A roça brasileira: de Jeca Tatu à produtor mecatrônico

  • 15/Nov/2021 09h49
    Atualizado em: 15/Nov/2021 às 09h53).

*Por Roverto Jorge Sahium

A estrovenga da verdade não falha, veracidade verdadeira germinou e viera à tona. Quero dizer que no cenário econômico do Brasil “a agricultura e a pecuária brasileira” desde sempre segurou e segura as contas mal calculadas pelas políticas magras.

Brasil entupido de invencionice parcimoniosa, planos econômicos mirabolantes, políticas agrícolas concebidas nas baias da hibridação com genética dos enjambramentos acasalados com gambiarras, confusas de ter fé, e de quando em vez cultiva alguns que de tão transgênicos parece a mula-sem-cabeça, de tão hilariante, intoxica com risos os céticos. Para clarificar isso dito, algumas são bem conhecidas, viajem:

Ainda no Brasil Colônia, cunharam o quinto dos infernos, de tudo que os roceiros produziam como mandioca, abóbora, milho, galinhas, etc., 20% era tributo, descontado na pedra ou feira (bons tempos). Acolá também distante, no tempo de Dom João VI, temos o caso histórico da galinha que vira vilã da inflação, a pobre e inocente sumiu dos puleiros, procurada à luz de lamparina. De o governo militar vem o caso do aquoso Chuchu, o sem-graça, de uma pedalada só, se transforma no mais feroz vilão da inflação da época.
Acolá, período do governo Sarney devera, achega o causo dos bois voadores, sequestrados nas pastagens com uso de helicópteros, foi tanto susto que os indigentes bovinos levaram que não tiveram coragem de olhar pro chão, sentiam náuseas e se fosse hoje não podiam arrotar e nem peidar.

Atinente aos casos jururus vem à mente de muitos ainda viventes a era Getulio Vargas, o infortúnio incentivo para formação de cafezais pelo país afora, em seguida o desincentivo: primeiro a ordenação para a queima de montanhas de café no Porto de Santos, em seguida a determinação por decreto à destruição da maioria das roças de café Brasil adentro.

E o desplante cometido no Governo Figueiredo: “Plante que o João Garante”, episódio que desbeiçou de riba pra baixo uma erosão nas algibeiras dos agricultores brasileiros, colocando-os todos numa voçoroca só, ferrados e devedores do Banco do Brasil, isso mesmo, o mesmo banco que patrocinava até jogo de porrinha na praia.

Quanto aos comandos sequentes, o grande ato heróico fora no governo collorido (no minúsculo), aquele que de uma foiçada só, roçou na raiz uma das mais importantes corporações pública do segmento rural, a EMBRATER – Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural, e ainda deixou acidez suficiente para o governo de FHC neutralizar a política agrícola brasileira e de tabela musculatura de muxiba para jogar uma pá-de-cal sobre os produtores rurais brasileiros.

Mas ajuda dizer que essa birra contra os roceiros produtores de comidas, fibras e agora a biomassa deste Brasilzão, vem de longe esta inteiriça. Iniciou quando nossas terras fora Ilha de Santa Cruz chegando ao presente andamento.

No principio na ala escrava, a feitoria dos feudais da cana-de-açúcar e do café, encontra mão-de-obra de graça, que findou de araque e daí foram empurrados para a fieira dos colonos, catapultados pelos grandes aristocratas fazendeiros, donde essa classe passa um bom tempo até submergir lavrador, meeiro, agregado, posseiro, parceleiro e depois batizado pelo povo do comércio (cidade) de Jeca Tatu. No final do século 20 estes jecas que continuavam a abastecer as tuias da cidade passam a ser alcunhados de caloteiros, predicado qualificativo não condizente às circunstâncias da política agrícola brasileira, mal plantada e cultivada por burocratas de plantão assentados no planalto central do Brasil.

O soterramento desta voçoroca viera no final da década de 90 pelo AGROBrasil S/A, que se reinventou, buscou os mecanismos de sobrevivência, aplicou tecnologias de ponta brasileira e cooptou mercados internacionais.

Mas a prova esta aí: o AGROBrasil S/A, a maior empresa de sociedade anônima do mundo, com esquadrão de produtores mecatrônicos, que presentemente planta e colhe a maior roça do planeta, e com um detalhe, plantação custeada quase totalmente com recursos conseguidos as vezes com venda antecipada para os mercados futuros via Trading, chegando este valor em mais de 70% do custeio. É tanto alimento produzido, que além de proporcionar a segurança alimentar para mais de 212 milhões de brasileiros (IBGE 2020), torna nossa balança comercial positiva, permitindo a tratar a pão-de-ló muitos barnabés do dito agronegócio, e servir de aparadouro para as línguas de algumas criaturas céticas por burrice ou por maldade relativo à figura do produtor rural. Preconizamos a estes descrentes se informar melhor, acerca do PIB brasileiro, do número de renda e empregos promovidos pelo AGROBrasil S/A, e ainda procurar saber quais são as cidades brasileiras com os maiores PIB e IDH Brasil adentro e ainda quantos milhões de hectares estes produtores reservam de suas propriedades para a natureza, para produção de água e refrigério para a nação.

Agora! O governo ajuda muito não atrapalhando.

Inté pra nóis.

*Roberto Jorge Sahium
é engenheiro agrônomo raiz, membro da Academia de Letras da Assistência Técnica e Extensão Brasileira.