Pirarucu 2021

  • 05/Out/2021 10h22
    Atualizado em: 05/Out/2021 às 12h46).

*Por Roberto Jorge Saihum

Ilustre Tocantinense,

Hoje irei fazer uma vassalagem que acredito ser justa. Vou contar a verdadeira estória de um tocantinense ilustre, mesmo sabendo que acolá tem gente que vai dar birra e bater os pés pra dizer, que, o que vou fabular é narrativa de pescador. A despeito de quê, as narrativas rabeiramente vem desbancando a veridicidade, a nossa não tem essa intenção. Alto cá, digo, não é bem assim, não é narração inventada para comoção, promoção de um ser que merece nossa atenção.

Contar histórias ou criar estórias e/ou inventar fábulas é tarefa de muita carne moída pra encher lingüiça. Espere ai! Carne? Tá muito barato aqui no Brasil, em torno de US$ 55,72/@. Caro está lá pras banda dos estranjas, só pra dar lugar a estes fenômenos acontecendo no mundo todo, exemplos vem da América, os gringos estão pagando mais de US$ 100,00 por um bife de vaca e na outra banda da terra, pra do lá do fim do mundo, na terra do ativista Bono, da Banda U2, o preço da carne de boi é US$ 73, 80/@.

Desculpa aí, desviei a prosa, neste texto daqui, tenho de versar sobre os peixes. Digo, sobre os Peixes da Amazônia! Em distinto os que vivem zanzando nas corredeiras ou águas paradas do nosso Estado do Tocantins.

Assim, partiu hoje falar em de um dos animais mais fantástico das nossas aguadas, transformado em Rei pelas suas especialidades e por nunca ter participado de nenhum ninho de nepotismo, desde criancinha na Pangeia e adulto aqui na Amazônia Legal. Estou a falar do magnifico Arapaima gigas, popularmente conhecido por Pirarucu. Pelos torrãozeiros dos campos alagados do Rio Araguaia recebe o apelido de Pirosca.

Era uma vez!!!!!

Num mundo dentro de um grande terreno de relevo rebaixado, um buraco de expansão colossal com luz solar, florestas e riachos. Morada dos valentes, vaidosos e brigões guerreiros que deram origem ao povo Iny. Prova disso é a Geologia, que não me deixa compor esta parábola sozinho, este paraíso era versado de Depressão do Araguaia. Neste mundo dentro da terra tinha também uma quantidade maravilhosa de aves e em especial as Araras, que deram nome ao local de Araguaia, cujo significado é Araras mansas.

Na época a guerra inclusive com baixas, entre aldeias uma grande satisfação desta Nação. Pirarucu era um jovem Iny de uma das povoações, forte, formoso, aguerrido, justo, não partilhava das crueldades da sua gente. Sempre pronto para ajudar os outros, principalmente as crianças, mulheres e idosos da sua nação, isto criou uma imensa política de má querência, ciúmes e muita inveja entre os guerreiros. Tupã, furioso de corpo e alma no seu pedestal de Rei dos Reis pelas atrocidades praticada pelo seu povo, resolveu castiga-los. Encomendou à Deusa das chuvas e tempestades a Juruá-Açu, um imenso temporal, com trovões de rasgar os céus, ventos e redemoinhos de deixar Nhanderuvuçu de queixo caído, e assim aconteceu.

Ao grande Cacique, os invejosos disseram que o Tupã estava enfurecido e a causa de toda aquela desgraceira de tormenta era o Pirarucu, que estava a salvar os flagelados das enchentes.
Agitando os movimentos, os contras e malditos inimigos do Índio Pirarucu, persuadiram o Cacique dizendo que para ocorrer o estancamento das chuvas, teriam que sacrificar as pessoas improdutivas da aldeia e junto o Pirarucu que estava sempre ajudando-as.

Permissão conseguida, os movimentos democráticos da época, levaram o Pirarucu para a mata, surrando-o até seu corpo perder os sentidos, neste ajuizamento usaram varas-de-Piranheira e cipó-de-Jurema, e para achatar sua cabeça usaram pedras de folhelhos vermelhos de arenitos. Iara, Deusa da águas e das chuvas, ainda muito jovem, irmã caçula de Juruá-Açu, vê aquilo e com muita compaixão do pobre moribundo arrastou para o fundo de uma aguada e lá nas profundezas Iara muito bondosa o tocou com varinha-do-milagre, fizera respiração boca a boca no paciente e aplicou-lhe curativos feitos com óleo de Podoi que guarda em seus princípios ativos propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e analgésicas. Na cabeça pelo fato de Pirarucu ser muito inteligente e nos flancos próximo ao sistema genital foram as partes mais penitenciadas no pirarucu, partes onde Iara usou unguento ferroso de pasta da Pedra-Ganga. E as tempestades continuaram, transformaram em dilúvio, depressão enchendo de água, barrancos deslizando e o buracão engolia tudo.

La pelas bandas do Oriente, Noé em sua barca, salvou um casal de cada vivente da região, também citado em Gênesis 6-12[1][2] e assim como no Alcorão. Por aqui o serviço de salvamento ficou por conta do Pirarucu, agora, um peixe de corpo avermelhado pelo unguento de pedras oxidadas do primitivo cerrado, com robustas e potentes nadadeiras e dois aparelhos respiratórios. O Pirarucu usa as branquias para a respiração aquática e a bexiga nadatoria modificada pela varinha-mágica de Iara, especializada para funcionar como pulmão, no exercício da respiração aérea.

De caráter nobre Pirarucu não guardou mágoa e assim todas as vezes que subia para respirar na superfície fora da água, trazia consigo das profundezas do buraco das águas os animais, as plantas e o povo Iny. Fez isto por muito, mas, muitos anos.

Após o dilúvio o barro sedimentou a grande depressão numa savana de topografia muito plana e se transformou, conhecida por varjões da Ilha do Bananal, em lugar sagrado pelos Índios Javaés que a denominam por Iny òlòna, o lugar de onde surgiram ou saíram de baixo os humanos, ou Ijata òlòna, o lugar de onde surgiram as bananas.

O Pirarucu por muitos anos fez oca e uma loca em uma fonte d´água que margeava a ex-depressão, o qual recebeu o nome de Ribeirão do Pirarucu, em homenagem ao grande feitio do peixe-guerreiro. Quem quiser conhecer a primeira morada de Pirarucu, vá ao Ribeirão Pirarucu, situado na divisa dos municípios de Figueirópolis com Formoso do Araguaia, aqui no Estado do Tocantins.

Pirarucu, depois que tudo serenou, decide conhecer o mundo novo e daí de sua morada rumou e no Rio Formoso, entrou pelo Lago do Caracol ao Rio Javaé chegou, parou uns dias nos lagos do Mamão e Sororocam dentro da Ilha do Bananal e por aí povoou, também deixou raça nos lagos Escondido do Domingos Pereira e Butelo na Capiaba, fez morada na Lagoa Bonita em Dueré e Lago da Pedra em Pium procriou, no Cantão por uns tempos ficou e o Rio Araguaia tomou, o Rio Tocantins assegurou, no Rio Amazonas e seus tributários mergulhou, ao Pará, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá chegou, e por volta de 1.822 de Arapaima gigas Cuvier o batizou, e da lista de peixes em extinção parou, a piscicultura de pronto entrou, tirá-lo desta lista se prontificou e para isso conhece-lo melhor a pesquisa ainda não o suficiente caminhou.

O que sabemos deste ilustre tocantinense é que sobre ele ajuíza num peixe de obstinação que tem na perpetuação da espécie sua maior peregrinação. A despeito de aparecer museólogo e ao mesmo tempo domar a inteligência natural, por se tratar de uma criatura que cruzou vários espinheis pendurados pela linha do tempo e prepara-se para atravessar o túnel do futuro com ajuda da piscicultura.

Fisiologicamente conservar-se aparelhado com instrumentos de orientação em tempo real, fuselagem revestida de blindagem extremamente resistente para enfrentar as mudanças climáticas e o aquecimento global. Em outras palavras, pode-se afirmar que com relação as mudanças climáticas, que envolvem fenômenos naturais como diminuição da água, aguadas de qualidade precária e comprometidas pela baixa taxa de oxigênios, temperaturas elevadas e altas concorrências pelo poço, na concepção do pirarucu ele vem trabalhando isso a muitos milênios de anos. Tem corpo protegido por uma armadura de rei, respira dentro d´água e fora d´água, come o que gosta e o que não gosta. E um prodígio sobrevém quando nas primeiras trovoadas, as enxurradas entrando nos minguados e barrentos lagos, acende no Pirarucu um estimulo de procriação para a perpetuação da espécie e assim a fecundação ocorre em ninhos no fundo arenoso das águas rasas.

Quanto ao aquecimento global, refere-se mais especificamente ao aumento médio da temperatura na superfície da terra, nisso o pirarucu vai topar uma chaleira infernal, mas em relação a outros peixes tropicais se sairá melhor, por ter sido professor do senhor da guerra.

Mas o ilustre tocantinense tem segredos guardados a sete chaves, e pelas nossas limitações ou pouco conhecimento sobre a biociência desta espécie para ajudá-lo, e será que precisa de adjutório é empreitada intricada. Todavia, conseguir descendentes deste Rei afim de constituírem vários reinados, precisamos da d´mão de São Francisco, o Santo padroeiro dos animais, inclusive os das águas, para nos ensinar a ter simplicidade para obter primeiro empatia com peixes e segundo sabedoria. Mas os pesquisadores envolvidos com peixes e em especial o Pirarucu reconhece que a reprodução artificial não caminhou o suficiente, dizem que investimentos tecnológicos são insuficientes e de forma condizentes engasga os afazeres e andamento das pesquisas.

Todos sabemos que o dinheiro arrecadado pelo grande cofre, primeiro vai alagar as afogadas contas sobrenadantes e as contas secretas das santidades que tornaram a praça dos Três Poderes (executivo federal, legislativo e judiciário) de Brasília em uma espécie de Vaticano do Brasil, apesar de ter sua soberania notória pela maioria da população brasileira, porém não reconhecida, oficialmente, trata-se de um governo absolutista, congregando aí um dos maiores PIB mundial. O que sobra disso tudo vão para as contas não essenciais que só o povo do Vaticano sabe quem são.

Mas continuo acreditando que as Embrapas esparramadas por todo o território da Amazônia Legal vai e/ou vão trazer respostas concretas acerca do andamento das investigações sobre o pirarucu, o ilustre e importante Arapaima gigas. Mas tem que ser rápido esta resposta, porque em nome de salvar a piscicultura já introduziram a tilapia, o panga, as carpas, bagre-africano e logo virão outros como o peixe-tigre. Enquanto isso, excelentes peixes brasileiros para produção de carne estão sendo levados principalmente para os países Asiáticos, Oriente Médio e outros lugares deste mundo.

Ah! Só para curar a curiosidade de muitos, o Pirarucu tem sua parceira.

Tupã querendo redimir da besteira cometida, fez da costela do Pirarucu Macho a Pirarucu Fêmea, não do rabo para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo da nadadeira lateral, para ser protegida e do lado do coração para ser amada e juntos estão nadando pelo resto da vida.

Inté pra nóis.

*Roberto Jorge Sahium é engenheiro agrônomo raiz, membro da Academia de Letras da Assistência Técnica e Extensão Brasileira.

Obs: Personagens coadjuvantes desta fábula.

Iny: nome dos antepassados dos Carajás e Javaés.

Tupã: é o grande criador dos céus, da terra e dos mares, assim como do mundo animal e vegetal. Além de ensinar aos homens a agricultura, o artesanato e a caça, concedeu aos pajés o conhecimento das plantas medicinais e dos rituais mágicos de cura.

Juruá-Açu: é uma deusa do panteão Tupi-Guarani que está associada à chuva e ao orvalho e irmã mais vela de Iara.

Nhanderuvuçu: é o que ordenava o caos na terra.

Iara: Uiara ou Mãe-d'água é uma linda sereia que vive nos rios amazônicos. Sua pele é parda, possui longos cabelos verdes e olhos castanhos.