A cada novo escândalo um Tocantins desacreditado e instável

  • 30/Nov/2021 10h35
    Atualizado em: 30/Nov/2021 às 10h38).

*Por Joana Castro

Afastado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), há quase 40 dias, os episódios que envolvem o governador Mauro Carlesse (PSL) e liga-o às suspeitas de crimes de corrupção não param de aparecer, e vem ganhando, cada vez mais, novos destaques e consequentemente força.

Diante de tantos escândalos, [que serão citados mais adiante], dois pedidos de impeachment foram protocolizados na Assembleia Legislativa (um pelo deputado Júnior Geo, outro pelo presidente do Sisepe/TO), além de um requerimento apresentado pelo advogado Paulo Roberto da Silva, junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Tocantins, no qual solicita o impeachment e atenção nas investigações do governador afastado. O objetivo do advogado ao apresentar a peça que contém mais de sete mil páginas é que a Ordem encabece o pedido de impeachment passando a responsabilidade ao Legislativo, que constitucionalmente é o fórum competente para julgar o governador.

Mas ao que tudo indica, os deputados estaduais já estariam se articulando para iniciar tal feito. Circulou nos bastidores da política que uma reunião na casa do deputado Amélio Cayres, para tratar sobre a temática, reuniu cerca de 15 parlamentares e 17 estariam de acordo com o início do processo de impeachment.
O deputado estadual Antonio Andrade, presidente da Assembleia e aliado de Carlesse, seria talvez um empecilho para que o processo ande na Casa de Leis. Mas sabe-se também que um grupo de deputados foram designados para convencê-lo a aceitar o pedido. Comenta-se também que mesmo não querendo aceitar o pedido de impeachment de Mauro Carlesse, Andrade pode sofrer pressão dos colegas parlamentares, da imprensa e até manifestos para que ele aja conforme a vontade pública. No primeiro momento, parece que funcionou, pois ao final da tarde dessa segunda-feira, 29, através de uma curta nota, a Diretoria de Comunicação da Aleto, informa que os dois pedidos de impeachment foram encaminhados pela Presidência da Aleto para análise jurídica da Procuradoria Geral da Casa de Leis. Entretano, não significa que os pedidos sejam aceitos.

Por outro lado, fala-se que ao tomar conhecimento da possível pressão para que o presidente acate os pedidos e dê andamento ao processo de impeachment, o governador afastado e seu sobrinho, segundo matéria veiculada por um site de notícias na semana passada, estariam ameaçando os deputados, prometendo divulgar um dossiê com supostos pagamentos de mesada a cada um deles em troca de apoio político na Casa.

Não bastasse um escândalo após o outro, um veículo de comunicação divulgou no domingo, 28, que por trás da privatização do Parque Estadual do Jalapão, há interesses pessoais. O esquema funcionaria da seguinte forma: empresas iriam receber incentivos fiscais para instalar-se no Tocantins, mas parte dos benefícios retornariam ao grupo. Quanto a federalização da TO-050 entre Silvanópolis e Porto Nacional, o plano seria recapear a rodovia e concedê-la à iniciativa privada para cobrança de pedágio.

Abre Parênteses. Vale lembrar que a federalização da TO-050, é uma demanda antiga e foi aprovada em 2015, pela Assembleia Legislativa do Tocantins. Deputado estadual à época, o governador Mauro Carlesse votou favorável à federalização dos trechos. Em 08 de janeiro de 2020, o Governo Federal publicou no Diário Oficial da União (DOU), a autorização de transferência de patrimônio que nunca chegou a ser assinada pelo então governador. Fecha parêntese.

E não para por aí

O governador e seu sobrinho, Claudinei Quaresemin são acusados de chefiarem uma organização criminosa, responsáveis pela coordenação do esquema ilícito que obrigava os prestadores de serviço do Plansaúde a efetuar o pagamento de quantias como condicionante para o recebimento dos valores devidos pelo Estado. Tal prática foi denunciada no início deste ano, pelo médico Luciano Castro, um dos proprietários do Hospital Oswaldo Cruz, na capital.

A Revista veja trouxe nos últimos dias duas manchetes citando Mauro Carlesse. Na primeira, diz que governador afastado usou a máquina do estado para investigar suposta infidelidade. A matéria detalha sobre um suposto flagrante de drogas contra um desafeto que teria exposto a traição da primeira-dama. A segunda reportagem evidencia a autorização do gestor para uma central de grampos e dossiês contra adversários. conforme os investigadores, foi montada uma “central clandestina de grampos” na Polícia Civil do Tocantins e que há indícios de que o governador estava por trás do dossiê falso contra o deputado federal Vicentinho Júnior.

A cada novo fato vindo à tona, a estabilidade política e econômica do Tocantins reduz um pouco mais. São muitos escândalos que nos tira a esperança - a esperança na política, nos políticos, nos gestores públicos. Quem vai dar crédito a um estado tão instável? O afastamento do governador será definitivo ou por apenas 180 dias? Como ficarão os compromissos do novo gestor com esta possibilidade de retorno? Serão cumpridos? São muitas perguntas ainda sem respostas, mas diante da materialidade dos fatos, de um histórico sofrido e vergonhoso para nós tocantinenses, nos resta acreditar no futuro. Num futuro próximo e próspero, onde as pessoas reflitam sobre suas escolhas... pois o poder de decisão é nosso. Basta que tenhamos consciência disso!