Quem vai pagar a conta? Impasse do reajuste das passagens do transporte coletivo pode penalizar o palmense

  • 14/Mai/2021 09h00
    Atualizado em: 14/Mai/2021 às 09h04).

*Por Joana Castro

Uma verdadeira novela! O palmense acompanha de perto todos os episódios, que tem dado o que falar, do impasse entre a Expresso Miracema, empresa que atua no transporte urbano de Palmas e a Prefeitura da Capital. O suposto motivo da briga gira em torno de um aumento no valor da tarifa de ônibus. Mas não estamos falando de qualquer ajuste, o bilhete que custa atualmente R$3,85 passaria a R$6,91. A pergunta que fazemos agora é: os próximos capítulos trará um final feliz? Feliz para quem? É preciso chegar a um consenso que fique “bom para todo mundo”.

Vamos aos fatos. Atualmente o usuário do transporte coletivo da nossa Capital não tem condições de arcar com um reajuste de 79%. Muitos palmenses tiveram seus salários reduzidos em função da pandemia da Covid-19, o comércio em geral sofreu uma retração significativa. Ficará pesado para o pequeno empresário que terá mais este custo.

Sejamos francos. A olhos nus é praticamente impossível perceber os investimentos realizados no transporte urbano de Palmas. A frota é formada, em sua maior parte, por veículos com mais de uma década no mercado. É claro que devemos salientar o preço exorbitante dos combustíveis, os salários dos servidores e outros custos. A empresa alega um déficit de R$12 milhões e, apresenta neste momento o reajuste como alternativa ou pouco mais de 50% da frota atual nas ruas. Tal postura, traria mais desemprego e piores condições no serviço ofertado.

Ministério Público precisa intervir

Não podemos ignorar que a Expresso Miracema tem um contrato vigente de concessão do transporte público de Palmas até 2022. Neste caso, alterar anualmente o valor da tarifa é um direito garantido por lei, mas o momento requer bom senso, cautela e sensibilidade. Seria o momento de uma empresa que possui o monopólio do transporte público há mais de 30 anos se preocupar com os lucros? É hora de buscar, acima de tudo, o bom senso e optar pela responsabilidade social. Por outro lado, o Município pode apresentar alternativas para minimizar os prejuízos da empresa.

Volto a dizer: Só o diálogo trará um consenso para a situação. O Ministério Público precisa agir e agir rápido, de modo imparcial no que tange à Prefeitura e a Miracema, mas priorizar o cidadão que utiliza o transporte público. Vamos aguardar e torcer para que o bem comum prevaleça e tenhamos efetivamente um final feliz para todos, diante de mais um episódio triste para todos nós que sabemos da importância deste serviço para o desenvolvimento de Palmas.