a Itália (27º), e os EUA, maior economia do planeta, que amargou o 28º lugar, atrás de países mais pobres como o Vietnã, em uma impressionante 12ª colocação.
Segundo o diretor educacional da OCDE, Andreas Schleicher, é a primeira vez que o ranking consegue ter uma escala “verdadeiramente global” sobre a qualidade da educação. “A ideia é dar a mais países, ricos e pobres, a possibilidade de comparar a si mesmos com os líderes mundiais em educação para descobrir pontos fracos e fortes e ver os ganhos econômicos a longo prazo gerados pela melhoria da qualidade da educação”.
Schleicher chamou a atenção para o caso de Cingapura, que nos anos 1960 tinha altos índices de analfabetismo, mas conseguiu uma recuperação nas últimas décadas. Nas três piores posições do ranking estão Gana, África do Sul e Honduras.
A OCDE calcula que o PIB do Brasil poderá crescer mais de sete vezes nas próximas décadas se o país oferecer Educação básica universal de qualidade para todos os adolescentes de 15 anos. “Políticas e práticas educativas deficientes deixam muitos países em um permanente estado de recessão econômica”,afirma o relatório da OCDE.
O Brasil vive um momento de grande expectativa de que finalmente o Governo está disposto a encarar o desafio de melhorar a qualidade da educação. Com a destinação dos recursos do pré-sal para o setor, o slogan de Pátria Educadora para este novo governo e a nomeação do renomado especialista em Educação Renato Janine Ribeiro para o MEC, a presidente dá sinais de que pretende dar um novo impulso no desenvolvimento do País.
Os resultados desta pesquisa serão formalmente apresentados no Fórum Mundial de Educação, que será realizado na Coreia do Sul, na próxima semana, quando as Nações Unidas vão encabeçar uma conferência sobre os alvos para a evolução da Educação global até 2030.

Notas:

ENEM 2015
As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio deste ano (Enem), serão abertas às 10h do dia 25 deste mês e se estenderão até as 23h59 de 5 de junho próximo, pelo horário oficial de Brasília. O anúncio foi feito na quinta-feira, 14, pelo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, pelo secretário executivo MEC, Luiz Cláudio Costa, e pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Chico Soares.
Estão isentos da taxa de inscrição os concluintes do ensino médio em 2015, matriculados em escolas da rede pública, além das pessoas que se declararem carentes. Para os demais, o valor é de R$ 63. O pagamento deve ser feito até às 21h59 (de Brasília), do dia 10 de junho. A confirmação das inscrições será feita apenas pela página do Enem na internet.
O Exame será realizado nos dias 24 e 25 de outubro.

Planos de Educação
A pouco mais de um mês para se encerrar o prazo para que estados e municípios elaborem ou atualizem seus Planos de Educação, somente 83 municípios em todo o País concluíram todo o processo de elaboração e sanção do plano municipal de Educação. O número representa 1,49% de todas as cidades brasileiras. O prazo se esgota no dia 24 de junho, conforme estabelecido no Plano Nacional de Educação (PNE, Lei Nº 13.005/14), que no artigo 8º do texto diz: “Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar seus correspondentes planos de Educação, ou adequar os planos já aprovados em lei, em consonância com as diretrizes, metas e estratégias previstas neste PNE, no prazo de 1 (um) ano contado da publicação desta Lei”. O PNE foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff (PT) no dia 25 de junho do ano passado.

Unidades da Federação
Até o fechamento desta coluna, apenas três Estados haviam sancionado planos estaduais: Maranhão, Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS). O Tocantins está em fase de conclusão do texto-base, tendo realizado três Audiências
Públicas entre os dias 12 a 14, reunindo em Palmas cerca de 400 delegados eleitos nas etapas regionais de discussão do PEE para analisarem os sete eixos que compõem o documento.
Para o presidente do Conselho Estadual de Educação e do Fórum Estadual de Educação, Cicinato Mendes, a construção coletiva do PEE garantirá o fortalecimento do setor educacional tocantinense nos próximos anos. “Tenho certeza de que, com o trabalho que estamos desenvolvendo, teremos um dos melhores Planos entre todos os Estados”, afirmou.

Repasses federais
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, se reuniu na terça-feira , 12, com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) para pedir a aprovação do projeto que obriga a União a complementar pagamentos de professores das redes estadual e municipal para que o piso salarial previsto em lei seja atingido. O projeto de lei, apresentado pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), prevê que os municípios e Estados ficariam responsáveis pelo pagamento dos professores, até o limite de 60% do recurso disponível no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Ao ultrapassar esse porcentual, o governo federal ficaria responsável por complementar o valor, até que o piso salarial fosse atingido.

Aluno Finalista
Gabriel de Sousa Silva, aluno do 9º ano da Escola Municipal Beatriz Rodrigues da Silva, é finalista no 44° Concurso Internacional de Redação de Cartas, realizado no Brasil pelos Correios. Gabriel conquistou o primeiro lugar na etapa estadual e representará o Tocantins na etapa nacional, cujo resultado será divulgado no próximo dia 22. Gabriel destaca que a vitória na etapa estadual representa o empenho pessoal e o incentivo da escola. “Ser finalista me deixou muito feliz e a minha família também. Sempre gostei de participar de concursos de redação para testar minhas habilidades e, ser finalista desta vez é uma motivação a mais para me inscrever nos próximos prêmios. Agradeço a Escola que também me incentivou muito”.
O concurso é promovido em todo o mundo, pela União Postal Universal (UPU), entidade que congrega os operadores postais de 192 países e tem por objetivo desenvolver a habilidade de composição dos jovens; contribuir para o estreitamento das relações de amizade internacionais e aprimorar a comunicação por meio da escrita.