Carlesse espalha o cangaço aterrorizante pelo interior do Tocantins

  • 19/Set/2021 16h39
    Atualizado em: 20/Set/2021 às 08h48).

*Por Goianyr Barbosa

Naquele último 26 de agosto, mês, segundo as crendices, das tragédias, tarde de sol abrasador, ar seco, queimadas abundantes no entorno de Palmas, temperatura oscilando entre 40 e 42 graus nos arredores da Praça dos Girassóis, local onde fica a sede do Governo, por ali, encastelado em seu luxuoso gabinete no Palácio Araguaia, tal qual um faraó egípcio, tendo à sua esquerda um ponto de observação privilegiadíssimo, ou seja, das vidraças palacianas vê-se a parte sul da Avenida Teotônio Segurado, enquanto, à sua direita, descortina-se a parte norte da cidade, cujas belezas são indescritíveis, o governador Mauro Carlesse apanha, sorrateiro, uma arma (caneta), antes, porém, atende um telefonema, refresca-se numa água de coco para, em seguida, apontar a arma (caneta) em direção a cabeça de quatro parlamentares, a saber: Nilton Franco, Valdemar Júnior, Elenil da Penha e Zé Roberto. Em tese, o balaço não atingiu os parlamentares, mas deixou um rastilho de pólvora em muitos prefeitos, por sinal, aliados do governador, e foi atingir o coração e a alma da sociedade, aquela que emancipa o homem – a Educação, com a exoneração de 30 diretores de colégios, muito dos quais de carreira e com bastante tempo à frente dos educandários. Possuído pelo espírito do ódio e do rancor, a desvairada medida carlessiana levou pânico até à secretária da Educação, Adriana Aguiar, que apelou para que os diretores demitidos permanecessem nos seus postos, apesar de exonerados, na tentativa de convencer o governador a cancelar o ato e a reparar o caos instalado.

Em Almas, para esclarecimento, na eleição suplementar do segundo turno para governo, a disputa foi acirradíssima. Na época, o então candidato Mauro Carlesse obteve 37,12% dos votos, enquanto Vicentinho Alves, apoiado pelo prefeito Vaguinho conquistou 36,17%, portanto uma vitória magra de Carlesse por apenas 23 votos. Já na eleição normal de outubro, com o prefeito Vaguinho apoiando Carlesse, este obteve 79,61% dos votos válidos, ao passo que Carlos Amastha ficara com 14,49% dos votos. Em resumo, uma vitória retumbante do governador por 2.059 votos de vantagem, mas graças ao apoio do prefeito a Carlesse. Caro leitor, sabe qual a retribuição do governador ao prefeito Vaguinho? Na caçada selvagem para castrar o deputado Nilton Franco do universo político, já que o deputado representa Almas, o governador, sem dar satisfação ao prefeito, demitiu uma talentosa e qualificada diretora, justamente no momento em que as aulas estão sendo retomadas, após mais de ano interrompidas pela Covid-19. Na realidade, indicar cargos é uma prerrogativa exclusiva do prefeito. Com isso, Política (com P maiúsculo) como arte de governar, de discutir os problemas do povo, fica empobrecida, vilipendiada, e o povo, mais uma vez, paga a conta por conta da ausência de visão e responsabilidade de governantes medíocres. A meu ver, é questão de dias para que grande parte dos demitidos retorne aos seus postos de trabalho, pois a pressão nas diretorias de ensino é cada vez maior. Por fim, fica o mau exemplo, a volta da política do coronelismo opressor, que só gera atraso, afugentando para bem longe os bem-intencionados, os que querem se instalar por aqui e contribuir na promoção de um estado novo e desenvolvimentista.

Vingança em quem só promove o bem

É inadmissível, causa enfurecimento, aliás, como imaginar que a mente de um governante seja capaz de produzir atos tão acintosos por conta de que quatro parlamentares, que tampouco sejam oposição ao seu governo, discordarem do seu projeto de concessão dos parques estaduais e, por isso, 15 diretores de colégios serem postos na rua, apenas, repito, porque tais parlamentares representam os municípios junto ao governo. O caso mais chocante aconteceu em Colmeia, cuja diretora já possuía 17 anos na direção de um estabelecimento de ensino. Professora de carreira, com várias premiações em ações proativas na melhoria do ensino, recebeu como troféu de valorização um decreto demissionário. De modo que, mesmo que essa diretora retorne ao posto de onde nunca deveria ter saído, a sua autoestima pode não ser mais a mesma ante ao fato humilhante. No Sudeste do Estado, por exemplo, as demissões de diretores atingiram nove cidades (Almas, Arraias, Aurora, Natividade, Novo Alegre, Porto Alegre, Ponte Alta do Bom Jesus, São Salvador e Taipas), perfazendo um total de 10 diretores exonerados, embora já no fechamento deste artigo, informações eram de que alguns já haviam retornado sob pressão da sociedade e do professorado. Em Ponte Alta do Bom Jesus, a diretora possuía 10 anos na direção escolar. Em São Salvador, a diretora demitida estava chegando a uma década de labor, próximo da sua aposentaria. Enfim, não foi levada em conta a eficiência desses gestores escolares nas áreas administrativas e pedagógicas.

Nunca antes na história deste Estado, parafraseando um ex-presidente, viu-se coisa semelhante. O ato exoneratório também chegou forte na cidade do ex-prefeito e ex-governador Moisés Avelino, na qual seis diretores foram retirados da gestão escolar. E mais: a volúpia governamental infamante se estendeu ainda às cidades de Pium, percorreu Divinópolis, Colmeia, indo pousar nas terras do ex-prefeito Ronaldo Dimas, pondo para fora uma zelosa diretora ligada ao deputado Elenil da Penha, o qual preferiu correr risco de ser atormentado pela máquina governamental a ser puxado pelo cabresto, como animal de carga pelo governo, e, por tabela, dando as costas aos anseios e interesses do povo do Jalapão. Por outro lado, procurei e não encontrei nota de repúdio ou apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Tocantins – Sintet, sobre o caso em questão.

Em resumo, só quem não sabe o valor de um mestre, o papel do conhecimento, a transcendência da Educação, quem pouco andou pelas salas de aula, presenciou pouco ou quase nada o denodado empenho de um educador na formação de mentes possui a frieza, a demência de atacar quem traz a sabedoria do céu para a terra e a entroniza no homem e em sua alma.

*Goianyr Barbosa é jornalista e consultor político