No Jalapão, 74,17% são contra a concessão do parque, e 73,18% reprovam o Governo Carlesse; é o que diz pesquisa.

  • 28/Set/2021 10h02
    Atualizado em: 28/Set/2021 às 10h07).

*Por Goianyr Barbosa

O Ipepe, instituto de pesquisas sediado em Palmas, com quase duas décadas de atuação no mercado eleitoral e mercadológico, dirigido por este jornalista, esteve dias 17 e 18 de setembro nas cidades de Ponte Alta do Tocantins, Mateiros e São Félix a fim de consultar a opinião dos jalapoeiros a respeito da lei estadual aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa, sob forte pressão contrária das comunidades e dos povos daquelas localidades, a qual autoriza a concessão do Parque Estadual do Jalapão à iniciativa privada. O estudo, por sua vez, avaliou a gestão estadual e as gestões municipais dos respectivos municípios, além de aferir, ainda, pontos relevantes à compreensão do tema em questão. Nesse sentido, a primeira indagação foi procurar saber dos entrevistados se estes sabiam ou já tinham ouvido falar da Lei que autoriza o Estado a repassar na modalidade de concessão o Parque Estadual do Jalapão à iniciativa privada. Pelos dados apurados, 93,38% já tinham conhecimento sobre do assunto, contra apenas 5,63% que afirmaram não ter conhecimento do tema. Já 0,99% não opinou.

Passo seguinte, foi questionado entre os que tinham conhecimento da Lei de concessão, se eles eram contra ou a favor de ceder o Parque. Conforme os números, 74,17% se manifestaram contrários à medida do Governo Carlesse, ou seja, a outorga do Parque, enquanto 14,24% se posicionaram a favor e 11,50% não opinaram.

O Ipepe inquiriu dos entrevistados que responderam ser contrários a concessão do Parque, quais, então, os motivos de serem oposição ao projeto. De acordo com o levantamento, três respostas receberam maior número de menções dos entrevistados, a saber: “Só vai beneficiar os grandes” (18,26¨); “Vai quebrar os pequenos” (12,17%); “Vai prejudicar a gente” (11,30%). Só nesses três quesitos, o percentual alcançou 41.73%.

Por outro lado, e com a finalidade de saber como o público entrevistado avaliou a atitude dos parlamentares que votaram pela cessão do Parque, o Ipepe indagou: “Você votaria em algum dos deputados que votaram a favor da cessão do Parque do Jalapão à iniciativa privada?” Conforme os dados da pesquisa, 78,48% disseram que não votaria, enquanto 14,90 afirmaram que sim, que votaria, mesmo tendo votado pela concessão. Por fim, 6,62% não quiseram ou não souberam opinar. Lembrando que, o clima de revolta na região objeto da pesquisa era de tamanha insatisfação, ou seja, com a equipe de campo sendo hostilizada várias vezes, pois as pessoas achavam que o trabalho era de alguma empresa ligada ao governo do estado. Em Mateiros, por exemplo, algumas pessoas não quiseram responder e nem receber os entrevistadores em suas casas, julgando, como já dissemos, ser o trabalho de encomenda do governo ou de pessoas ligadas.

Carlesse com rejeição nas nuvens

Enquanto em São Félix, o prefeito Carlos Ribeiro, o Carlão, do MDB, tem o seu governo aprovado por 66,36% da população, em Mateiros o pastor João desfruta de 50,93% de nota positiva, igualmente em Ponte Alta do Tocantins, o prefeito Cléber do Sacolão detém 65,48% de aceitação administrativa, o governador Mauro Carlesse, com festas e farranchos no Jalapão, é rejeitado, na média das três cidades, com índice de 73,18% na soma dos conceitos “ruim e péssimo”. Pelo levantamento, o percentual dos que consideram o governo Carlesse “Ótimo e Bom” chega a 18,21%. Já 8,61% não souberam ou não responderam. Ainda segundo a pesquisa, a situação mais crítica do governo encontra-se justamente onde está localizado o epicentro do problema, isto é, Mateiros, local cobiçado pelo riquíssimo santuário de belezas naturais. Na referida cidade, segundo o estudo, Carlesse é desaprovado por 80,55% dos mateirenses, enquanto a sua aprovação chega à casa de apenas 13,89%.

De acordo com um vereador do município, que pediu para o seu nome não ser revelado, a situação do governador por ali é semelhante à de um paciente em estado terminal. “Como aprovar um governo que deixa de fazer um aeroporto aqui, onde possui mais visitação turística, para fazer em São Félix? O asfalto que sai de Lagoa, não está no projeto de chegar por aqui. Agora vem com essa de dar o Parque para degolar os pequenos. Paciência, né!”, protestou.

Para o consultor de economia, sociologia rural, com foco em gestão associativa, Delso Andrade, o bom momento que atravessa o turismo na região do Jalapão é resultado de iniciativa da sociedade, a qual vem se estruturando num modelo de economia descentralizada, conseguindo, com isso, êxito no projeto de turismo de base comunitária. “Mesmo com o Estado ausente, exemplos como o da dona Cleusa, do Adélio, donos de pousadas nas margens do Rio Novo, o turista encontra estrutura simples, mas funciona, gerando prosperidade, emprego e renda. E mais, num momento ainda de forte pandemia, em São Félix e Mateiros faltam mão de obra. Diante de tudo isso, vem agora o governo querendo trazer de fora um só investidor para comandar tudo isso, desarticular um processo desse”, questiona.

O professor da Universidade Federal do Tocantins, Renato Torres, Doutor em Ecologia, assevera que não basta focar apenas na estruturação de uns poucos atrativos, o governo tem que pensar na região como um todo, principalmente nas comunidades tradicionais e comunidades naturais que serão direta e indiretamente afetadas. “Mas infelizmente esse não é o caso do Tocantins, estão querendo estruturar alguns atrativos para incrementar o turismo na região. No entanto, a natureza e as comunidades tradicionais da região são muito peculiares e frágeis”, explica.

* Goianyr Barbosa é jornalista e consultor político.