Festa da Colheita do Capim Dourado evidencia tradição e cultura quilombola

  • 20/Set/2021 15h01
    Atualizado em: 20/Set/2021 às 15h05).

Festa aconteceu entre os dias 17 e 19 de setembro e antecede período de colheita do Capim Dourado.

Em meio às veredas do cerrado, as mãos cuidadosas das mulheres e homens buscam pela matéria prima de uma das maiores riquezas do artesanato tocantinense, o capim dourado. Realizada uma vez por ano pela comunidade Quilombola Mumbuca, localizada na região turística Encantos do Jalapão, a colheita do capim-dourado é uma tradição passada de geração para geração.

Para celebrar o período em que o verde do capim se transforma em um dourado vivo e defender a preservação e o manejo do capim dourado, os moradores realizaram uma grande festa com uma programação diversificada, que marcou o início da colheita.

As comemorações contaram com cavalgada, campeonato esportiva, desfile de peças feitas de capim dourado, emissão da Carteira Nacional de Artesão, além da apresentação do vestido de capim Dourado, produzido para o Miss Brasil, bate papo com o estilista Luis Fernando e apresentações teatrais, circenses e musicais com artistas regionais.

Quilombola da comunidade Mumbuca e presidente da Associação dos Artesãos, Railane Ribeiro da Silva, ressaltou a importância da festa para “É uma forma que temos de agradecer por essa benção que é o capim dourado para a nossa comunidade. Ele transformou a vida do nosso povo e todos os anos temos mantido essa tradição. Contar com o apoio do Governo do Estado, via Adetuc é muito importante e nos sentimos honrados por valorizarem nossa cultura e tradição”, afirma Railane.

Uma dos nomes mais referenciados da comunidade, Noêmia Ribeiro da Silva, popular “Doutora”, revela que a festa tem ganhado cada vez mais destaque. “É lindo ver todo o apoio que estamos tendo nesta festa, pois é algo especial pra gente. Hoje todo mundo conhece o capim dourado e a comunidade Mumbuca. Motivo de grande alegria”, descreve a artesã de 69 anos também conhecida pelo dom de fazer remédios através das raízes de plantas nativas.

Ao participar das festividades, acompanhado do superintendente de Cultura, Relmivam Milhomem, e da superintendente de Desenvolvimento do Turismo da Adetuc, Maria Antônia Valadares, o presidente da Adetuc, Jairo Mariano evidenciou a importância da integração do turismo e da cultura, no fortalecimento da economia local e do turismo de base comunitária. “O Estado do Tocantins tem como símbolo do seu artesanato o Capim Dourado produzido na comunidade Mumbuca. Valorizar essa tradição tem sido o foco do Governador Mauro Carlesse e temos trabalhado para mostrar o nosso artesanato e trazer melhorias e qualidade de vida para as comunidades”, ressalta Jairo.

Momento único


A beleza do capim dourado é inegável. As peças artesanais, produzidas a partir do capim recolhido na região do Jalapão, encantam e atraem os olhares por todo o mundo.

O vestido de Capim Dourado, desenhado pelo estilista tocantinense Luiz Fernando Carvalho para o Miss Brasil 2021, foi apresentado durante a Festa da Colheita do Capim Dourado. O traje pertence ao acervo da Agência do Desenvolvimento do Turismo, Cultura e Economia Criativa (Adetuc).

Vestido pela jovem quilombola, Tayza Pereira, de 15 anos, o traje, que conta com mais de 1100 peças artesanais, produzidas com o apoio de 15 artesãs, foi a atração da festa da comunidade que deu origem à cultura do artesanato feito do capim dourado.

Design por trás do vestido, o jovem estilista Luiz Fernando Carvalho conta que foram necessárias 720 horas de trabalho para finalizar a peça, que foi apresentada no Miss Brasil e agora na Festa da Colheita. "O vestido é um grande quebra-cabeça. Cada peça busca destacar o trabalho das artesãs e a beleza do Capim Dourado. Ter esse trabalho reconhecido pela comunidade e trocar experiências com as famílias que deram origem a essa tradição é algo mágico para mim", revela o design que realizou uma bate-papo com as artesãs e adolescentes do Mumbuca.

Aos 15 anos, Tayza Pereira, que mora na comunidade, tem o sonho de ser modelo e foi a escolhida para apresentar o traje, sendo também reconhecida pela beleza ao representar as mulheres dos quilombos da região do Jalapão. "Estou super feliz, nunca pensei em um momento como esse. Hoje eu estou orgulhosa, pois acho que o vestido me escolheu para que eu pudesse apresentar a nossa cultura e representar a nossa comunidade", declarou Tayza ao revelar que nunca havia desfilado ou se maquiado profissionalmente.

Para o presidente da Adetuc, Jairo Mariano, após a apresentação do traje no Miss Brasil, retornar com o vestido à comunidade é um ato simbólico que valoriza a história de trabalho dos quilombolas com a arte do capim dourado.

"A valorização do artesanato tem sido uma das principais linhas de trabalho do Governo do Tocantins para a geração de emprego e renda. Apresentar o vestido na festa da colheita estimula e potencializa a atividade das artesãs da região", completa.