No desespero, governador arma arapuca para pegar os passarinhos do Jalapão

  • 13/Out/2021 07h56
    Atualizado em: 13/Out/2021 às 07h59).

*Por Goianyr Barbosa

Com o meu, com o seu, com o nosso suado dinheiro do tesouro estadual, uma comitiva de prefeitos das regiões do Jalapão e do Vale do Araguaia, no qual se encontra o belo Parque do Cantão, constituída ainda de servidores públicos estaduais, além de alguns representantes das comunidades quilombolas, não obstante os líderes mais representativos não terem sido convidados, esteve por rês dias no Rio Grande do Sul, na região da Serra Gaúcha, e no Paraná, em visita aos parques estaduais das cidades de Cambará do Sul, São Francisco de Paula e foz do Iguaçu. Pelo que esclareceu o governo tocantinense, a viagem teve como finalidade conhecer o funcionamento dos parques das referidas cidades já cedidos à iniciativa privada. Ressaltando que os prefeitos João Martins, de Mateiros; Carlos Ribeiro, o Carlão, de São Félix, e Cléber do Sacolão, de Ponte Alta do Tocantins, cidades onde estão o centro gravitacional do turismo no Jalapão tiveram seus motivos para não estar entre os passageiros da comitiva.

O prefeito João Martins mandou o seu vice, não quis desmarcar compromisso já assumido anterior ao convite. Aliás, Martins tem dito que prefere ficar ao lado do seu povo, que não vê com bons olhos o projeto de concessão do Parque, a entrar numa aventura que pode pôr em risco a soberania de um povo. Por sua vez, o prefeito Carlos se negou a viajar e muito menos mandar representante. Afinal, vive um bom momento administrativo, sobretudo quando teve a coragem de não concordar com um projeto que para ele, é sem consistência, carece de um debate mais aprofundado, portanto descabido. Enquanto Carlesse amarga 63.64% de reprovação popular em são Félix, segundo pesquisas, localidade onde realiza nos finais de semana seus festejos, o prefeito, de modo inverso, desfruta de 66.36% de aprovação administrativa. Por fim, o prefeito Cléber mandou o seu vice representá-lo, pois, a meu ver, achou mais prudente acompanhar os problemas diários do seu povo do que arriscar contrair Covid em terras alheias.

O Sul não ensina nada ao Jalapão

É impossível prever, dentro das hostes palacianas, de quem partiu a ideia estapafúrdia de visitar os parques do Sul do Brasil com o objetivo de implantar o modelo de concessão em, pelo menos, três parques tocantinenses. Apesar de não ser profeta, arrisco-me a dizer que esse heteróclito seja o mesmo que vem perturbando a mente do governador, convencendo-o de que seja possível, mesmo ao arrepio da Lei, concorrer ao governo pela terceira vez. Pois bem, em Cambará do Sul, cidade de 6.048 habitantes, de acordo com o senso de 2020, local da primeira estadia, a visita de maior relevo foi no Parque Aparados da Serra. Pelo que me informou ao telefone, um dia após a visita da comitiva, o secretário de Turismo Tiago Feijó, no parque não há hospedagem e muito menos alimentação. Todo o gasto nessas áreas é feito na cidade. Ressaltou que a alta demanda de turistas é tão grande, que a cidade necessita de mais investimentos na rede hoteleira. Portanto, bem diferente da realidade do Jalapão. E mais, a vizinha Gramado, cerca de 113 km de Cambará, recebe em torno de 6,5 milhões de turistas ao ano. Como conciliar o que se vive aqui com o Sul?

A próxima parada da comitiva tocantinense foi em São Francisco de Paula, também na Serra Gaúcha. Município de 21.801 habitantes, segundo dados do IBGE de 2020, ali a Floresta Nacional de São Francisco já passou pelo processo de cessão, mas não está ainda em operação. De maneiras que pouco proveito se teve por lá. Segundo a coordenadora de Turismo e Cultura de São Francisco, Vanessa Spindler, que também falou conosco, cerca de 2,5 milhões de turistas vão ao local por ano praticar ecoturismo. Em suma, os dados aqui relatados servem apenas para mostrar que a realidade dos parques nessas regiões muito difere das condições enfrentadas no Jalapão. Finalmente, a última cidade por onde passou a comitiva foi Foz do Iguaçu, que conta com 258.248 mil habitantes. Segundo a revista Exame, Foz é o terceiro destino de turistas no país e o primeiro na região Sul. Em 2019, foram quase 1 milhão de turistas que visitaram a cidade. Lembrando que ali estão as Cataratas do Iguaçu e a Usina Hidrelétrica de Itaipu. São realidades com contrastes diferentes.

Uns minutos de prosa, governador!

Governador, vou puxar uma “trepeça”, como é conhecida em minha terra, senta-se ao meu lado para uns minutos de prosa. O senhor já foi a Lizarda, no Alto Jalapão, de carro? Sabia que os moradores e pessoas que para lá se deslocam ou retornam usam o caminho de Rio Sono, em face das estradas estarem intrafegáveis, e não é de agora? Quando adoece uma pessoa, casos graves, o medo de o paciente falecer pelo caminho é enorme, em razão dos sacolejos provocados pelas estradas imprestáveis? Governador, tem mais: se Vossa Excelência reunisse com a nossa bancada no Congresso, tendo à frente o senador Eduardo Gomes, e buscasse recursos para, pelo menos, fazer obras de arte e levantamento da TO que liga Novo Acordo a Lizarda, e daí até a divisa com o município de Santa Filomena, no Piauí, diminuiria o trajeto em 400 km para quem vai ao Nordeste por Araguaína. Aí, sim, Vossa Excelência impulsionaria o turismo na região, reintegrando Lizarda no mapa do Estado, não segregando aquele altaneiro povo. Na verdade, nunca convidou a prefeita Sussu para discutir com responsabilidade os problemas que afetam a região de Lizarda, todavia, no mais puro interesse, a convoca para integrar a comitiva de passeio, corrigindo, de “conhecimento” aos parques no modelo de cessão do Rio Grande do Sul e Paraná.

Governador, seu tempo é precioso, espera mais um pouquinho! Olha, já puseram até nome na TO que sai de Lagoa do Tocantins de“TransCarlesse”. Comentam, por exemplo, que os 50 km de asfaltamento, pela ordem de serviço, só vão até a sua fazenda. Isso é o que se ouve a todo o instante pela boca do povo, o que tem gerado revolta e protestos do povo da cidade histórica de Novo Acordo, uma vez que o projeto original de asfaltamento partia de lá. Com a estrada por Lagoa, que não tem vocação turística, Vossa Excelência sepultou a sete palmos o turismo florescente de Novo Acordo e região. É fato, em Novo Acordo o governador perdeu por completo qualquer vestígio de capital eleitoral.

Governador, vamos falar de Mateiros. A cidade recebe uma média de 40 mil turistas anuais. Vossa Excelência, por acaso já ouviu falar que são grandes as ocorrências com turistas nas localidades? Por que o seu governo não colocou ainda uma unidade de saúde, com médicos em diversas especialidades para atender os turistas nas suas ocorrências? O prefeito vem fazendo fretamentos constantes de aeronaves no socorro de pessoas, às quais ficam, nestes casos, impossibilitados de serem transportadas por ambulâncias, em vista do caos nas estradas.

Finalmente, mais uma sugestão, governador! Contrate a empresa da Mônica Avelino, especialista em urbanismo ou outro profissional que seja daqui, a fim de que as praças e ruas de Mateiros, de São Félix, Ponte Alta, Lizarda, sejam revitalizadas, adornadas, convertendo-as em cartões-postais de visitas dignas dos turistas que chegarem do Brasil e do Mundo. A propósito, contate com o senador Eduardo Gomes e marque uma audiência com o presidente Jair Bolsonaro, reivindique que o Exército faça a rodovia de Ponte Alta a Mateiros ou a de Dianópolis a Mateiros. Com projetos e planejamentos dessa envergadura para o Jalapão, aí sim, pode-se pensar em projetos maiores de desenvolvimento, desde que passem, porém, pelo crivo aprovatório do povo. Fica o bom conselho: deixem o povo jalapoeiro e o Jalapão em paz! Eles agradecem.

*Goianyr Barbosa é jornalista e consultor político