No Sudeste do Tocantins, 53.84% dos prefeitos conquistaram reeleição

  • 11/Abr/2021 16h43
    Atualizado em: 12/Abr/2021 às 08h10).

*Por Goianyr Barbosa

O chamado instituto da reeleição, aprovado pelo Congresso Nacional, em 1997, a fim de permitir que o presidente Fernando Henrique Cardoso pudesse buscar um novo mandato autorizou, também, por tabela, que prefeitos e governadores gozassem dessa prerrogativa. Em 2018, segundo fontes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos 20 governadores que tentaram a reeleição, metade conseguiu. Na disputa municipal última, de 2020, 63% dos candidatos a prefeito de todas os municípios brasileiros que postularam prosseguir no cargo obtiveram êxito. Por outro lado, a polêmica que tem se levantado entre parlamentares em Brasília é a de que se deve ou não barrar a permissão para que presidente, governadores e prefeitos se reelejam. Os partidários da reeleição, convém ressaltar, argumentam que quatro anos é pouco para um gestor equilibrar as contas municipais e implementar o seu programa governamental. Já os contrários à reeleição, insistem na tese de que neste modelo há o abusivo uso da máquina pública pelos gestores, tornando a disputa desigual, deixando muitas vezes de lado o interesse público e o foco se desvia para o interesse eleitoral. No geral, entre as vozes mais sensatas, há um coro forte dentro de segmentos importantes para que o mandato dos chefes do Executivo seja de cinco anos, sem direito a reeleição, unificando, portanto, as eleições e eliminando, em contrapartida, os gastos astronômicos a cada dois anos.

Na região Sudeste, uma das mais importantes do Tocantins, constituída de 20 municípios, 13 prefeitos pleitearam um novo mandato, porém só sete foram reeleitos (53.84%), ou seja, os das cidades de Almas, Combinado, Lavandeira, Novo Alegre, Porto Alegre, São Valério e Taipas. Enquanto isso, em seis municípios (46.15%) os eleitores não concordaram em esticar o mandato de seus prefeitos, a saber: Arraias, Chapada da Natividade, Natividade, Paranã, Ponte Alta do Bom Jesus e Taguatinga.

Em 20% dos municípios (Aurora, Conceição, Pindorama e Santa Rosa), não houve reeleição, isto é, os prefeitos já haviam sido reeleitos. Já em 15% deles (Dianópolis, Novo Jardim e Rio da Conceição), apesar de os prefeitos estarem habilitados constitucionalmente para uma nova disputa, não quiseram expor-se ao risco de um naufrágio eleitoral, como, por exemplo, foi o caso do então prefeito Mauro Júnior, de Rio da Conceição, que não foi à reeleição, contudo emprestou o seu prestígio para Ribamar Gomes, na época seu secretário da Saúde, e quase o fez prefeito, perdendo por uma margem minguada de 39 votos para a petista Edinalva Oliveira. No coração do Sudeste, em Dianópolis, o padre Gleibson não se aventurou numa nova disputa. Segundo pessoas próximas ao ex-prefeito, a sua imagem administrativa estava muito desgastada e que, portanto, seria um risco, naquela disputa, passar por um vexame. Pesquisa do Ipepe em agosto de 2020, próximo das convenções, dava a Gleibson com 64.37% de reprovação e 22.61% de aprovação.

Os bem avaliados geralmente mantêm-se no poder

Numa reeleição, é na cabeça do eleitor, é na sua percepção que reside a capacidade para discernir se um gestor cumpriu com o que fora apalavrado e, com isso, votar a favor ou contra a sua continuidade. Segundo o publicitário Arlênio Sampaio, há anos trabalhando em campanhas eleitorais, a conquista de um novo mandato depende muito de como o gestor se comporta no período em que está à frente da administração municipal. “Se fez uma boa gestão, cumpriu com o prometido, geralmente o povo opta pela continuidade. Entretanto, chega a ser incompreensível como um prefeito ou uma prefeita com as ferramentas do poder em suas mãos, não se viabiliza administrativamente para receber mais quatro anos de governança”, salientou. Em Almas, a reeleição do prefeito Vaguinho não foi consequência de virada em ano de eleição. Medições feitas no segundo ano do seu mandato já revelavam um alto sentimento popular de aprovação ao seu governo. No mês de agosto, cerca de três meses da eleição, o Ipepe apurou que 79.20% dos eleitores entrevistados aprovavam a gestão Vaguinho, contra apenas 8% de reprovação. Como resultado, a vantagem de Vaguinho para a sua adversária foi de 22.8 pontos percentuais. Em Combinado, a gestão do prefeito Dolfim tinha, em setembro, segundo dados do Ipope, instituto dirigido pelo renomado jornalista Rodrigues di Sousa, 61.90% de ótima e boa gestão e apenas 14.40% de ruim e péssima gestão. Moral da história: Dolfim continuou por mais quatro anos.

No município de Lavandeira, a gestão nos trilhos e sempre bem avaliada sob o comando do prefeito César o reconduziu para mais um mandato, com larga vantagem sobre o adversário. Em meados de setembro, o Ipope, gerenciado pelo jornalista Rodrigues, mediu uma aprovação administrativa 75.81%, ao passo que a reprovação totalizava somente 9.5% dos ouvidos pelo instituto. Portanto, avaliação em alta, vitória avassaladora de 37.2 pontos percentuais para o seu concorrente. Não foi diferente a vitória do prefeito Fernando, em Novo Alegre, sobre o ex-prefeito Wilson. O Ipope levantou que a gestão possuía 60% de aprovação direta e 21% de pessoas insatisfeitas. Processados os votos, Fernando obteve 18.86 pontos de vantagem. Também em Porto Alegre, o prefeito Renan saiu triunfante das urnas para mais um mandato, por conta de ter o seu governo nas graças do povo. Levantamento de Agosto, do Ipope, trazia o prefeito com 59% de ótimo e bom e apenas 13% contrários ao seu governo. No final da partida, Renan surrou o segundo colocado por uma diferença de 55.72 pontos. Já em são Valério, em vez do Ipope, dirigido pelo Jornalista Rodrigues, quem faz o estudo foi o Ipepe, dirigido por este escriba. Pelos dados, o prefeito Olímpio tinha 50% de aprovação direta, contra 37.78% de reprovação. Por sinal, Olímpio se reelege com margem de 28.94 pontos para o ex-prefeito Dr. Jaime. Por fim, o ex-prefeito Joaquim Carlos, em Taipas, não suportou o peso eleitoral do prefeito Sílvio Romério, que em setembro tinha, pelos dados do Ipope, 90% de aprovação e ínfimos 4.6% de reprovação. Contados os votos, Sílvio tratora o ex-prefeito Joaquim Carlos, com vantagem de 69.14 pontos, aliás, a maior do Sudeste, entre os prefeitos que se reelegeram.

Os que ficaram para trás

Em Arraias, o ex-prefeito Wagner Gentil é tido como um perito na arte de ganhar eleições, mas, no poder, quando se aventurou a dar continuidade, nas duas vezes foi demitido pelo voto. Na medição de fevereiro de 2020, o Ipepe achou uma reprovação ao seu governo de 65% e aprovação de 21.59%. Na eleição última, amargurou uma terceira colocação. No município de Chapada, há um mês das eleições, o prefeito Joaquim Urcino, na medição do Ipepe, contava com 66.39% de reprovação e 20.49% de aceitação. Porém, quando a sacola das urnas foram derramadas, Élio Dionísio, sem piedade, impôs uma derrota a Urcino de 41.67 pontos de vantagem. Logo pertinho, na Sete Maravilhas do Brasil, na mística Natividade, em agosto, na sondagem do Ipepe, a prefeita Martinha se debatia com 51.19% de reprovação e 32.54% de aprovação. Mesmo contando com uma oposição dividida, com vários nomes concorrendo, a prefeita não obteve sucesso; o jovem Dr. Thiago, da tradicional família Cerqueira, pôs fim a sua pretensão de ir mais adiante ao derrotá-la por 12.95 pontos de vantagem. Em Paranã, o Ipepe não fez acompanhamento de pesquisas, mas a que realizou, a um mês da eleição, constatou o prefeito Fabrício Viana com uma aprovação acima da reprovação. No entanto, é impossível prever os desdobramentos de como a eleição se afunilou, ocasionando a vitória oposicionista na cidade. Já em Ponte Alta do Bom Jesus, o Ipepe não aferiu as eleições por lá. Porém, a derrota do prefeito Iaporã é atribuída ao seu fraco desempenho administrativo. Da mesma forma em Taguatinga, o então prefeito Miranda foi claramente prejudicado com a divisão do seu grupo político, além de uma reprovação ao seu governo na casa de 48.30% e aprovação de 44.90%. Enfim, por onde os governantes corresponderam com as expectativas dos eleitores, houve carta branca à continuidade, porém, nos municípios em que houve mais falhas que acertos administrativos, o ocupante foi deposto do cargo pelo voto.

*Goianyr Barbosa é jornalista, radialista e consultor político.