Em Chapada, Élio Dionísio capou e passou o sal

  • 18/Apr/2021 15h41
    Atualizado em: 19/Apr/2021 às 07h59).

*Por Goianyr Barbosa


Um amigo bastante chegado de Natividade, nas vezes em que é possuído pelo espírito da crítica, tem o vil costume de diminuir a importância da cidade de Chapada, vizinha da sua. Da sua mente crítica, insinuante, afirma que, em qualquer localidade do perímetro urbano da cidade, em que um jumento se posicionar, o rabo ficará abanando do lado de fora. De tanto a sua radiola estragada repetir esse enredo, cheguei à cristalina conclusão de que o amigo ainda agasalha fortes sentimentos de revolta por conta da separação entre os dois municípios, ocorrida no ano de 1995, visto que, mesmo Natividade possuindo quase o dobro do território de Chapada e beirando o triplo em habitantes, é em Chapada que se encontra uma das maiores jazidas de ouro do Tocantins, com empresas atuando diuturnamente na extração de minérios, abrindo portas ao mercado de trabalho às pessoas da região Sudeste, além, evidentemente, dos polpudos impostos municipais ali arrecadados. Diante desta constatação, pergunta-se: como um município tão diminuto em área e população, recebendo recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no mesmo patamar da mãe Natividade, um prefeito não consegue se reeleger? E o que é pior, levando um verdadeiro olé nas urnas. De fato, Chapada é apenas um exemplo, entre tantos outros em que prefeitos, administrando algumas ruas e avenidas não conseguiram o aval do povo à continuidade no poder. Em suma, somente um exame minucioso seria capaz de deslindar casos desta natureza.

De acordo com os anais históricos, o ex-prefeito Joaquim Urcino disputou todas as competições eleitorais no seu município, elegendo-se duas vezes e sendo nocauteado em cinco confrontos. Em resposta, os críticos o apelidaram de “Joaquim todo ano”. Nas cinco vezes em que foi abatido, em duas concorria à reeleição, sendo a última bem recente, em 2020. Inconcebível, aliás, que numa reeleição, contando com a máquina pública e todo um aparato político que favorecem aos que almejam se manter no poder, Urcino não soube remar com perícia a embarcação política, deixando-a ir a pique. Política à parte, o ex-prefeito Joaquim tem uma história digna de nota no serviço público, conduta ilibada como policial federal, desde a época em que essas plagas pertenciam ao Norte goiano. Por outro lado, convém ressaltar que na história política de 26 anos de Chapada, dois prefeitos conseguiram se reeleger: Maria Diramar (Dira), que administrou de 2001 a 2008 e o baiano Djalma Rios, que pilotou o município de 2009 a 2016. Portanto, a esperança neste instante por um governo transparente e realizador repousa sobre os ombros de Élio Dionísio, o novo gestor escolhido pelos chapadenses. Vai, portanto, ficando o alerta: trabalhe, discuta com o povo as suas prioridades, tenha ao redor uma equipe de profissionais competentes, pois não se esqueça, em 2024 Joaquim estará de volta, a política é o seu hobby, o seu esporte preferido, em que se acostumou tanto a ganhar como a perder, mas nunca de desistir das suas convicções, ou seja, o de governar para a sua gente.

Dionísio liderou de ponta a ponta

O novo prefeito de Chapada, Élio Dionísio, sempre teve a sua trajetória ligada à política. De simples servidor público, mas dedicado aos problemas da comunidade, não demorou para que o povo o reconhecesse como um líder e o convocasse para uma missão mais relevante, isto é, o ingresso na vida pública. Não por acaso, elegeu-se vereador em três ocasiões, sendo que na última, presidiu o Legislativo. Com nome aceitável em todos os segmentos sociais do povo, em novembro de 2019, portanto a um ano das eleições, Élio Dionísio contacta este jornalista para fazer uma sondagem eleitoral na cidade. Na estimulada, onde nomes são apresentados aos entrevistados, Dionísio já se encontrava bem à frente do prefeito Joaquim Urcino, que já vinha trabalhando a reeleição. Pelos números aferidos pelo Ipepe, Élio detém 47.37% das intenções de voto, enquanto o prefeito Joaquim atinge o percentual de 21.05% de preferência. Já a vice-prefeita, Odilene Lacerda alcança 10.53%. Com base nos dados, a vantagem de Élio para Joaquim era de 26.32 pontos percentuais. Para Odilene, a vantagem de Élio era de 36.84 pontos. No quesito administrativo, a gestão do prefeito Joaquim contava com 50.66% de reprovação e 25.66% de aprovação. Em outras palavras, a pesquisa já revelava de maneira clara que o prefeito atravessava um momento muito delicado, e que, por isso, não seria fácil renovar o mandato. O estudo avaliou a aceitação do governo Carlesse. Para 34.87% dos entrevistados, Carlesse não era um bom governador para Chapada, ao passo que 21.71% o achavam bom e para 31.58% regular.

Em julho de 2020, o Ipepe volta a sondar o sentimento dos chapadenses em relação ao pleito eleitoral, que já se aproximava. De acordo com os dados prospectados, Élio Dionísio contava com 55.30% das intenções de voto, vindo em seguida o prefeito Joaquim com 18% de menções e Odilene com 8%. O percentual de indecisos era de 10% e 8.5% manifestavam o desejo de anular o voto. Diante dos dados, a vantagem de Élio para Joaquim era de 37.3 pontos percentuais e para Odilene a vantagem era de 47.3 pontos. Portanto, em pontos percentuais, Élio cresceu 10.98 pontos para Joaquim, comparando-se com a pesquisa passada. Já o crescimento para Odilene foi de 10.46 pontos. Na reta final da campanha, exatos 10 dias para as eleições, o Ipepe finaliza a sua participação no município, trazendo os seguintes resultados na modalidade estimulada: Élio continuava na dianteira, com 67.21% das intenções de votos, bem atrás o prefeito Joaquim, com 22.39% e, descendo a ladeira, a vice-prefeita Odilene, com 5.74%. Portanto, a diferença de Élio para Joaquim era de 44.82 pontos. Por sua vez, 66.39% afirmavam estar insatisfeitos com a gestão Urcino e somente 20.49% satisfeitos. Àquela altura, a candidatura Urcino já se encontrava entubada e na UTI sem chances de recuperação. A pesquisa também apurou que o governo Carlesse não andava bem, pois 45.50% se diziam insatisfeitos com o seu governo contra 30.33% que se diziam satisfeitos. Por fim, urnas abertas, Élio Dionísio cravou 68.99% dos votos validos, Joaquim Urcino 27.32% e Odilene Lacerda 3.69%. O Ipepe deixou, mais uma vez, sua marca de acerto em Chapada, com todos os números dentro da margem de erro. .

*Goianyr Barbosa é jornalista, radialista e consultor político.