Volta às aulas presenciais: Importante e necessário, mas a que custo?

  • 28/Mai/2021 12h49
    Atualizado em: 28/Mai/2021 às 12h55).

*Por Joana Castro

Há um ano e três meses do boom do novo coronavírus, que parou o mundo, o Governo do Tocantins publicou nos últimos dias um Decreto que permite, desde o dia 17 de maio, o retorno das atividades presenciais na rede estadual de educação. Tal decisão acendeu um sinal de alerta e nos trouxe alguns questionamentos. A que custo? As unidades têm estrutura para adequar-se aos protocolos de distanciamento? Vale tudo pela “educação”, até mesmo um atentado à vida dos alunos e profissionais? Conhecendo as reais condições das escolas públicas no Tocantins, estas evidentes ameaças não podem ser minimizadas, tampouco descartadas.

É inquestionável a importância da reabertura, das aulas, de garantir o acesso à educação, principalmente após este longo período de fechamento das escolas que têm penalizado muitas crianças e adolescentes. Mas considerando que este é um serviço essencial, porque não incluíram os profissionais da Educação nos grupos prioritários contribuindo para que haja um retorno seguro? Os profissionais da Educação ocupam hoje a 17ª posição, conforme a lista divulgada pelo Governo Federal, mas o nosso País vacina atualmente as pessoas entre 69 e 65 anos. Tal categoria é a nona, na lista.

Afinal, são os educadores que vão acolher os alunos, alguns ainda abalados seja por conta do isolamento social, por terem perdido seus entes, vítimas da pandemia, ou receosos com as inúmeras mudanças diante de um cenário tão incerto e desafiador. No olho do furacão estes profissionais que também carregam suas angústias, seus medos, suas incertezas precisam aparentar fortes e ministrar os conteúdos com a maestria de sempre. Eis o desafio!

Municípios

É claro que o retorno efetivo das aulas depende dos decretos municipais. Aquelas cidades que as aulas presenciais estão suspensas tudo continua de forma on-line. Outro ponto viável, mas que traz mais incertezas e questionamentos é que, conforme o Decreto do Governo do Tocantins, o retorno presencial, mesmo onde é permitido, é facultativo aos estudantes. Daí deparamos com dois cenários: aulas on-line e presenciais; Conteúdos para os que decidirem ir às escolas e uma outra didática aos que ficarem em casa.

Palmas

Em uma atitude louvável, a prefeita de Palmas, Cínthia Ribeiro, anunciou ontem, em suas redes sociais, que o retorno presencial das aulas na Capital está previsto para agosto. Na publicação a gestora lembrou que faltam apenas duas semanas para o encerramento do primeiro semestre e, até agosto espera que os profissionais da educação estejam imunizados, o que trará um retorno mais seguro. Cínthia Ribeiro foi além, pontuou que a previsão de retorno depende ainda dos índices de contaminação na Capital. A prefeita deixou claro que o acesso à educação é importante, sim, mas para que ele ocorra, as vidas devem ser priorizadas.

Como a decisão do retorno das aulas presenciais estão por conta de cada gestor municipal, a Associação Tocantinense de Municípios (ATM), informou na última semana que pelo menos 30 dos 139 municípios optaram por continuar com o sistema on-line.

Enquanto os prefeitos decidem se as escolas retornam ou não as aulas no sistema presencial, na CPI da Covid, o Presidente do Instituto Butantan, o médico Dimas Covas, apresentou documentos encaminhados onze vezes ao Governo Federal oferecendo o imunizante, mas que foram recusados, o que justifica o atraso da vacinação no Brasil. Um problema de saúde pública, que há um bom tempo tornou-se de cunho político e nós brasileiros, seguimos pagando a conta.