A Engenharia Agronômica & O Engenheiro Agrônomo do Tocantins

  • 12/Out/2021 11h01
    Atualizado em: 12/Out/2021 às 11h07).

*Por Roberto Jorge Sahium

O ato de surgir da agronomia foi atendendo a necessidade de ajudar na sobrevivência humana na terra, fora atropelado pelo tempo e ignorância. Tudo principiou na China, foi para o Oriente Médio e daí alcançou a Europa, brotando aqui nas Américas, ainda sem confirmação como foi esta germinação. Era o período do Neolítico ou o tempo e clima da 1ª revolução agrícola, assim consideram vários historiadores.

Esta revolução agrícola passou por inúmeras mudanças, foi a base da economia de muitas sociedades, atendeu a demanda por certo tempo, o que permitiu a permanência dos indivíduos nos primeiros assentamentos e povoações na pré história, fez surgir a escrita, matemática e astronomia.

Em solo europeu, muito tempo depois de Robin Hood, guerra dos 100 anos, as doenças chegam, aumento da população europeia desenfreado, queda do feudalismo, ajustamento social e revoltas, obrigou a fome bater na porta da Europa. Como respostas a estas crises criaram o Eurocentrismo e partiram para as Índias em busca de misturas e especiarias. Ao contornarem a África algumas frotas com caravelas equipadas com bússolas indignas ancoraram nas Américas. Na Índia arranjam as especiarias, na África conseguem escravos e nas Américas, além de pratas e ouros, conseguem comidas e frutas que nunca tinham visto, que foram e estão sendo a salvação da Europa até hoje. Exemplo temos a batata do Peru que virou batata Inglesa, tomate italiano, etc.

No Brasil o PIB desde sempre é roceiro: primeiro foi a mandioca que vira tapioca e pelos portugueses vira moeda de troca; vem por embarcação a cana-de-açúcar e o café, que por muito tempo adoçou os bolsos dos aristocratas nordestinos.

A concorrência dos holandeses, extinção da escravidão, mudança do eixo econômico do país para o sudeste do Brasil, faz a aristocracia entrar em falência e pressionar o Governo Imperial, que em caça de solução para os engenhos e lavouras cafeeiras do nordeste derruídas, bem como para os pecuaristas do Rio Grande do Sul produtores de carne de sol economicamente corroídos. Imperador então cria o Imperial Instituto Baiano de Agricultura, em 1.859, a Escola de Agronomia no Brasil, na comunidade de São Bento das Lages em 1.875 e a Universidade de Pelotas em 1.883, sabia o imperador que colocar sal em carne estragada não resolveria a situação e tinha visão de que somente com qualificação de mão-de-obra, conhecimento de comércio interno e externo, tecnologias de produção e competividade das atividades agrícolas a economia alavancaria.

Após o surgimento da Agronomia, o sistema de produção agrícola passou a receber incrementos crescentes de recursos externos. A posse do saber agrícola, historicamente acumulado no homem do campo, foi gradativamente deslocada para os meios intelectuais e incorporada na tecnologia, na condição de propriedade do capital, aprofundando a divisão entre a concepção e a execução do processo produtivo, restando para o homem do campo o trabalho braçal. Mas nada de regulamentar a profissão de engenheiro agrônomo.

Porém por ato de sorte, quis o destino que o filho do Presidente do Brasil Getúlio Vargas (1.930 a 1.945), ingressasse como aluno do curso de Agronomia da ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba – SP. Com senso de esperteza e oportunidade ligadas na mesma tomada, a direção da ESALQ elaborou um projeto de decreto, propondo a regulamentação da profissão de Engenheiro Agrônomo e convence Manuel Vargas, conhecido por Maneco Vargas, juntamente com alguns colegas que se destacavam como líderes de classe, a irem ao Rio de Janeiro com a nobre missão de levar até o seu pai, o Presidente da República Getúlio Dornelles Vargas o tal pedido.

Recebidos, e após pernoitarem no Palácio do Catete, foram encaminhados ao Ministro da Educação e Saúde Pública, Washington Ferreira Pires, portando um bilhetinho, cujo teor era: atenda o pedido dos meninos.

É esse o breve histórico de como nasceu e tornou-se realidade o Decreto n° 23.196, de 12 de outubro de 1933 que regulamentou a profissão de Engenheiro Agrônomo e definiu suas atribuições. Esse decreto foi um marco histórico para a profissão, consagrando o dia 12 de outubro como o Dia Nacional do Engenheiro Agrônomo. A engenheira agrônoma e o engenheiro agrônomo são profissionais importantes para a economia brasileira. Afinal, somos responsáveis por levar comidas fresquinhas e de qualidade para os pratos de mais de 200 milhões de brasileiros e juntamente com milhares de produtores de commodities somos responsáveis pelo superávit da balança comercial brasileira, que mantém a credibilidade do Brasil lá fora. Só por isso, merecemos comemorar estes dois dias especiais: 13 de setembro é comemorado o Dia Mundial do Agrônomo; e 12de outubro o Dia Nacional do Engenheiro Agrônomo.

Bora comemorar os dois dias, porque a escalada para que a Engenharia Agronômica, fosse reconhecida, cuja contenda começou na pré história e vai até a era Contemporânea, compreendido entre a Revolução Francesa de 1789 e os dias atuais, período histórico marcado por transformações profundas na organização da sociedade e também por conflitos de amplitude mundial.

Perante isso a Nova Ordem Agronômica, sabem que serão convocados a ajudar a aumentar em 70% a produção de alimentos no mundo até 2050, estimativa da ONU/FAO, onde a Nova Agricultura, apresentada num cenário de globalização, mudanças organizacionais e mudanças climáticas, um novo panorama energético que envolve uma realidade conjuntura nacional e internacional, atrelada à responsabilidade social e ambiental de muito peso. Contexto em que a multidisciplinaridade dos profissionais serão voltadas a proporem soluções em produtos e serviços e orientar os agricultores sobre as melhores práticas, como o uso racional dos recursos naturais, visando produzir mais e melhor e de forma responsável, alimentos para atender à crescente demanda mundial. Mais do que apenas dominar as tecnologias agronômicas, o novo profissional, além de ajudar o produtor rural a entender melhor diversos aspectos, que vão desde questões de tendências de mercados atuais e futuros e negócios, até as tecnologias de precisão e informação de climatempo, mercados atuais e futuros, visando competividade e agregar valor às cadeias produtivas.

O desafio também é grande para as instituições formadoras, pois a grade curricular do curso de engenharia agronômica deve estar sempre ajustada às demandas de mercado, em especial para a formação do engenheiro agrônomo empreendedor e assim ficar atentas e flexibilizar as mudanças durante o curso, atualizando periodicamente o conteúdo programático da formação do profissional, visando adequá-lo a um mundo em constante transformação, pois, durante o período de cinco anos exigidos, as demandas da sociedade mudam intensamente. Evidente que, com o aumento das oportunidades vem também o aumento das responsabilidades, alimentar quase 10 milhões de pessoas em 2050 não será tarefa fácil.

Segundo o Engenheiro Agrônomo Fernando de Andrade, a rigor, as possibilidades atuais de atuação do profissional engenheiro agrônomo são muito maiores e, sua performance, invariavelmente, vai muito além do campo, do meio rural. Ao contrário do que acontecia no passado recente, onde Agronômica era uma ciência romântica, incluída como a arte de cultivar os campos, onde o profissional era forjado nas universidades, essencialmente para atender a demanda do serviço público, para ser o agente do governo, mensageiro e condutor das ações de política agrícola dos governos federal e estadual. Em muitos casos eram contratados ainda na faculdade, com opção de escolha, dentro da sua melhor conveniência.

Assunto tem muito, mas vou arrematar: Em 1.936 Maneco Vargas, do Presidente do Brasil Getúlio Vargas forma-se engenheiro agrônomo.

Revolução Verde que no Brasil estabeleceu-se em 1.960/1.970, na realidade, começara a ser rascunhada lá em 1.930.

E glorioso do mesmo modo foi o Presidente do Brasil General Artur Costa e Silva, pela Lei Nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966 – que regulamenta o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro Agrônomo.

É dia 12 de outubro! Parabéns confrades engenheiras agrônomas e colegas engenheiros agrônomos do Estado do Tocantins e do Brasil.

Dia 12 também é dia das crianças e de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

Inté pra nóis.

*Roberto Jorge Sahium é engenheiro agrônomo raiz, membro da Academia de Letras da Assistência Técnica e Extensão Brasileira.