Traíra & Trairagem

  • 30/Set/2021 10h58
    Atualizado em: 30/Set/2021 às 11h02).

*Por Roberto Jorge Saihum

Traíra

Bicho d´água, passou eras e eras se aparelhando para vencer os barrancos deste mundo e chegar aos dias de hoje considerada. Predileção por sombras e escuridão quando deve, forte, ágil e feroz quando a hidrosfera favorece, predicado que impediu a Traira ser um peixe boa-praça.

Até pouco tempo muitos achavam que a Traíra, vinha a esta terra por gênese natural, nascia do barro de tão rude.

Dos indígenas brasileiros recebeu o nome de “tere´ira”, que significava peixe briquento. Depois virou “taraguira”, pra traíra foi um pulo.

Purrete, Cacete, Pau-de-Fogo e até Lobó, estas são algumas alcunhas da nossa Traíra pelo Brasil.

Na roça junto com arroz e feijão é uma das matulas mais populares, ajudou e ajuda a afugentar a fome. Facilmente encontrado em ribeirões, lagoas, lagos, brejos e veredas.

Cara de brava, cabeça dura como a frente de um blindado de guerra, olhos salientes e potentes para visão inclusives noturnas, usados para guia-la durante os ataques certeiros. Bocarra apinhadas de dentes afiadissimos, abocanhadas certeiras e quem experimentou sabe que a dentada é sangrenta e doída. Com esta atitude de instinto treteiro, no fundo é predicado de intuição, que teve que atravessar a rocha do tempo, alojar-se no presentemente temível e projetar-se para o futuro como um veloz torpedo é seu intuito, e entre boas e más querências, promete muito mais que matula de roceiro mas um peixe esportivo, carne apreciada por muitos, potencial para a piscicultura, principalmente à medida que os estudos se intensificam, revelando um peixe salubre, uma riqueza até então ignorada, porém, pronta para diversificar os criatórios de peixes do Brasil, em especial a do Tocantins.

Trairagem

No famoso pai dos burros, traíra também é substantivo masculino e feminino, e ordinariamente adjetiva uma pessoa que trai ou que engana ou exercita o desporte de trairagem e de desconfiança. Nas formas verbais: no gerúndio sempre nós traindo; e no indicativo do futuro presente eles trairão, sem burocracia, transformando trairagem em uma modalidade esportiva preferidas por muitos. Amigo da Onça.

Bulinando aqui nas ideias, aprumando pra mais adiante, vejo que um bocado de brasileiros mais uma vez cometeu uma tremenda traição, pedindo democratismo do Brasil. Será que este povo é moco, não vê que nossas Divindades acolá em Brasília tudo fazem é em prol da moralização do Estado Democrático.

Também vimos quase toda a nação brasileira pedindo para que nossa bandeira continue verde, amarela, azul e branco, tarefinhas que vários semideuses de certos estados e municípios brasileiros estão cuidando para que esta mudança de cor de nossa bandeira seja feita em uma tran$ição bem compen$adora, com as bênçãos das Santidades das Basílicas da Praça dos Três Poderes, cada qual no seu quadrado, com mais elevados graus de sacrifícios, tudo por nosso país, pelo nosso povo, pelas nossas famílias em uma ação de dedicação, aflição e retidão, com conclave queimando angu de carroço recheado com ratos, usando altos fornos da Politica do Brasil. Aquele forno que nunca se apaga e a fumaça sempre é negra e fedorenta.

Outra besteira promovida pelo movimento verde e amarelo é repatriamento do dinheiro aqui aliviado, reclamação sem pé e cabeça de muitos brasileiros traidores. Ainda bem que as Divindades do Brasil não querem que esta dinheirama volte. É dindinho demais, vai trazer muita infelicidade, dizem as santidades, nos seus pareceres, com argumentos técnico-científicos realistas. Na moral deixe este dinheiro lá onde está. Pois, com o dinheiro aqui o povo brasileiro em geral ficará infeliz e ainda obrigar outros à sofrerem em Paris, Barcelona ou Miami.

E os muitos brasileiros com inveja destes homens e mulheres honestos e honestas, éticos e éticas, entupiu as redes sociais, com notas ínvidas e delituosas, inundando-as com preconceitos e discriminações, advindas do legado histórico e de circunstâncias sociais às quais estamos atrelados desde quando os portugueses colocaram os pés aqui.
Baita trairagem desses brasileiros, e como punição mínima, por portar quaisquer equipamentos para fotografar e difamar os casos acima relatados deveriam ficar sem segurança, saúde, educação, e sem internet. Só para começar.

Ôpa! Ia esquecendo, que dia desses passado teve um jantar na residência de uma Celebridade do Congresso Nacional, quase todas Divindades de outras Basílicas estavam representadas. A entrada foi porções de traíra em cubos crocantes, dentro de conchas gratinadas com maçarico acompanhado de cachaça bagaceira de mandioca safra do ano de 1.534.

O prato principal, veio a traíra desossada grelhada sobre fondue de queijo suíço e mortadela com tomate desidratado e laranja (não aquele que recebe no lugar de outro) acompanhada de risoto de maçã-do-peito do Friboi, onde seus proprietários, além de inocentados se foi e ervas finas liofilizadas e colhidas nas hortas do Jaburu safra 2017/2018.

Inté pra nóis.

*Roberto Jorge Sahium é engenheiro agrônomo raiz, membro da Academia de Letras da Assistência Técnica e Extensão Brasileira.