Carlesse é cuspido para fora do Araguaia; povo exige um novo tempo!

  • 27/Out/2021 16h10
    Atualizado em: 28/Out/2021 às 10h21).

De Sampaio, no Bico, ao Jalapão, ou melhor, de todos os extremos dos pontos cardeais do Tocan-tins, o povo comemorou, no último dia 20, uma data histórica, diga-se de passagem, a expulsão de Mauro Carlesse do posto de regente do povo tocantinense, por um período de seis meses, de acordo com decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ancorado em fartas evidências de ilicitudes, como pilhagem dos recursos públicos, formação de quadrilha, conforme apontaram as investigações sigilosas efetuadas pela Polícia Federal. Pergunta-se: Carlesse ainda volta? Bem, em recente vídeo gravado, na encosta de uma mata de brejo, com aspecto amarelado e voz abati-da, asseverou: “Não sei o que está ocorrendo, nem meus advogados sabem, mas, de uma coisa eu sei, fiquem tranquilos, logo voltarei”. Em resumo, não dá para fazer uma previsão se ele ficará exilado no Jalapão, se vai parar atrás das grades, ou se voltará ao cargo, uma vez que o STF há muito deixou de ser uma Corte do mais alto respeito para se transformar num balcão de vendas de sentenças, soltura de marginais e traficantes da mais alta periculosidade. Portanto, oremos, jejuemos, para que o referido recurso não repouse nas mãos de um Gilmar Mendes desta vida.



O pedido de afastamento do governador Mauro Carlesse, feito pelo Ministro Mauro Luiz Camp-bell, do STJ e referendado em seguida pela Corte, veio acompanhado de uma forte operação da Polícia Federal (PF), a qual fez busca na casa do governador, na sede do Palácio Araguaia e na secretaria da Segurança Pública. Como resultado, o secretário da pasta e parte da cúpula da secretaria foi afastada, pois ali, pelo que se apurou, funcionava um laboratório de obstrução de investigações e vazamentos de informações em associação com integrantes da Polícia Civil. Sem dúvidas que, o governador afastado vai ter muitas dificuldades para safar-se das denúncias e fatos já comprovados de pagamentos e extorsão de propinas no Plansaúde, falcatruas em aquisição de fazendas e nas áreas nas quais há “fervedouros” de recursos públicos. Ora, não era segredo para ninguém, posto que até o mais pacato vendedor de espetinhos da esquina sabia da existência de um esquema criminoso comandado pelo governador e seus agentes, isto é, um verdadeiro complô aparelhado para extorquir empresários e auferir propinas, além de esquemas fraudulentos em contratos de licitação, cujos procedimentos estavam afastando muitos investidores do Estado.


Impeachment agora e já

O que já veio a público, é apenas uma parte da galeria de esgotos de sujidades que escorriam a céu aberto para o lago de lama construído nesses quase 5 anos de desgoverno Mauro Carlesse. Aliás, o volumoso inquérito de cerca de 5 mil páginas, que corre em segredo de justiça em Brasília, vai deixar a sociedade tocantinense estarrecida e pasmada ante os escabrosos atos de gatunagem. De modo que, diante das desavergonhadas constatações de malversação no uso dos recursos e bens públicos, o novo governo não pode prescindir de contratar uma ilibada e conceituada empresa de auditoria, a fim de averiguar tudo que ocorreu nesses anos em que o Estado foi assaltado. Ato contínuo é dever imperioso dos deputados do parlamento estadual instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), apurar minuciosamente os desvios de má conduta do governador e seus asseclas e, comprovado os ilícitos, coisa fácil como encontrar nestes tempos pequi em nosso cerrado, votar a sua imediata cassação, exigindo-se a devolução dos recursos surrupiados do erário.



Ademais, 6 meses passam na velocidade da luz. O que se sabe, de fontes seguras, é que um gran-de esquema foi montado através de seus advogados em Brasília para, pelo menos, assegurar a sua volta após o tempo de suspensão da sua governança. Portanto, caso ele volte, virá espumando de cólera, montado no cavalo ira de esporas, cujos adversários serão tratados a chibatadas, à luz do dia, onde forem encontrados. Uma lição, é bom que se diga, vai ficando para toda a classe política tocantinense, ou seja, quem governar este Estado, sonhando em amealhar vantagens indevidas para si, colocando o verbo roubar na sua plataforma de gestão, acercando-se de assessores vadios, puxa-sacos e baba-ovos, os quais estão encastelados nas repartições de governo e órgãos políticos, terá passagem curta pelo Palácio Araguaia, pois há um Juiz que vê tudo dos altos céus, dirige a mente de magistrados honrados para que a sua soberania sobre o universo seja reconhecida e temida pelos que são convocados para dirigir o destino dos povos.


O Jalapão quase foi engolido

Não foi por acaso que este jornalista começou, ainda no início deste ano, a denunciar um complô do então governador Mauro Carlesse, que tinha por finalidade tomar de assalto as riquezas natu-rais do Jalapão e suas terras a preços de algodão doce. Afinal, se houver uma apuração isenta e séria, as extensões de terras estão bem distantes da que foi adquirida e noticiada recentemente ao custo de R$2 milhões. Os investigadores precisam ir aos cartórios da região e verificar a lam-bança que estava sendo praticada. No que concerne ao Jalapão, o novo governo precisa avaliar a construção do aeroporto em São Félix, notadamente fora do eixo turístico, pois o local correto é Mateiros, onde se encontra o maior fluxo de visitantes, sobretudo nas dunas e fervedouros. Além do mais, acredita-se que a concessão do Parque do Jalapão seja cancelada, em razão de ser um projeto contra os anseios da população, dos empresários do setor e sem nenhuma justificativa para se comparar aos parques de outros estados brasileiros. Em suma, que as minas de ouro de Almas e Monte do Carmo, nas mãos de empresas idôneas, possam entrar em operação, gerar divisas para todos e, é claro, sem a intermediação de atravessadores, os quais cobram propinas e ainda querem ser sócios dos empreendimentos.



  *Goianyr Barbosa é jornalista e consultor político