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Adão fala dos problemas e projetos para Educação

05/02/2015 19h35 | Atualizado em: 07/02/2015 11h31

Na última sexta-feira, 30, o secretário da Educação e Cultura do Tocantins, professor Adão Ferreira, nos recebeu em seu gabinete na Secretaria de Estado da Educação para uma entrevista exclusiva. A seguir, os principais trechos dessa conversa:

Questionado sobre a real situação da Seduc, o professor Adão, cauteloso, buscando a palavra certa para não ferir susceptibilidades, confessou que a situação da Secretaria de Educação não é diferente das demais secretarias de Estado. Segundo o professor Adão, “o Estado do Tocantins, de um modo geral foi descuidado. O que a gente pode compreender é que neste último quadriênio houve um desserviço ao Tocantins, a partir da gestão pública do Estado. E nesse desserviço, a principal característica é que se não foi uma irresponsabilidade, é, no mínimo, um descuido com a coisa pública, porque situações inexplicáveis aconteceram, especialmente no quadro da educação”, explicando em seguida, porque, na sua avaliação, esse descuido afetou diretamente o quadro da educação, como os repasses que deixaram de ser feitos, e que são determinados por legislação federal, o que gera implicações aí que futuramente terão que ver como serão tratadas, mas que certamente, algum tipo de responsabilização deverão provocar. E lamentou que isso tudo tenha acontecido no Estado do Tocantins, para quem, é um estado promissor, que tem condições de se tornar referência nacional a partir de suas riquezas naturais para a elevação da qualidade de vida do seu povo.

Dentre os descuidos, o secretário citou os casos dos repasses que deixaram de ser feitos para a merenda escola, transporte escolar e da gestão compartilhada, o que “causa um buraco tão grande, que as escolas de um modo geral têm dificuldades de funcionar devido à falta de credibilidade junto aos credores locais. E esse problema não será resolvido de imediato devido a falta de orçamento que o governo anterior deixou de elaborar, o que só deverá ser resolvido por volta do mês de março. Até lá, é impossível pagar esse passivo deixado pela gestão passada. Apesar disso os repasses referentes ao primeiro mês desta gestão já foram feitos.
Para superar esse momento de crise o secretário disse contar com o compromisso, a responsabilidade e a criatividade dos profissionais da educação.

Perspectivas
Segundo o secretário, esse é o ano do planejamento. “Nós queremos planejar as melhores ações. Pra educação particularmente nós temos um projeto muito certo e definido: nós queremos implementar no estado do Tocantins a Educação integral. De um modo geral os nossos indicadores caíram, mas em casos particulares, mesmo num contexto de adversidades esses indicadores melhoraram significativamente”. Na visão do secretário, cada caso onde esses indicadores melhoraram podem ser explicados por conta mesmo do contexto local. E destaca como uma força muito importante nesse contexto, que é a gestão escolar. “A gente precisa compreender, conhecer esses gestores das escolas em que os indicadores foram positivos, saber da experiência de gestão e contextualizar essas experiências de gestão num ambiente escolar pra gente poder fazer as transições dessas experiências para as outras unidades escolares.

Adão define a educação integral como “elemento potencializador da experiência escolar, porque ela gera atração não só para o educando, mas também para o professor e a professora, pois ela torna a escola um ambiente mais humanizado, mais criativo, lúdico, mais afetivo, enfim, mas isso só será possível com a revisão curricular, o que será trabalhado este ano, construindo de forma democrática, ouvindo os professores, os profissionais da educação de um modo geral, em todos os recantos do estado. Isto feito, então, ano que vem a gente fará a justa implementação da educação integral. Segundo o secretário este ano será feito os laboratórios experimentais, onde já tiver condições favoráveis a gente implementa uma ou outra coisa desse fundamento, e fazendo os ajustes necessários ao longo do ano.

Ensino médio
Questionado sobre como pretende enfrentar a crise no ensino médio, o secretário afirma que o primeiro passo é exatamente a revisão e a ressignificação curricular. Para Adão, o processo educacional implica não só da estrita experiência na escola, na relação entre professor/aluno, na relação ensino/aprendizado. “A gente só pode explicar o processo educacional compreendendo toda a realidade que envolve a comunidade escolar para além dos muros da escola, por isso é preciso considerar o perfil socioeconômico, o perfil sociocultural, a estruturação da escola de um modo geral, tudo é importante para o desenvolvimento educacional, enfim, a experiência escolar ela é complexa e os resultados dependem dos mais diversos fatores. O ensino médio é uma experiência escolar que está calcada no ensino fundamental, que é o maior intervalo de tempo, e a deformação nesta etapa fundamentalmente implicará no ensino médio”. O secretário lembra que o ensino fundamental está a cargo dos municípios o que não exime o estado de ajudar de alguma forma no enfrentamento dos problemas, principalmente no que tange a formação.

Relação com sindicato
Adão Ferreira afirma ter esse radical, marcado pela participação sindical, seja como sindicalista ou como assessor sindical ao longo de mais de uma década, exercendo essa função com muito bom gosto, e diz não ter perdido essa vinculação, “na verdade ela serve como balizador para o exercício da função que estou agora. Agora, eu sou governo, mas ser governo não implica necessariamente ignorar seu histórico, sua trajetória de luta. Muito pelo contrário, eu acredito que ser governo é um espaço-tempo fundamental para que a gente possa formular e deliberar as políticas públicas, é uma oportunidade para a gente implementar tudo aquilo que a gente sempre sonhou, idealizou”.

O secretário ressalta que para que se tenha uma educação positiva, proativa, propositiva, é necessário que se valorize o profissional da educação. “E essa é minha intenção desde o primeiro momento. Mas lembra que para isso o governo tem o poder de escolher se vai ou não fazer a valorização diante de recursos possíveis. O que, segundo o secretário, não é o caso do Tocantins hoje, por que o governador Marcelo Miranda tem essa preocupação de garantir tudo aquilo que é de direito dos trabalhadores. Mas lembra que este ano é o ano de contingência, e não existe fórmula mágica que retire essa situação do Tocantins para 2015. “2015 nós precisamos ter tranquilidade, serenidade, sabedoria, para que todos, governo, sociedade civil, trabalhadores em educação, nós precisamos colocar os pés no chão. O estado está falido, e essa falência não é responsabilidade desse governo atual, ela é decorrência do acumulado que se deu fundamentalmente no desserviço que foi feito no último quadriênio”. Portanto, este ano é ano de planejar tudo aquilo que não será possível executar neste momento.